Quando a alíquota se torna um imposto oculto, o federalismo entra em colapso

Nos últimos dias, ficou conhecida a criação da chamada Taxa Municipal de Ecoturismo em Colonia Venda, no estado de Misiones. Além do nome atraente e dos objetivos ambiciosos proclamados, o debate subjacente não é nem ambiental nem turístico; mas é institucional, constitucional e ideológica.

A Argentina tem um regime claro de distribuição de recursos entre a Nação, as províncias e os municípios. Em particular, a Lei Federal de Alocação de Impostos estabelece limites claros para evitar abusos fiscais, sobreposição fiscal e, acima de tudo, insegurança jurídica para quem produz, investe e trabalha.

Um imposto comunitário, para ser válido, deve satisfazer o requisito básico e inevitável de prestação de serviços específicos, eficientes e personalizados. Quando este serviço não existe, quando o contribuinte não é identificado e não lhe é mostrado o que recebe em troca, a taxa deixa de ser uma taxa. e se torna um imposto oculto. É exactamente isso que está a acontecer com a chamada Taxa Eco-Turística. É cobrada a entrada no município para fins turísticos, comerciais ou empresariais sem remuneração municipal específica. Com efeito, o exercício da actividade económica é tributado, matéria já abrangida por impostos nacionais gerais como o Imposto sobre o Rendimento.

A lei é clara, os municípios não podem criar impostos locais como os impostos nacionais. Não é um comentário político, é uma proibição legal expressa. A esse respeito, a Suprema Corte de Justiça da Nação já se pronunciou diversas vezes, desde a histórica decisão dos Laboratórios Raffo até a recente declaração de inconstitucionalidade da Ecotaxa de Bariloche em 2024.

Defender o federalismo não significa permitir que cada município cobre o que quiser, como quiser e de quem quiser. Defender o federalismo é respeitar regras comuns que garantam equilíbrio, previsibilidade e segurança jurídica em todo o país. Misiones deveria atrair investimentos, criar empregos e acompanhar o setor produtivo, não ser sufocada por impostos disfarçados de taxas. A protecção ambiental e o desenvolvimento do turismo são objectivos legítimos, mas devem ser financiados no âmbito da lei e com instrumentos transparentes. Quando um Estado ultrapassa estes limites, não só prejudica os contribuintes, mas também corrói a confiança e desencoraja a actividade económica, ameaçando o investimento e o crescimento.

É por isso que é necessário conduzir este debate com seriedade e responsabilidade. Não se trata de arrecadar mais, trata-se de gerir melhor, cortar custos e reduzir impostos a fim de promover a actividade económica e o desenvolvimento real.

Deputado Estadual e Presidente de La Libertad Avanza Misiones


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