Pelo menos oito mortos em operação mortal em favelas pela polícia brasileira | Notícias criminais

A polícia brasileira afirma que o ataque no Rio de Janeiro teve como alvo o líder do poderoso grupo criminoso Comando Vermelho.

Pelo menos oito pessoas foram mortas durante uma operação policial em um bairro no centro do Rio de Janeiro, dando continuidade a uma tendência de operações mortais em comunidades pobres de favelas.

Autoridades policiais brasileiras disseram que o ataque de quarta-feira matou Claudio Augusto dos Santos, comandante do poderoso grupo criminoso Comando Vermelho.

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O delegado da Polícia Militar, Marcelo Menezes Nogueira, disse que o ataque gerou um “grande conflito armado”. Dos Santos e seis outros supostos criminosos teriam sido mortos e apanhados no fogo cruzado depois de tomarem como refém um residente local.

Testemunhas locais descreveram que indivíduos associados ao Comando Vermelho retaliaram o ataque bloqueando estradas e incendiando um autocarro.

“Eles subiram, me disseram para descer dos passageiros e incendiaram o ônibus. Aconteceu muito rapidamente”, disse o motorista do ônibus Marcio Souza à agência de notícias AFP.

Cinco pessoas foram presas sob a acusação de vandalismo, disse a polícia. Cerca de 150 policiais militares participaram da operação em áreas como Prajeres, Fallet, Fogateiro, Coroa, Escondido e Paula Ramos.

Dos Santos estava ligado ao tráfico de drogas na favela Prajeres e tinha 10 mandados de prisão, segundo relatos da mídia. A polícia acusou dos Santos de envolvimento no assassinato do turista italiano Roberto Bardella.

A operação de quarta-feira ocorre meses depois de uma operação policial em outubro ter matado mais de 130 pessoas na favela carioca do Complexo da Penha, levantando questões sobre os métodos das forças de segurança do Estado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o ataque como um massacre.

Alguns políticos da esquerda brasileira criticaram o ataque de quarta-feira como uma continuação de uma tendência de confrontos imprudentes entre a polícia e o crime organizado.

“Mais um dia de medo e pavor no Rio de Janeiro”, escreveu online a deputada estadual do Rio de Janeiro Renata da Silva Souza.

“Isto é uma prova da falta de preparação da polícia – uma operação em Moro dos Prajeres sem planeamento da resposta inevitável. O resultado foi totalmente previsível: a população local apanhada no fogo cruzado, estradas bloqueadas e autocarros incendiados”.

Souza disse que apresentou queixa formal ao Ministério Público pedindo responsabilização pela perturbação da vida civil e pelo elevado número de mortos.

Enquanto isso, os políticos da direita brasileira pediram que mais força fosse usada contra os criminosos no país.

O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, postou nas redes sociais: “É verdadeiramente ultrajante que esses criminosos imponham-se a quem não tem absolutamente nada a ver com suas atividades.

“O Estado não pode dar um único passo atrás devido a tais atos hediondos. Apoiamos firmemente a polícia e os cidadãos cumpridores da lei”.

Relatos da mídia indicaram que o governo brasileiro está atualmente tentando impedir que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rotule grupos como o Comando Vermelho como “organizações terroristas estrangeiras”, um termo anteriormente usado para identificar grupos que ameaçam a segurança nacional dos EUA.

Mas, cada vez mais, a administração Trump tem aplicado este rótulo a redes criminosas e cartéis de droga em toda a América Latina, colocando-os na mesma categoria de organizações como a Al-Qaeda.

Os críticos alertaram que o rótulo de “organização terrorista estrangeira” tem sido usado para encorajar ações militares contra grupos criminosos em toda a América Latina.

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