Noites marcadas por uma tragédia brutal e uma maioria barulhenta que perdeu posição na Villa Gessel

VILLA GESELL (Enviado Especial): – A música pode ser ouvida meio quarteirão antes de você chegar. É uma pulsação séria e constante que se filtra pelas árvores e fachadas do terreno. Na calçada, um grupo de jovens avança lentamente, olhando para os celulares, comparando pulseiras, procurando aquela que não está visível. É sexta-feira à noite em Villa Gessel e o centro começa a encher. mas não com a intensidade de outros verões. A poucos metros de distância, numa árvore de uma área comercial, alguém para para olhar um retrato laminado. Essa é a cara de Fernando Baez Sosa. Abaixo: flores frescas, girassóis, buquês brancos e azuis. Uma placa enferrujada com um rosto gravado no metal. Dois cartazes com o mesmo slogan acima. “Justiça para Fer”. O memorial permanece ali, imóvel, sinal silencioso de uma noite que se dividiu em duas há seis anos..

O rosto de Fernando Baez Sosa em um dos cartazes que ainda estão expostos esta noite em Villa GesellTom√°s Cuesta

Em 18 de janeiro de 2020, Fernando Baez Sosa, de 18 anos, foi espancado por um grupo de jovens do lado de fora da pista de boliche Le Brick, nesta cidade. A cena foi capturada por câmeras de segurança, celulares e memória coletiva. A violência, o ataque de gangues, a brutalidade nas ruas transformaram aquele episódio em um dos processos judiciais mais notáveis ​​dos últimos tempos na Argentina. Seis anos depois, o crime continua sendo referência incontornável quando se fala da noite de Gesell.

Dias antes do próximo aniversário do assassinato. A NAÇÃO visitou Villa Gesell veja como os jovens vivem esta noite. A cidade parece ter sido reorganizada. Nos verões anteriores ao crime, madrugada era sinônimo de juventude. palestrantes na praia, prévias na areia, grupos de amigos se estendendo até o amanhecer. Hoje o clima é diferente. Mais conteúdo. Mais protegido. Mais disperso.

No Centro, casais se misturam com crianças pequenas, avós lentos, adolescentes e jovens, mas já não são a maioria. Marcelo Aguilar – La Nación

No centro, as calçadas são dominadas por famílias. Casais com filhos pequenos, avós caminhando devagar, turistas saindo para jantar mais cedo. Há adolescentes, jovens, mas já não são a maioria barulhenta de outros anos. “É mais tranquilo, mais reservado”, diz um comerciante na porta de sua loja. “Antes que isso explodisse com as crianças”jogo de dados

O memorial de Fernando funciona como uma espécie de ponto de pausa. Uma velha se aproxima segurando uma criança. Um grupo de meninos está olhando cartazes. Um casal para para recitar uma oração presa a um baú. Não é um altar escondido. está localizado no meio da avenida, rodeado de restaurantes, sorveterias e bares. A noite passa em torno dessa memória.

A poucos quarteirões de distância, no Paseo 106 entre as Avenidas 3 e 3, fica a pista de boliche Dixit, uma das duas grandes casas noturnas que ainda funcionam em Gesell. na frente da porta Um cordão de pelo menos dez policiais está guardando a cena. Alguns olham para a entrada, outros para a saída. É por volta de 1h da manhã e o check-in ainda é lento.

Movimento de pessoas na entrada da pista de boliche de DixitMarcelo Aguilar – La Nación

“O interior do boliche é monitorado toda semana, estamos aqui não tanto para entrar, mas para sair. A segurança foi reforçada desde Fernando“, explica um dos policiais a esta mídia. A mobilização é visível: viaturas estacionadas, agentes caminhando, rádio ligado.

O gerente de uma pista de boliche concorda que a noite não é mais a mesma. “Ele enche tipo 2h30, mas é diferente. A sociedade mudou. Antes eram crianças, agora são pessoas mais velhas na casa dos 30 anos. Os jovens estão mais em Mar del Plata. Antes e depois aconteceu depois do Fernando. Não aceitam menores, se for preciso, verificamos duas vezes o documento de identidade”, detalha.

Na porta, dois amigos aguardam a sua vez de entrar. Seus nomes são Lucia Mazzini, de 29 anos, e Florencia Rivas, de 30 anos. Eles se conhecem desde que eram meninas. “Viemos para Gessel a vida toda. Nossas famílias passam férias juntas. Para nós, isto é como nossa casa de campo”, diz Lúcia. Florença assente. “Mas tudo mudou. Gesell mudou 100%. Antes era divertido o tempo todo, era espontâneo, a rua, a balada, a praia. Depois do que aconteceu com Fernando, me sinto ainda mais vazio. Como se tivesse faltado“.

Lúcia acrescenta: “Nosso grande grupo foi para Mar del Plata. Dizem que há mais coisas, mais festas, mais liberdade. Ficamos porque amamos este lugar. Mas é verdade que não é a mesma coisa”.

Entrada em Pueblo Límite, para a festaMarcelo Aguilar – La Nación

O Gesell Center reflete essa mudança. Há jovens, sim, mas misturados com famílias, adultos, turistas que não procuram a noite. A cidade parece ter envelhecido. A tendência que hoje domina entre os jovens está mais relacionada a Mar del Plata e Chapadmalal, onde aumentam as festas na praia e os eventos privados à beira-mar. Já em Gessel a noite é mais tranquila, mais controlada, mais curta.

Por um tempo, o Dixit ficou até fechado. Naqueles meses, a única pista de boliche que restou de pé foi Pueblo Límite, localizada na Avenida Buenos Aires, 2.600. Eles agora estão concentrados lá. festas muito grandes que vêm a este spa. Uma delas é a Bresh, uma das marcas mais populares do país.

Às 14h30 uma fila começa a se formar em frente à entrada. Os controles são rigorosos. Revisão da bolsa. Verificação de autenticação dupla. Pulseiras. Segurança pessoal em cada esquina. Ninguém entra sem passar pelo filtro. Por dentro, a pista vai se acomodando lenta mas seguramente. O público varia de 18 a 40 anos. Alguns dançam ao som do DJ. Outros se apoiam em barras. Nos corredores, seguranças vigiam cada movimento.

O público varia de 18 a 40 anos.

Entre os presentes, Sebastian Arce, de 42 anos, olha em volta com saudade. “Venho para Gesel desde os anos 90. Eu vivi a noite de forma diferente. Foi a falta de controle, sim, mas também foi mais livre. Agora está tudo mais armado, mais estruturado. Eu entendo o porquê, mas é um espírito diferente“, enfatiza.

Ao lado dela está Martina Paredes, de 21 anos, que vive sua primeira temporada forte no Gessel. “Não entendo por que dizem que ele está morto. Gosto. Mas meus amigos preferem Mar del Plata à capital. Dizem que aqui é mais calmo, mais familiar”, descreve.

Mais perto da pista, Thomas Herrera, de 24 anos, chegou especificamente para Bresch. “Se não fosse essa festa eu não teria vindo. Costumamos sair em Mar del Plata. Há mais opções, mais gente, mais variedade. Mas viemos hoje porque é Bresh.”

A memória de Fernando aparece inevitavelmente nas conversas. “Você não pode falar sobre a noite sem pensar nela.” – sentença Valentina Soto, 27-. Eu estive aqui naquele verão. Foi um choque. A partir daí tudo ficou mais difícil, mais controlado. E talvez seja por isso que muitos jovens seguiram em outras direções“.

Atividade noturna no Sutton Bar, um ponto de encontro mais tranquiloMarcelo Aguilar – La Nación

Ao mesmo tempo, a vida noturna fora das discotecas mudou para bares com DJs e música ao vivo. Sutton, no Paseo 105 e Avenida 2, e Origen, no Paseo 105 No. 267, servem como pontos de encontro mais tranquilos. Não são clubes, mas música, luzes e o volume cria uma atmosfera de festa. As pessoas bebem, dançam um pouco, conversam. Não há longas filas ou controles extremos. É uma sociabilidade mais descontraída, mais fragmentada.

“É muito intenso lá”, diz Julian Suarez, 34 anos, apontando para a pista de boliche de Dixit. “Aqui estamos mais tranquilos, ainda parece que Gesell não é mais o que era. Antes que pudéssemos quebrar tudo. Agora é diferente”, acrescenta.

A noite está avançando. Os clubes estão meio cheios. As hastes mantêm um fluxo constante. O memorial de Fernando, no centro, continua recebendo atenção. Dois adolescentes, de cerca de 15 anos, se aproximam e tiram fotos. A alguns passos de distância, o pai explica calmamente o que aconteceu à filha. As cenas se repetem continuamente ao redor da árvore.

A árvore “Justiça para Fer” em homenagem quatro anos após o assassinato. Hoje, às seis horas, continua comemorando a noite de Villa GesellMarcelo Agui

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