Começou uma guerra de palavras entre o presidente francês e o primeiro-ministro italiano devido ao assassinato de Quentin Derank.
Publicado em 19 de fevereiro de 2026
O presidente francês, Emmanuel Macron, entrou em confronto com o primeiro-ministro italiano, Giorgia Meloni, sobre o assassinato de um ativista francês de direita que foi espancado até a morte por ativistas de extrema esquerda em Lyon.
Meloni, um conservador, disse nas redes sociais na quarta-feira que “os assassinatos cometidos por grupos ligados ao extremismo de esquerda… são uma ferida para toda a Europa”. Falando aos repórteres durante uma viagem pela Índia, Macron reagiu com raiva na quinta-feira, dizendo que todos deveriam “permanecer em seu próprio caminho”.
“Sempre me pergunto como os nacionalistas, que não querem se preocupar no seu próprio país, são sempre os primeiros a comentar o que está acontecendo em outros países”, disse ele.
Questionado se as suas observações se referiam a Meloni, Macron respondeu: “Você acertou”.
Respondendo a isto, Meloni disse que Macron tinha entendido mal os seus comentários. “Macron lamenta ter visto isso como uma intervenção”, disse Meloni em entrevista televisiva ao canal de notícias italiano Sky TG24.
Deranc, de 23 anos, morreu após ser espancado durante um protesto de direita em Lyon, em 12 de fevereiro. Sete pessoas, incluindo um assessor de um parlamentar do partido de extrema esquerda France Unbid (LFI), enfrentarão acusações de homicídio no caso, disse o promotor na quinta-feira. Ele estava entre as 11 pessoas presas no início da semana.
Jacques-Elie Favrot, assessor do legislador da LFI Raphael Arnault, enfrenta acusações de cumplicidade através de incitamento e está detido em prisão preventiva, disse o promotor de Lyon, Thierry Dran. Favrot e os outros suspeitos negam as acusações.
O incidente abalou a classe política francesa e aumentou as tensões entre a direita e a esquerda antes das eleições municipais de março e da corrida presidencial em 2027.
As sondagens de opinião apontam a extrema-direita para a presidência em 2027, quando o presidente centrista Emmanuel Macron teria de renunciar após um máximo de dois mandatos consecutivos.
Macron e Meloni estão tensos
Um dos aliados europeus mais próximos do centrista pró-europeu Macron e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Meloni já discutiu questões que vão desde o conflito na Ucrânia até ao comércio e à política europeia.
Na sua entrevista televisiva na quinta-feira, Meloni referiu-se aos chamados “Anos de Chumbo” da Itália, entre 1969 e 1980, quando o país sofreu ataques da organização marxista radical, as Brigadas Vermelhas.
Vários ex-membros das Brigadas Vermelhas fugiram para França e o seu destino tornou-se um ponto de discórdia entre os dois países.
“As classes dominantes (devem refletir) sobre como lidar com um clima que poderia ter-nos feito retroceder algumas décadas, uma história bem conhecida pela Itália e pela França, que deu abrigo político às Brigadas Vermelhas”, disse Meloni.




