MINNEAPOLIS – Sentado em frente a um microfone dentro do Target Center na noite de segunda-feira, Quinten Post escolheu suas palavras com cuidado após a derrota dos Warriors por 108-83.
Post não deu sua opinião sobre o placar contra Rudy Gobert ou as 19 derrotas do time.
Não, nos últimos quatro dias ele e a equipe viveram em Minneapolis, o epicentro da guerra de imigração na América.
Post e seus companheiros de equipe observaram milhares de manifestantes marchando pelas ruas em temperaturas abaixo de zero em frente ao hotel de sua equipe no centro de Minneapolis, logo após a chegada do Golden State, na tarde de sexta-feira.
Ele estava preso no hotel no sábado, quando surgiu a notícia de que o jogo havia sido adiado depois que agentes federais de imigração atiraram e mataram Alex Pretti, e ele disputou a competição de domingo coberto por uma espessa mortalha.
Como cidadão holandês, ele não queria fingir ser um especialista na política jurídica americana.
Mas, como pessoa, seus sentimentos ficaram claros depois de alguns dias que ele chamou de “louco” em Minnesota.
“Não tenho formação suficiente sobre o assunto para dizer algo realmente inteligente sobre o assunto, mas algumas das coisas que vejo, de uma perspectiva humana, são inaceitáveis”, disse Post. “Ela parece uma bruxa lá fora.”
O técnico do Warriors, Steve Kerr, já havia falado longamente sobre a longa ocupação de Minneapolis pelo Departamento de Imigração e Alfândega, pedindo menos segregação e mostrando apoio à cidade durante o que ele chamou de uma série de eventos “surreais”.
Quando teve a chance de acrescentar suas ideias iniciais, Kerr o fez imediatamente após o jogo de segunda-feira. Como muitos americanos, ele leu sobre Liam Conejo Ramos, de 5 anos, sendo detido pelo pessoal da imigração enquanto estava na escola.
“Não estamos nos livrando de criminosos violentos”, disse Kerr. “Eles estão levando crianças de 5 anos e cidadãos dos EUA e detendo pessoas. A imigração é um problema que precisa ser resolvido, mas o Congresso precisa resolvê-lo, legislativamente, e não através da força militar nas ruas, tirando as pessoas de suas casas”.
A morte de Pretti chocou a comunidade de Minneapolis, com vários jogadores e treinadores descrevendo o “peso” da cidade que paira sobre o jogo de domingo.
Houve vários cantos e iconografia anti-ICE ao longo do jogo, tanto por fãs quanto por pelo menos dois membros da equipe de entretenimento do local.
O jogo de segunda-feira teve um tom diferente. Ainda havia algumas camisetas e cartazes “ICE OUT” flutuando pelo local, mas a energia no prédio parecia mais um jogo normal de basquete.
Talvez, como o armador do Warriors, Brandin Podziemski, ofereceu, a torcida tenha sido conquistada pela vitória sobre o Wolves, em vez da surra de 26 pontos que sofreu no dia anterior.
Seja qual for o motivo, os Warriors encerraram sua estadia de dois jogos e quatro dias em Minneapolis dando à torcida local algo para comemorar antes da partida do Golden State para Utah, onde o Jazz fica na quarta-feira.
“Foi uma loucura estar aqui quatro dias seguidos durante todos esses eventos, para ver tudo em primeira mão”, disse Kerr. “Fez sentido, muito triste, mas estou feliz por estarmos aqui e podermos ver as pessoas em Minneapolis e tentar ajudá-las a esquecer jogando alguns jogos de basquete. Mas obviamente vai demorar muito mais do que isso.”




