EXPLICAÇÃO
Um cessar-fogo mediado pelos EUA e o Irão, mediado pelo Paquistão, entrou em vigor, mas as disputas sobre o seu alcance estão a alimentar as tensões regionais.
Publicado em 10 de abril de 2026
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse ter ordenado às autoridades que iniciassem conversações diretas com o Líbano “o mais rápido possível”, citando pedidos de Beirute, já que as tensões permaneciam altas, apesar de um cessar-fogo regional mais amplo.
O Líbano declarou um dia de luto na quinta-feira depois que os ataques israelenses mataram pelo menos 200 pessoas e feriram mais de 1.000 em um dia. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que os ataques violaram o cessar-fogo EUA-Irão e advertiu que ameaçavam minar as negociações, acrescentando que Teerão não deixaria o Líbano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as tropas americanas permanecerão em torno do Irã até que um “acordo real” seja totalmente implementado, alertando para novos conflitos, caso contrário.
Aqui está o que sabemos:
No Irã
- Principais vítimas de liderança: Os iranianos realizaram manifestações em todo o país para homenagear o seu líder assassinado, Ali Khamenei. O ex-ministro das Relações Exteriores e chefe do Conselho de Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharrazi, morreu.
- O Irã pede alívio das sanções: Analistas dizem que Teerã pode usar sua influência sobre o Estreito de Ormuz para pressionar pelo levantamento das sanções e pelo retorno à economia global.
- Alex Vatanka, do Instituto do Médio Oriente, disse que o plano do Irão incluía o levantamento de sanções primárias e secundárias para permitir o investimento e o comércio estrangeiros: “Eles querem ser um país normal”, acrescentando que, embora Ormuz pudesse gerar receitas, não era um caminho sustentável.
- O líder do Irã emitiu uma nova mensagem: O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, disse na sua última mensagem escrita que a república islâmica não quer entrar em guerra com os EUA e Israel – mas protegerá os seus direitos como nação, informou a televisão estatal. Khamenei não é visto em público desde o assassinato do seu pai, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.
Diplomacia de guerra
- Situação do cessar-fogo EUA-Irã: Está em curso um cessar-fogo negociado pelo Paquistão entre os EUA e o Irão, mas o seu alcance preciso está a causar tensões regionais.
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Esforços diplomáticos em curso: O enviado principal da ONU, Jean Arnault, reuniu-se com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, em Teerão e visitou locais danificados por ataques recentes. Espera-se que ele continue as negociações no Paquistão.
- Paquistão sediará negociações EUA-Irã: O Paquistão, que ajudou a mediar o cessar-fogo, acolherá conversações entre os EUA e o Irão neste fim de semana. A segurança está reforçada antes da reunião em Islamabad.
- Conversações Israel-Libanesas planejadas em Washington: Espera-se que Israel e o Líbano mantenham conversações na próxima semana em Washington, disse um funcionário dos EUA na quinta-feira.
No Golfo
- Arábia Saudita diz que ataque iraniano atinge infraestrutura energética: O governo disse que um recente ataque iraniano matou uma pessoa e interrompeu a produção de petróleo. Um funcionário do Ministério da Energia disse à mídia local que os ataques tiveram como alvo instalações de petróleo e gás, plantas petroquímicas e infraestrutura energética, afetando a produção e as operações em Riade, na Província Oriental e em Yanbu.
- Impulso diplomático para estabilizar a região: Estão em curso esforços em todo o Golfo para conter os efeitos da guerra. O primeiro-ministro britânico visitou o Qatar, o Bahrein e a Arábia Saudita, e encontrou-se com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Keir Starmer enfatizou a necessidade de reabrir totalmente o Estreito de Ormuz e expressou apoio aos parceiros regionais.
Nos EUA
- Trump pede desescalada: Trump teria instado Israel a reduzir as suas operações no Líbano, dizendo ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para “diminuir o tom”.
- Trump alerta o Irã contra o número de vítimas de Ormuz: Trump alertou o Irã para não cobrar dos proprietários de navios a passagem pelo Estreito de Ormuz, dizendo que isso é inaceitável.
Em Israel
- Uma reação desenvolvida no norte de Israel: Netanyahu tem enfrentado críticas crescentes de comunidades no norte de Israel, onde os líderes locais dizem que se sentem abandonados. Os opositores argumentam que ele lançou um ataque ao Líbano sem resistência aparente. As preocupações com a segurança continuam elevadas, com sirenes de ataque aéreo soando em Haifa e cidades próximas após lançamentos de foguetes vindos do Líbano.
- A pressão internacional aumenta: Os apelos globais à contenção estão a crescer. O chefe da Organização Mundial da Saúde instou Israel a reverter a ameaça de evacuação que afetou os hospitais em Beirute que cuidam de centenas de pacientes. O ministro das Relações Exteriores do Canadá apelou a Israel para “respeitar a integridade territorial do Líbano”.
No Líbano e no Iraque
- Israel emite ordem de evacuação para Beirute: O exército israelita alertou os residentes dos subúrbios ao sul de Beirute, que é um reduto do grupo libanês Hezbollah, sobre um ataque iminente e apelou-lhes para que evacuassem as suas casas.
- O ataque continua à medida que o ataque ao solo avança: Os ataques aéreos continuaram com drones voando baixo sobre Beirute. As forças israelenses avançam para sitiar Bint Jbeil, uma cidade de 30 mil habitantes no sul do Líbano.
- Crescentes preocupações humanitárias: As instalações médicas no Líbano tratam centenas de pacientes e abrigam milhares de pessoas deslocadas.
- Netanyahu ameaça o Hezbollah: Netanyahu disse que Israel continuará a atacar o Hezbollah “quando necessário”. “Continuamos a atacar o Hezbollah com força, precisão e determinação”, disse o primeiro-ministro na sua conta pessoal no X.
- Ataques de drones atingiram instalações dos EUA no Iraque: O vice-secretário de Estado dos EUA convocou o embaixador iraquiano depois que um drone atingiu o principal local diplomático dos EUA em Bagdá.




