‘Testando’ um novo país
Angelica Angel, uma estudante ativista de 24 anos no exílio, compartilha esse anseio.
Ela cresceu na Venezuela sob gás lacrimogêneo e espancamentos policiais. Afinal, ele começou a protestar aos 15 anos.
“Eles apontaram suas armas para mim, me bateram e quase me prenderam. Quando você entende que essas pessoas não têm limites: elas têm como alvo os idosos, as mulheres e as jovens”, disse Angel.
Mas a crescente repressão política acabou por tornar insustentável a sua vida na cidade universitária de Mérida, no oeste da Venezuela.
Após a disputada eleição presidencial de 2024, Angel decidiu expressar sua indignação nas redes sociais.
Maduro assumiu o cargo para um terceiro mandato, apesar das evidências de que perdeu de forma esmagadora. A coligação da oposição recebeu mais de 80 por cento dos registos eleitorais do país, mostrando que o seu candidato, Edmundo González, tinha vencido a disputa.
Os protestos explodiram novamente e, mais uma vez, o governo Maduro respondeu com força.
Cerca de 2.000 pessoas, incluindo líderes da oposição, jornalistas e advogados de direitos humanos, foram detidas por autoridades militares e de segurança.
Quando Angel denunciou as prisões arbitrárias no TikTok, ela passou a receber ameaças diariamente.
Durante o dia, telefonemas anônimos alertavam sobre sua prisão iminente. Ao anoitecer, ela ouviu gangues pró-governo em motocicletas circulando em sua casa.
Temendo ser presa, ela fugiu para a Colômbia em agosto de 2024, deixando para trás sua família e amigos.
Mas viver fora da Venezuela deu-lhe uma nova perspectiva. Ela percebeu que as ameaças, o assédio e a violência com os quais aprendeu a conviver não eram incomuns num país democrático.
“Quando você sai, você percebe que não é normal ter medo da polícia, dos telefonemas desconhecidos”, disse Angel com a voz trêmula. “Tenho medo de voltar ao meu país e voltar à realidade.”
Angel acredita que para que os venezuelanos no exílio possam regressar em segurança, certos critérios devem ser cumpridos. O governo interino deve pôr fim às detenções arbitrárias e permitir o regresso dos membros da oposição que fugiram da Venezuela.
Só então, explicou ele, a Venezuela teria transmitido o legado de Maduro.
“O verdadeiro teste para saber se um novo país está a ser formado é se os exilados podem regressar”, disse ele.




