A polícia prendeu 12 manifestantes que desafiavam as restrições do governo para se reunirem nas margens do Tâmisa.
Publicado em 15 de março de 2026
Centenas de pessoas reuniram-se no centro de Londres para a manifestação anual do Dia de Al-Quds, uma demonstração internacional de solidariedade com os palestinianos que teve lugar este ano no meio de novas restrições abrangentes e de uma forte presença policial.
Multidões se reuniram no domingo ao longo do Albert Embankment, no rio Tâmisa, onde os manifestantes agitavam bandeiras palestinas, seguravam faixas e gritavam slogans – alguns carregando fotos do falecido líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto no início deste mês durante um ataque EUA-Israel ao Irã.
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A polícia prendeu 12 pessoas no evento, inclusive por apoiar uma organização proibida e por comportamento ameaçador ou abusivo.
Ouviram-se gritos de “do rio ao mar” e “Israel é um estado terrorista”. O Dia de Al-Quds deve o seu nome ao nome árabe de Jerusalém.
Mais de 1.000 policiais foram destacados para toda a região antes do que o Comissário Assistente da Polícia, Ade Adelekan, alertou sobre mais um “fim de semana difícil para a ordem pública”. As primeiras estimativas eram de que 12 mil pessoas poderiam comparecer, mas apenas algumas centenas compareceram.
A manifestação marcou a primeira vez em mais de uma década que as autoridades proibiram marchas pela capital.
A ministra do Interior, Shabana Mahmood, aprovou o pedido da Scotland Yard para a proibição de marchas durante um mês, citando a “situação volátil no Médio Oriente” e os riscos de desordem pública ligados a potenciais confrontos entre diferentes grupos de manifestantes.
Os organizadores da Comissão Islâmica de Direitos Humanos avançaram com uma manifestação “fixa” de protesto, dizendo aos seus apoiantes que o evento iria prosseguir de qualquer maneira.
O grupo acusou a polícia de Londres de “ceder à pressão do lobby sionista”.
‘Palavras têm efeitos’
O Dia de Al-Quds é realizado anualmente na última sexta-feira do Ramadã, com manifestações realizadas em todo o mundo em solidariedade aos palestinos e contra a ocupação dos territórios palestinos por Israel. O domingo foi realizado em Londres, pois sexta-feira era um dia normal de trabalho.
A polícia alertou os manifestantes que slogans de “intifada” e demonstrações de apoio a grupos proibidos levariam a prisões, com Adelekan dizendo que “estas palavras têm consequências”.
Na margem oposta, um pequeno protesto organizado pela Stop the Hate e pela Guarda Leão do Irão atraiu dissidentes iranianos e outros que se opõem à República Islâmica, alguns agitando bandeiras israelitas.
A Scotland Yard usou o rio Tâmisa como barreira física, barcos da polícia patrulharam a água e a ponte Lambeth foi fechada para separar os dois lados.
Ambas as manifestações limitaram-se ao troço entre as pontes Vauxhall e Lambeth e só foram permitidas entre as 13h00 e as 15h00.
Ambas as manifestações terminaram às 15h00, com a polícia a dizer que o plano de segurança funcionou e nenhum dos lados tentou violar os termos marchando.






