Os líderes da Europa e de todo o mundo instaram ambos os lados no sábado a imporem contenção depois de os Estados Unidos e Israel terem lançado um grande ataque ao Irão, embora algumas autoridades tenham apoiado a campanha liderada pelos EUA.
O presidente Donald Trump disse que o ataque pretendia pôr fim ao programa nuclear do Irão e levar a uma mudança de governo, depois de várias rondas de conversações nucleares com os dois lados não terem conseguido chegar a um acordo. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão apelou ao Conselho de Segurança da ONU para “tomar medidas imediatas para resolver a violação da paz e segurança internacionais”.
Aqui está o que outros governos estão dizendo:
— Grã-Bretanha: O governo britânico disse que não participou nas greves e “não queria envolver-se num conflito regional mais amplo”. Acrescentou que tinha recentemente melhorado as suas capacidades de defesa no Médio Oriente e que a segurança dos cidadãos britânicos na região era a sua prioridade imediata. “O Irão deve poder desenvolver uma arma nuclear e é por isso que continuamos a apoiar os esforços para alcançar uma solução negociada”, afirmou o governo num comunicado.
— Alemanha: Um porta-voz do governo disse em comunicado que Israel informou a Alemanha antes dos ataques. O chanceler Friedrich Merz está “monitorando de perto o desenvolvimento e em estreita cooperação com os parceiros europeus”, disse o comunicado. Merz deverá se reunir com Trump em Washington na próxima semana.
— França: O presidente Emmanuel Macron apelou ao fim dos ataques e convocou uma reunião do Conselho de Segurança. Ele também escreveu que a liderança do Irão “deve perceber que agora não tem outra escolha senão negociar de boa fé” em relação ao seu programa nuclear, e acrescentou que o povo iraniano “deve também ser capaz de construir livremente o seu futuro”.
— Austrália: O primeiro-ministro Anthony Albanese estava entre os poucos líderes que não defenderam publicamente a contenção. “Apoiamos os Estados Unidos a agir para impedir que o Irão obtenha uma arma nuclear e para impedir que o Irão continue a ameaçar a paz e a segurança internacionais”, disse ele num comunicado. Ele disse que o Irã tem sido uma “força desestabilizadora” há anos e citou dois ataques terroristas recentes na Austrália que o governo disse terem sido ordenados pelos militares iranianos.
— Canadá: O primeiro-ministro Mark Carney e a sua ministra dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, apoiaram a medida dos EUA. “O Canadá apoia os Estados Unidos a agirem para impedir que o Irão obtenha uma arma nuclear e para evitar que o seu regime ameace ainda mais a paz e a segurança internacionais”, afirmaram num comunicado.
— A União Europeia: Kaja Kallas, a principal diplomata da UE, disse que conversou com o ministro das Relações Exteriores de Israel e outras autoridades na região e que estava “coordenando estreitamente com os parceiros árabes para explorar caminhos diplomáticos”. A chefe do executivo da UE, Ursula von der Leyen, e o seu chefe político, Antonio Costa, escreveram numa declaração conjunta que era vital “prevenir quaisquer ações que pudessem aumentar ainda mais as tensões ou minar o regime global de não proliferação”.
— Espanha: O primeiro-ministro Pedro Sánchez condenou os ataques perpetrados pelos Estados Unidos e Israel, chamando-os de “uma escalada”. Ele também criticou o governo iraniano. “Não podemos permitir-nos outra guerra longa e desastrosa no Médio Oriente”, escreveu ele.
— Suécia: O primeiro-ministro Ulf Kristersson apelou à moderação, mas também criticou o Irão por matar os seus próprios cidadãos, numa aparente referência aos protestos de Janeiro que foram violentamente reprimidos pelo governo. Ele disse que o apoio do Irã a grupos terroristas tem sido “desestabilizador” há muito tempo e que o país nunca deveria ser autorizado a desenvolver armas nucleares.
— Líbano: Os melhores líderes pediram a todas as partes que dessem prioridade aos interesses dos cidadãos do Irão. As observações pareciam ser dirigidas ao grupo militante libanês Hezbollah, em meio a dúvidas sobre se a enfraquecida organização apoiada pelo Irã poderia tentar entrar no conflito para apoiar o Irã.
— Arábia Saudita: A Arábia Saudita classificou os relatos de ataques retaliatórios do Irão contra nações árabes, incluindo o Bahrein, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos, uma “violação clara” da sua soberania nacional. “A Arábia Saudita confirma a sua total solidariedade e apoio a estas nações irmãs, comprometendo-se com todos os seus recursos para ajudá-las em quaisquer medidas que tomem”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado nas redes sociais.
— Suíça: O governo disse estar “com muito medo” das greves. Ele apelou ao “pleno respeito pelo direito internacional” e instou todas as partes a “exercerem a máxima contenção” e protegerem os civis.
— Malásia: O primeiro-ministro Anwar Ibrahim disse nas redes sociais que os ataques levaram o Médio Oriente ao desastre. “Exorto os Estados Unidos e o Irão a prosseguirem uma saída diplomática em vez de uma nova escalada, e à comunidade internacional a agir urgentemente e sem padrões duplos”, disse ele.
— Indonésia: O Ministério das Relações Exteriores disse nas redes sociais que “lamenta profundamente o fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irã”. O presidente indonésio, Prabowo Subianto, está pronto e disposto a viajar ao Irão para “facilitar o diálogo para restaurar uma situação de segurança favorável”, afirmou o comunicado.
— China: O Ministério das Relações Exteriores da China disse nas redes sociais que Pequim estava “profundamente preocupada” com os ataques. “A soberania, a segurança e a integridade territorial do Irão devem ser respeitadas”, afirmou o ministério.
— Turquia: O Ministério das Relações Exteriores disse nas redes sociais que desejava que “todas as partes parassem os ataques imediatamente”. A agência sublinhou que “as questões regionais devem ser resolvidas através de meios pacíficos”, acrescentando que estava pronta para mediar o fim da violência.
— Cuba: O presidente Miguel Díaz-Canel condenou os ataques, dizendo que eram “uma violação significativa do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”. Díaz-Canel disse nas redes sociais que “a comunidade internacional deve agir imediatamente para parar este ataque e escalada”.
Este artigo foi publicado originalmente no New York Times.





