A demissão injusta de Abrego Garcia em 2025 gerou críticas à campanha de deportação em massa do governo Trump.
Publicado em 8 de abril de 2026
O governo dos Estados Unidos confirmou a sua posição de que planeia deportar o imigrante salvadorenho Kilmar Abrego Garcia para a Libéria, apesar dos argumentos de que fazê-lo seria uma retaliação.
Na terça-feira, os advogados da administração do presidente Donald Trump disseram à juíza federal dos EUA, Paula Xinis, que continua comprometida com a Libéria como destino.
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Abrego Garcia, porém, disse que se for deportado, preferiria ser enviado para a Costa Rica, e o governo de lá indicou que o aceitará.
Mas a insistência da administração Trump em enviar Abrego Garcia para África levantou questões sobre os seus motivos.
Os críticos acusaram o governo dos EUA de procurar vingança contra Abrego Garcia, cujo caso levou a um exame minucioso da legalidade da campanha de deportação em massa de Trump.
O caso começou com um erro de grande repercussão. Em março de 2025, menos de três meses após o início do segundo mandato de Trump, Abrego Garcia foi injustamente deportado para o seu país natal, El Salvador, em violação de uma ordem de proteção de 2019 que determinava que ele poderia enfrentar violência de gangues se regressasse ao país.
A administração Trump, na época, descreveu a destituição de Abrego Garcia como um “erro administrativo”.
No entanto, inicialmente recusou-se a pedir-lhe o regresso, argumentando que Abrego Garcia era membro do grupo e, quando no estrangeiro, estava sujeito à liderança de El Salvador. Abrego Garcia, porém, não tinha antecedentes criminais no momento de sua deportação.
Abrego Garcia foi preso, primeiro no Centro de Terrorismo de El Salvador (CECOT) e depois numa segunda prisão em Santa Ana, El Salvador.
Entretanto, advogados nos EUA recorreram aos tribunais norte-americanos para anular a sua deportação.
No início de Abril de 2025, o juiz Xinis decidiu que o governo dos EUA deveria “facilitar” o regresso de Abrego Garcia ao país e, no final desse mês, o Supremo Tribunal dos EUA manteve a sua decisão numa decisão unânime.
Mas só em junho de 2025 Abrego Garcia foi trazido de volta aos EUA. Ao anunciar o regresso de Abrego Garcia, a administração Trump revelou que iria apresentar acusações criminais contra ele por tráfico de seres humanos.
Ele se declarou inocente, mas teve que permanecer na prisão. A administração Trump considerou-o um risco de fuga, e os seus próprios advogados temem que sair da sua cela o leve à detenção de imigração.
Quando o tribunal ordenou a sua libertação em Agosto, foi o que aconteceu: os agentes de imigração levaram-no novamente sob custódia em poucos dias.
As autoridades da altura disseram que o enviariam para o Uganda. Mais tarde, mudaram o destino proposto para a Libéria.
Abrego Garcia foi finalmente libertado da detenção de imigração em dezembro, mas continua a lutar tanto contra as acusações criminais como contra o processo de deportação.
Na audiência de terça-feira, o juiz Xinis questionou por que a administração Trump não considerou deportar Abrego Garcia para a Costa Rica em vez da Libéria.
Ele ressaltou que o país assinou recentemente um acordo para aceitar 25 remoções dos EUA por semana.
Em resposta, Ernesto Molina, diretor do Escritório de Contencioso de Imigração do Departamento de Justiça, sugeriu que Abrego Garcia poderia “extraditar-se” para a Costa Rica.
Mas Xinis chamou a proposta de “fantasia” e afirmou que não poderia sair enquanto o Departamento de Justiça o indiciasse por acusações criminais. Ele foi legalmente obrigado a comparecer ao julgamento criminal.
Após a tensa conversa, Xinis marcou outra audiência sobre o assunto para 28 de abril.





