O presidente dos EUA, Donald Trump, deverá visitar a China no final deste mês e reunir-se com o seu homólogo Xi Jinping, numa cimeira que enfrenta agora o calor da guerra de Washington com o Irão.
É da questão do Estreito de Ormuz que o republicano quer sair e está a aproveitar a sua visita da China para pressionar Pequim a ajudá-lo nesta questão.
Trump ameaçou adiar a sua reunião com Xi Jinping se Pequim não ajudar a proteger o Estreito de Ormuz, numa altura em que a guerra EUA-Israel com o Irão sufoca os embarques de petróleo e prejudica as relações entre as maiores economias do mundo.
Numa entrevista ao Financial Times, o presidente dos EUA pediu mais uma vez a Pequim que ajudasse a bloquear a principal via navegável. Um dia antes, o líder republicano apelou à China para se juntar a uma equipa para enviar navios para o estreito, por onde flui um quinto do petróleo mundial.
“É justo que as pessoas que são beneficiárias do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, disse Trump em entrevista ao FT no domingo.
A sua visita a Pequim já deveria ter sido feita há muito tempo, acrescentou Trump, sublinhando a sua crescente urgência sobre os esforços para combater a agressão iraniana no Estreito.
Washington disse que Trump visitará a China de 31 de março a 2 de abril, embora Pequim ainda não tenha confirmado as datas, como é a sua prática habitual.
A resposta da China
Embora a China não tenha dado qualquer resposta oficial ao pedido de ajuda no Estreito de Ormuz, o jornal estatal Global Times rejeitou a ideia como uma tentativa de Trump de espalhar o risco de “uma guerra que Washington começou e não pode terminar”. Um comentário de tablóides nacionalistas publicado na noite de domingo explicou por que Pequim não assinou a proposta.
“Administrar uma hidrovia instável com navios de guerra de diferentes países não cria segurança. Cria pontos de conflito. Se um único navio for atingido, as consequências podem rapidamente ficar fora do controle de qualquer pessoa.” Esta é uma “transferência de risco cuidadosamente estruturada”.
Haverá uma reunião Trump-Xi?
Os líderes comerciais da China e dos EUA reúnem-se em Paris para dar início à cimeira Trump-Xi, com negociações marcadas para serem retomadas na segunda-feira. Funcionários da administração Trump também disseram que estão a trabalhar com aliados, incluindo o Reino Unido, a Coreia do Sul e o Japão, para proteger o estreito, embora a maioria dos países tenha até agora alertado contra o envio de recursos para uma zona de guerra activa.
Pequim disse na segunda-feira que está negociando com Washington a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, este mês.
“A China e os Estados Unidos continuarão a comunicar sobre a visita do presidente Trump à China”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, numa conferência de imprensa, ignorando a recente pressão de Trump sobre os aliados da NATO e a China para ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz.
As autoridades chinesas condenaram até agora a guerra de Trump contra o Irão – amigo diplomático de Pequim – e é pouco provável que enviem os navios de volta, em parte porque alguns dos carregamentos para a China parecem estar desaparecidos. Embora a China seja o maior utilizador de petróleo que atravessa o estreito, também possui reservas enormes que ajudam a compensar quaisquer perturbações.
Trump tem um histórico de ameaças de anular acordos nas fases finais das negociações, uma medida que utilizou para ganhar vantagem. O líder dos EUA fez uma ameaça semelhante semanas antes de uma reunião planeada para Outubro com Xi, que deveria ser acompanhada por fortes aumentos tarifários. Essa reunião acabou por avançar e alargar o acordo de guerra comercial, que manteria as tarifas de ambos os lados e garantiria o fluxo de minerais essenciais.
Atrasar a cimeira pode agradar a Pequim. A China já havia sugerido que Trump chegasse no final de abril para lhe dar mais tempo para se preparar, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. Um tal adiamento permite a consideração de questões diplomáticas e de segurança, incluindo o autogoverno de Taiwan, que ainda não teve um lugar de destaque na agenda de planeamento.



