A cara do preso quando sua esposa veio visitá-lo e lhe disse que o homem responsável por sua prisão estava atrás das grades: o líder venezuelano deposto Nicolás Maduro.
Tal como vários familiares de outros prisioneiros, a mulher, que pediu para ser identificada apenas como M., por temer pela segurança do marido, depois de o governo interino ter prometido libertar os dissidentes presos após a captura de Maduro pelas forças norte-americanas.
Desde o anúncio de quinta-feira, menos de 20 pessoas foram libertadas, mas sexta-feira era dia de visitas regulares, por isso M. conseguiu entrar para ver o marido.
“Aquele que deveria estar preso está preso agora”, disse ele cautelosamente, referindo-se a Maduro, que foi capturado em um ataque mortal nos EUA há uma semana e levado a Nova York para ser julgado por acusações de drogas e armas.
Do outro lado do vidro que separa os presos dos convidados, disse M., o marido “sorriu alegremente”.
“Não tenha medo, minha querida, o pior já passou”, ele a desafiou enquanto os guardas armados observavam.
M. mais cauteloso A liderança autoritária de esquerda da Venezuela recusou-se a libertar prisioneiros no passado.
“Eu disse a ele para ir com calma porque nunca se sabe”, disse ele.
“Estamos tão perto, mas ainda assim.”
– Alegria pela queda de Maduro –
Durante anos, os presos políticos e as suas famílias evitaram discutir as notícias durante curtas visitas semanais, que são rigidamente controladas por guardas armados.
Esse código foi violado no fim de semana, depois de o governo ter anunciado que libertaria “um grande número” de prisioneiros, num aparente gesto para apaziguar Washington.
Na sexta-feira, o primeiro dia de visitas desde a deposição de Maduro, as famílias partilharam a notícia tanto quanto possível, usando linguagem simbólica e metáforas, sobre a partida do líder deposto e a promessa de libertar prisioneiros.
Os presos ficaram felizes com a notícia, mas lá fora seus parentes estavam tensos na manhã de sábado, com medo de que os guardas punissem os presos por comemorarem.
“Nunca se sabe se eles foram espancados ou jogados em uma máquina do tempo”, disse a irmã de outro preso, referindo-se à cela de castigo usada na prisão.
“Lá eles os mantêm nus, algemados, cobertos por dias ou semanas, com pouquíssima comida, no escuro, sem ventilação”, disse.
Assim como outros parentes fora da prisão, ele pediu para não ser identificado por medo.
Um homem cujo cunhado está preso há mais de cinco anos alertou: “É preciso ter calma e paciência” enquanto espera a libertação dos presos.
“Eles vão sair, mas não da maneira que as pessoas pensam. Não é como se eles fossem abrir os portões como uma corrida de touros”.
– Recepção hostil –
No sábado, as visitas familiares continuaram normalmente, mas em grupos menores.
Às 19h, os familiares trouxeram pacotes: desodorante, pasta de dente, sabonete e xampu em sacos plásticos, além de desinfetantes e água sanitária para manter a higiene nos banheiros das pequenas celas.
Os familiares visitantes, que deveriam estar vestidos de branco, se revezaram na caminhada até a entrada do complexo penitenciário de Guatir, 50 quilômetros a leste de Caracas.
A mãe dos dois detidos disse: “Eles nos cobriram e nos revistaram, como sempre”.
“Senti que eles estão mais hostis hoje. Devem estar zangados”, acrescentou a esposa de outro prisioneiro.
Alguns presos disseram aos visitantes que podiam ouvir o hino nacional e canções de famílias que estavam de guarda nas proximidades nas últimas duas noites.
“Temos que continuar. Isso lhes dá força”, disse uma jovem que chegou na tarde de quinta-feira.
Outra mulher disse que parecia magra quando o marido a viu dentro de casa.
“Ele teve diarreia durante dois dias. Achamos que colocaram alguma coisa na comida”, disse ele.
“Quem sabe? Eles podem envenená-los.”
Outro parente a interrompeu. “Você tem que ter fé”, disse ele. “É só uma questão de tempo.”
pr/rlp/msp
Esta matéria foi criada a partir do feed automático da agência de notícias sem nenhuma alteração no texto.






