por Alida Moreno
CIDADE DO PANAMÁ (Reuters) – O presidente do Panamá, José Raul Molino, disse nesta quinta-feira que a concessão de contratos para operar dois portos mantidos e operados por quase três décadas pela CK Hutchison Holdings de Hong Kong “nunca mais será emitida” para uma única empresa.
O Supremo Tribunal do Panamá anulou na semana passada o contrato da CK Hutchison para operar dois portos ao longo do seu canal estratégico através da sua subsidiária Panama Ports Company, decidindo que os contratos violavam a constituição do país centro-americano ao concederem à empresa privilégios exclusivos e isenções fiscais.
“Não espero que esta situação se agrave”, disse Molino, declarando final a decisão do tribunal. “O Panamá é um país respeitável e não se permitirá ser ameaçado por nenhum país do planeta.”
Na terça-feira, a China alertou o Panamá que haveria “preços elevados” a pagar pela decisão do tribunal que o Ministério dos Assuntos de Hong Kong e Macau da China classificou de “absurda” e “vergonhosa e patética”. Eles prometeram proteger os interesses das empresas chinesas.
Molino acrescentou que não está claro quando o veredicto será aplicado. Enquanto isso, a Panama Ports Company continuará a operar ambos os portos, disse ele.
“O estado do Panamá decide o plano de concessão que será dado muito mais tarde”, acrescentou.
Na quarta-feira, CK Hutchison disse que a unidade de Portos do Panamá da empresa iniciou um processo de arbitragem internacional contra o Panamá, num caso que pode levar anos para ser resolvido.
A decisão e a decisão de recorrer à arbitragem levantam mais dúvidas sobre a futura propriedade dos dois portos e o acordo planeado de 23 mil milhões de dólares da empresa para vender o seu negócio portuário.
(Reportagem de Alida Moreno na Cidade do Panamá e Raul Cortes na Cidade do México; escrito por Stephanie Eschenbacher; editado por Dana Beth Solomon e Matthew Lewis)


