Como poderá ser o acordo EUA-Europa para manter a paz na Gronelândia, à medida que Trump suaviza

Depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito na quarta-feira que os EUA não usariam a força militar para assumir o controlo da Gronelândia, os países da NATO e os EUA estão agora a trabalhar num acordo-quadro para a segurança da região.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, disse que o acordo exige que os membros deste acordo reforcem a segurança do Ártico. (AFP)

Trump, que se reuniu com o chefe da NATO, Mark Rutte, em Davos, também cancelou a ameaça de tarifas sobre oito países europeus, incluindo a Grã-Bretanha.

O que sabemos sobre o quadro da Groenlândia?

Trump disse que havia uma “estrutura para um futuro acordo sobre a Groenlândia”, recuando de suas ameaças anteriores de tarifas e de uma tomada militar do território insular controlado pelos dinamarqueses.

Na quinta-feira, o presidente dos EUA disse à Fox News: “Neste momento estão realmente a ser negociados os detalhes. Mas basicamente é o acesso total. Não é um fim, não há limite de tempo”. O anúncio foi feito quarta-feira na plataforma Truth Social, após o seu discurso no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça.

“Com base numa reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, desenvolvemos um quadro para um futuro acordo sobre a Gronelândia”, disse Trump, acrescentando que uma resolução para a questão seria “um grande passo” para os EUA e todos os aliados da NATO.

De acordo com responsáveis ​​anónimos citados pelo New York Times, uma ideia que está a ser discutida é dar à Dinamarca soberania sobre pequenas áreas da Gronelândia onde os EUA constroem bases, semelhante ao modelo do Reino Unido.

Entretanto, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, disse à Reuters que o acordo exige que os membros da aliança tomem medidas para garantir a segurança do Árctico, acrescentando que os primeiros resultados deste trabalho serão vistos dentro de um ano.

Rutte disse que cabe agora aos comandantes da OTAN discutir os detalhes dos requisitos de segurança adicionais, acrescentando que os aliados não pertencentes à OTAN também querem contribuir para o esforço.

“Estamos nos reunindo na OTAN com nossos principais comandantes para fazer o que precisa ser feito”, disse Rutte à Reuters no FEM em Davos.

“Não tenho dúvidas de que podemos fazê-lo muito rapidamente. É claro que espero em 2026, espero, mesmo no início de 2026”, disse o chefe da NATO, acrescentando que a mineração não foi discutida na sua reunião com Trump.

O que disseram a Dinamarca e a Groenlândia?

O vice-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, disse após negociações sobre um possível acordo-quadro que doar qualquer uma de suas terras seria “inaceitável”, informou a AFP.

“Não importa o quanto os outros nos pressionem, o nosso país não será entregue e o nosso futuro não será desperdiçado”, disse Egede. “Esta é a nossa terra – nós moldamos o seu futuro”, acrescentou o vice-primeiro-ministro.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que o seu país não pode negociar sobre a sua soberania.

Frederiksen disse que a segurança do Ártico é uma questão de toda a OTAN e é “bom e natural” que seja discutida entre o presidente dos EUA, Trump, e o secretário-geral da OTAN, Rutte. O primeiro-ministro dinamarquês disse que a NATO está plenamente ciente da posição da Dinamarca e que tudo o que é político, incluindo segurança, investimento e questões económicas, pode ser discutido, escreve a Associated Press.

Frederiksen disse que a Dinamarca participará num diálogo construtivo sobre a segurança do Árctico, desde que seja feito com respeito pela nossa integridade territorial. “…é claro que apenas a Dinamarca e a Gronelândia podem chegar a um acordo sobre questões relacionadas com a Dinamarca e a Gronelândia”, disse o primeiro-ministro dinamarquês.

Entretanto, Aaya Chemnitz, representante da Gronelândia no parlamento dinamarquês, disse que nada pode ser resolvido sem a intervenção da Gronelândia. “A OTAN não tem de forma alguma autoridade exclusiva para negociar sem nós da Groenlândia”, disse Chemnitz, citado pela Reuters.

Link da fonte

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui