por Eduardo Baptista
PEQUIM (Reuters) – O Ministério do Comércio da China levantou neste sábado a possibilidade de outra crise global na cadeia de fornecimento de semicondutores devido a “novos confrontos” entre a fabricante holandesa de chips Nexperia e sua subsidiária chinesa.
A produção na indústria automobilística global foi interrompida em outubro, quando Pequim impôs controles de exportação aos chips Nexperia fabricados na China, depois que Haia confiscou a empresa de sua controladora chinesa Wingtech. Os chips da Nexperia são amplamente utilizados em sistemas eletrônicos automotivos.
Embora a escassez de chips tenha diminuído após negociações diplomáticas, o conflito entre a sede holandesa da Nexperia e a unidade baseada na China apenas se intensificou, com a primeira defendendo a remoção do controle da Wingtech e a última exigindo que ele fosse restaurado.
O alerta de Pequim no sábado ocorreu um dia depois de o braço chinês de embalagens da Nexperia ter acusado a sede holandesa de desativar contas de escritório para todos os funcionários na China.
“(Isso) provocou novas disputas e criou novas dificuldades e obstáculos para as negociações (empresa a empresa)”, afirmou o Ministério do Comércio da China num comunicado publicado no seu site oficial.
“A Nexperia Holland perturbou seriamente a produção e as operações normais da empresa, e se isso causar novamente uma crise global na fabricação de semicondutores e na cadeia de fornecimento, a Holanda deve assumir total responsabilidade por isso”, acrescentou o ministério.
Num comunicado divulgado na sexta-feira, a entidade holandesa da Nexperia não negou a ação de TI, mas contestou a alegação da subsidiária chinesa de que esta afetou a produção nas instalações de montagem e testes da empresa na província chinesa de Guangdong.
A subsidiária chinesa da Nexperia respondeu à aquisição da Wingtech em Setembro, declarando-se independente da sua empresa-mãe holandesa. Desde então, as duas entidades trocaram acusações de negociações de má-fé, enquanto a sede holandesa suspendeu o fornecimento de wafers à fábrica de Guangdong.
Os esforços de Pequim, Haia e Bruxelas para levar os dois países a uma decisão publicitada pouco fizeram para resolver o impasse.
Pequim acusou Haia de não fazer o suficiente para forçar um acordo com a sede da Nexperia na Holanda, ou encerrar o processo judicial em Amsterdã que transferiu as ações da Wingtech para um advogado holandês em outubro.
(Reportagem de Eduardo Baptista; edição de Jan Harvey)


