Fernando Cardoso, Ricardo Brito e Luciana Magalhães
SÃO PAULO/BRASIL, – O governo brasileiro condenou neste sábado o ataque militar dos EUA à Venezuela e a prisão de seu líder como cruzando uma “linha aceitável”, enquanto as autoridades brasileiras monitoravam de perto qualquer movimento incomum de refugiados ao longo da fronteira com seu vizinho.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em mensagem na Página X: “Essas ações são uma grave afronta à independência da Venezuela e outro precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
Ele também pediu a resposta “mais forte” das Nações Unidas, acrescentando que o Brasil continua aberto ao diálogo e à cooperação.
No início do sábado, os EUA invadiram a Venezuela e depuseram o presidente Nicolás Maduro, a primeira intervenção direta de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989.
O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou-a como uma das operações militares de maior sucesso na história dos EUA.
“Esta foi uma das demonstrações mais espetaculares, eficazes e poderosas do poder e autoridade militar americano na história americana”, disse Trump aos repórteres no seu resort em Mar-a-Lago.
As autoridades brasileiras realizaram uma reunião de gabinete de emergência no sábado para discutir a situação, com um possível aumento no influxo de refugiados venezuelanos através da fronteira entre as principais questões.
Lula, que estava fora da capital brasileira devido às festas de fim de ano, compareceu efetivamente à reunião.
Num comunicado divulgado posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse que não houve nenhum movimento incomum ao longo da fronteira, que é um dos principais pontos de passagem para refugiados venezuelanos na região e onde o Brasil opera desde 2018 para ajudá-los.
No ano passado, o governo brasileiro informou que o Brasil acolheu mais de 150 mil venezuelanos durante esse período.
O governador de Roraima, Antonio Denarium, disse à Reuters em uma entrevista que os estados de Roraima e Amazonas, no norte, são os únicos estados brasileiros que fazem fronteira com a Venezuela, e mais de 70% dos refugiados passam pelos primeiros.
Ele disse que embora a fronteira esteja aberta, a Venezuela impede a saída de seus cidadãos e os brasileiros atravessam sem restrições. A Reuters não conseguiu confirmar imediatamente a situação na passagem de fronteira nem entrar em contato com o governo venezuelano para comentar.
O Itamaraty também enfatizou que Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores, conversou com seu homólogo venezuelano no sábado. Não forneceu mais detalhes.
Lula já havia dito que uma intervenção armada na Venezuela seria um “desastre humanitário” e ofereceu repetidamente ao Brasil a mediação de disputas entre os dois países.
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