Por Joe Cash e Xuhao Chen
PEQUIM (Reuters) – A atividade industrial da China aumentou inesperadamente em dezembro, quebrando um recorde de oito meses consecutivos de declínio, impulsionado por um aumento nas encomendas antes do feriado, enquanto as autoridades buscam estimular o setor manufatureiro da economia de 19 trilhões de dólares sem piorar a deflação.
O índice oficial de gerentes de compras (PMI) subiu para 50,1 em dezembro, de 49,2 em novembro, mostrou uma pesquisa do Bureau of National Statistics nesta quarta-feira, superando a marca de 50 pontos que separa o crescimento da contração e superando a previsão de 49,2 em uma pesquisa da Reuters.
“Assumindo que a melhoria no PMI se reflete nos dados concretos, pensamos que será provavelmente uma recuperação de curta duração na atividade, no meio de flutuações mensais nos gastos fiscais, em vez do início de um aumento mais sustentado”, disse Julian Evans-Pritchard, chefe de economia da China na Capital Economics.
“O quadro geral é que os ventos estruturais contrários à crise imobiliária e ao excesso de capacidade industrial deverão continuar em 2026”, acrescentou.
Ainda assim, os dados devem dar aos decisores políticos motivos para otimismo, depois de terem optado por ver 2025 sem grandes estímulos adicionais para cumprir a meta de crescimento anual de cerca de 5%.
O subíndice de manufatura saltou para 51,7, de 50,0 em novembro, enquanto as novas encomendas subiram para 50,8, de 49,2, marcando seu desempenho mais forte desde março. Os prazos de entrega dos fornecedores também melhoraram, empurrando o componente de expectativas de produção e atividade para 55,5, sua leitura mais alta desde março de 2024.
As novas encomendas de exportação permaneceram lentas, no entanto, subindo para 49,0 face aos 47,6 de Novembro, sublinhando a necessidade de as autoridades impulsionarem a procura interna e dependerem menos da procura dos EUA, o principal mercado consumidor do mundo, face às tarifas do presidente Donald Trump.
Huo Lihui, estatístico do DNE, disse que a confiança parece estar melhorando devido ao acúmulo de estoques antes do feriado, enquanto a segunda maior economia do mundo se prepara para celebrar o Ano Novo Lunar em fevereiro, apontando para uma recuperação nos setores de agricultura, processamento de alimentos e alimentos e bebidas.
Um PMI separado do sector privado divulgado na quarta-feira também mostrou uma expansão marginal na actividade em Dezembro, impulsionada pela produção industrial mais forte e pela procura interna na ausência de mais encomendas externas.
A demanda interna é reprimida
Contudo, aumentar a produção interna sem tomar novas medidas para aumentar a procura dos consumidores poderá exacerbar as pressões deflacionistas.
Em dados separados divulgados na semana passada, as empresas industriais chinesas viram os seus lucros cair 13,1% em relação ao ano anterior, em Novembro, a queda mais acentuada em mais de um ano, sugerindo que as famílias não estão a intervir para compensar o défice, uma vez que a desaceleração da economia global pesa sobre as exportações.

