O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou na sexta-feira que seu país enfrentava um dos momentos mais difíceis de sua história. Zelensky disse que o plano dos EUA forçaria a Ucrânia a escolher entre perder a sua “honra” ou perder um aliado importante.
Pressão do plano de paz dos EUA
A proposta dos EUA tem 28 pontos e insta a Ucrânia a ceder território, reduzir o seu exército e prometer não aderir à NATO em troca do fim da guerra. Estas exigências são consistentes com as condições de longa data da Rússia para pôr fim ao conflito.
Como afirmou a reportagem do Times Now, Zelensky disse: “A pressão na Ucrânia é agora a mais intensa… ou a perda de dignidade, ou a possibilidade de perder um parceiro importante, ou 28 pontos difíceis, ou um inverno extremamente rigoroso”. Zelensky acrescentou que a Ucrânia “agiria com calma” e alcançaria uma solução com os EUA e os seus parceiros. Ele discutiu o plano dos EUA com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, na sexta-feira.
Depois de tomarem conhecimento do plano, muitos líderes europeus apoiaram publicamente a Ucrânia, dizendo que a Ucrânia não deveria ser deixada de fora das decisões sobre o seu próprio futuro. Entretanto, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que um documento oficial ainda não foi partilhado com os EUA.
O chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, realizaram uma teleconferência conjunta na sexta-feira, informou a assessoria de imprensa do governo alemão. Concordaram em proteger os interesses europeus e ucranianos a longo prazo. Qualquer acordo deve usar a atual linha de contacto como base e manter força suficiente para proteger a soberania da Ucrânia, disse ela. A posição entra em conflito com o plano dos EUA de pedir aos militares ucranianos que se retirem de partes do seu próprio território.
O que significa o plano de paz?
O projeto de proposta de Trump é semelhante às duras exigências feitas pela Rússia durante as negociações de paz de 2022 em Istambul. A Ucrânia deve retirar-se das partes do leste de Donetsk que ainda controla. Uma zona tampão neutra e desmilitarizada será criada e reconhecida como território russo, informa o Times Now. Crimeia, Luhansk e Donetsk serão reconhecidos como “verdadeiros russos, incluindo os Estados Unidos”.
A Ucrânia deve garantir que não aderirá à NATO, e a NATO não pode estacionar tropas na Ucrânia. As forças armadas da Ucrânia serão limitadas a 600.000 efetivos. A Ucrânia deve realizar eleições dentro de 100 dias. Em troca, as sanções contra a Rússia seriam levantadas, a Rússia voltaria a integrar a economia global e poderia regressar ao G8.
As respostas de Trump e Zelensky
Trump disse que o presidente russo, Vladimir Putin, “não estava procurando por mais guerra” e estava “recebendo punição”, entrevista à Fox News. Zelenskiy disse que as negociações continuariam, mas a soberania da Ucrânia não seria abandonada. Zelensky acrescentou que “apresentarei argumentos, persuadirei, oferecerei alternativas…” e que a Rússia não poderá alegar que a Ucrânia está a bloquear a paz.
Perguntas frequentes
Q1. Qual é o novo plano de Trump na Ucrânia?
O plano de Trump é uma proposta de 28 pontos que apela à Ucrânia para ceder terras, limitar a sua presença militar e retirar-se da NATO em troca do fim da guerra.
Q2. Por que Zelensky está preocupado com a proposta dos EUA?
Zelensky teme que o plano possa custar prestígio à Ucrânia e um aliado importante, já que exige grandes concessões da Rússia.




