O texto assinala os 10 anos do Acordo de Paris e procura revigorar os esforços para acelerar a sua implementação. Isto ocorreu após uma consulta de uma semana liderada pelo Presidente Brasil para resolver quatro propostas apresentadas para inclusão na agenda formal.
As propostas para colmatar a lacuna entre as actuais Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) e o que é necessário para 1,5°C vieram de pequenos estados insulares, da União Europeia em discussões sobre relatórios bienais de transparência, e de países em desenvolvimento com ideias semelhantes sobre obrigações financeiras comuns dos países desenvolvidos e preocupações sobre medidas comerciais unilaterais relacionadas com o clima.
Especialistas e observadores de longa data disseram que o texto do Mutirão era “bom” para o primeiro rascunho, proporcionando uma base viável para discussões e futuras revisões. O presidente da COP30, André Correa do Lago, indicou em carta divulgada na tarde de segunda-feira que deseja que o acordo político seja finalizado até terça-feira à noite – um cronograma que coincide com o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Belém na quarta-feira.
O projeto contém diferentes posições de negociação. Ancora os objetivos de longo prazo do Acordo de Paris e informa os resultados do primeiro balanço concluído em 2023. Serve também como uma resposta política ao crescente escrutínio do multilateralismo e à sua relevância.
Foram feitos esforços claros para dar resposta às preocupações dos países relativamente à ambição e à implementação. As lacunas anteriores a 2020 – quando os países desenvolvidos tinham compromissos vinculativos para reduzir as emissões e fornecer financiamento – realçam o fracasso dos países industrializados ricos em reduzir as emissões em 25-40% abaixo dos níveis de 1990. Há também uma referência ao esgotamento do orçamento de carbono. Quanto à meta de temperatura, a linguagem do Acordo de Paris de aumento “abaixo de 2 graus Celsius” é mantida e os esforços para limitá-la a 1,5 graus Celsius continuam. As cláusulas subsequentes abordam a conveniência de atingir 1,5°C. A transição dos combustíveis fósseis não é explicitamente mencionada, mas abordada indirectamente, particularmente através de apelos à “eliminação progressiva dos subsídios prejudiciais aos combustíveis fósseis”. Não há menção a um roteiro de transição para os combustíveis fósseis, que muitos países defendem fora das negociações formais.
São refletidas diferentes posições sobre o financiamento da adaptação. As opções incluem o financiamento triplo da adaptação – um compromisso liderado pela procura por parte do Grupo África e dos países menos desenvolvidos.
No que diz respeito às finanças públicas e às medidas comerciais unilaterais, são apresentadas múltiplas opções, embora o consenso não seja claro.
As discussões sobre o texto estão em andamento.




