As nações ricas comprometeram-se a triplicar a ajuda climática
Um dos poucos acordos tangíveis na COP30 foi o compromisso dos países ricos de triplicar o financiamento para ajudar os países pobres a adaptarem-se às alterações climáticas. Este compromisso financeiro é fundamental para os países que enfrentam condições meteorológicas extremas, a subida dos mares e a insegurança alimentar. Contudo, os críticos argumentam que o dinheiro por si só não pode substituir a necessidade urgente de reduzir o consumo de combustíveis fósseis, principalmente as causas profundas do aquecimento global.
Os combustíveis fósseis permanecem intocados
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu um roteiro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, em linha com as negociações da COP28 do ano passado. No entanto, os países ricos em petróleo e as economias dependentes dos combustíveis fósseis bloquearam quaisquer compromissos vinculativos, conduzindo a um quadro voluntário ao qual os países poderiam optar por aderir ou ignorar.
A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou a meio da cimeira que a procura global de carvão, petróleo e gás deverá aumentar até 2050.
A coesão climática global continua frágil
Enquanto os países enfatizaram a necessidade de solidariedade internacional, a COP30 destacou a fragilidade do consenso global. Propostas ambiciosas para implementar cortes obrigatórios de emissões foram abandonadas e a ausência dos Estados Unidos, o maior poluidor histórico do mundo, deixou um vazio para os interesses dos combustíveis fósseis explorarem rapidamente.
Com alguns países ainda detendo o poder de vetar acordos colectivos, intensificaram-se os apelos à reforma do processo de tomada de decisão nas conversações da ONU sobre o clima.
China e Índia ocupam o centro do palco
Embora o presidente Xi Jinping tenha faltado ao evento, a China exerceu discretamente uma influência significativa durante a cimeira. A delegação chinesa apresentou tecnologias solares, de baterias e de veículos elétricos, sinalizando a sua vontade de fornecer soluções de energia limpa a nível mundial. Entretanto, a Índia tornou-se mais influente nas negociações, reflectindo o seu papel crescente na diplomacia climática. A África do Sul também utilizou a cimeira como plataforma para apresentar uma agenda centrada no clima antes da cimeira do G20 em Novembro.
Florestas e direitos indígenas ficam em segundo plano
A realização da COP30 numa cidade florestal amazónica destacou a importância das florestas remanescentes do mundo e dos quinhentos milhões de povos indígenas que protegem esta terra. Ainda assim, muitos representantes indígenas e ambientalistas ficaram frustrados, com protestos e confrontos de segurança pela falta de uma intervenção significativa.
Os países prometeram cerca de 9,5 mil milhões de dólares em financiamento florestal, incluindo cerca de 7 mil milhões de dólares para iniciativas florestais tropicais do Brasil e 2,5 mil milhões de dólares para o Congo. No entanto, os esforços para criar um roteiro para a desflorestação zero até 2030 foram abandonados e a protecção das áreas indígenas não foi formalmente reconhecida.
Ciência sitiada
Apesar de líderes como Lula terem denunciado a desinformação climática, a COP30 fez pouco progresso na defesa da ciência climática contra ataques, especialmente por parte do governo dos EUA. Pela primeira vez, o acordo final não rotulou os relatórios do IPCC como “a melhor ciência disponível”, mas referiu-se, em vez disso, a estudos de países em desenvolvimento e instituições regionais.
Ignorar as metas de redução dos combustíveis fósseis e de emissões pode levar a advertências científicas imperiosas, cruciais para manter o aquecimento global sob controlo, alertam os especialistas.
O que sai da COP30
A COP30 destacou a tensão entre o apoio financeiro, as soluções técnicas e a necessidade urgente de reduzir as emissões. Embora o aumento do financiamento para a adaptação climática seja um passo positivo, a cimeira evitou em grande parte abordar os principais motores do aquecimento global.
Em essência, a COP30 é um lembrete de que a ação climática global precisa de dinheiro e de ações significativas, e que a unidade internacional permanece frágil face aos interesses dos combustíveis fósseis.
Contribuições de agências



