Dogen (1200-1253) foi um monge e filósofo Zen japonês e fundador da Escola Soto de Zen no Japão. Ele é mais conhecido por insistir que a prática e a iluminação não estão separadas – você não pratica para acordar; A prática em si é um despertar vivido momento a momento. Os seus escritos, especialmente Shobogenzo, são densos, poéticos e muitas vezes irónicos, destinados a explicar melhor a realidade e a afrouxar o nosso controlo sobre ideias fixas sobre ela.
Esta citação captura esse espírito perfeitamente.
A flor representa tudo a que nos apegamos – beleza, sucesso, amor, juventude, certeza. Nós apreciamos, protegemos e queremos que dure. E ainda assim, de alguma forma, ele cai. Não é porque deixamos de amar o suficiente, é da natureza cair. Por outro lado, a erva representa aquilo a que somos resistentes – dor, inconveniência, decepção e mudança. Resistimos, julgamos e queremos nos livrar dele. E ainda assim, cresce.
Dogan não está pessimista aqui. Ele é preciso.
O sofrimento não vem da queda de uma flor ou de uma erva daninha que cresce, mas da nossa insistência em que a realidade se adapte aos nossos caprichos. O Zen chama isso de apego e aversão – amar o que nos faz felizes e rejeitar o que não nos faz felizes. A vida, porém, não faz nada disso. Ela se desenvolve sem considerar nossos gostos e desgostos.
Aqui está o que Dogan gentilmente expõe: gostar não garante estabilidade, e não gostar não garante desaparecimento. Vendo isso claramente, a pessoa amolece. Paramos de encarar a mudança como uma afronta pessoal. Paramos de dar sentido a cada perda e provocação. O mundo não está contra nós; É o mundo.
A misericórdia também está à espreita aqui. Se até as flores caem e as ervas daninhas crescem, nossos próprios fracassos, deficiências e momentos desnecessários não são sinais de quebrantamento. São sinais de estar vivo.
Zen não oferece controle. Em vez disso, oferece intimidade – estando totalmente presente com o que surge, sem agarrar, sem descartar. Quando isso acontece, as flores podem ser amadas sem possuí-las, e as ervas daninhas podem ser vistas sem inimizade.
Nada está consertado. Nada é pessoal. De alguma forma, é aí que a paz começa.



