Uma de suas famosas citações é: “Não deixe que o hábito, nascido de uma longa experiência, o obrigue a usar a visão, a audição ou a língua”.
O significado da citação de Parmênides
Esta declaração de Parmênides na Aelia desafiou as suposições mais básicas que os humanos fazem sobre a realidade. Numa época em que as pessoas confiavam nos seus sentidos para explicar o mundo – o que viam, ouviam e sentiam – Parménides fez uma afirmação radical: os sentidos enganam-nos. Segundo ele, a verdadeira compreensão não vem do hábito, da percepção ou da crença popular, mas da razão.
O significado desta citação é aparentemente simples, mas profundamente perturbador. Parmênides adverte contra confiar cegamente na experiência sensorial apenas porque parece familiar ou porque funcionou para nós no passado. “Visão, audição e língua” simbolizam como os humanos absorvem e repetem informações – o que vemos, o que ouvimos dos outros e o que dizemos sem reflexão. O hábito, quando não questionado, torna-se um tirano silencioso. Isso nos convence de que o que parece verdade deve ser verdade.
Imagine uma pequena cidade costeira onde os pescadores durante gerações acreditaram que o mar terminava no horizonte. Todos os dias eles zarpam, veem a mesma linha onde o céu encontra a água e voltam para casa convencidos de que o mundo para aí. Um jovem marinheiro, porém, começa a duvidar dessa certeza herdada. Ele percebe que sua fé não se baseia na lógica, mas na repetição – no que seus olhos lhe mostram e no que os mais velhos sempre lhe disseram. Quando finalmente navega além da linha familiar, descobre novas terras, provando que o horizonte não é uma borda, mas o limite da percepção.
A citação de Parmênides fala diretamente a este momento de despertar. Ele nos obriga a fazer uma pausa e perguntar: estou pensando ou apenas repetindo? Entendo ou confio em meus sentidos porque eles são confortáveis? Na vida moderna, este aviso parece mais relevante. As notícias, as redes sociais e a opinião popular moldam o que vemos, ouvimos e dizemos. Com o tempo, esses padrões se consolidam em hábitos e os hábitos se tornam “verdades”.
Parménides convida-nos a abandonar este modo de vida mecanicista. Ele nos lembra que a sabedoria começa quando questionamos o óbvio. O verdadeiro conhecimento, na sua opinião, não é barulhento nem imediato – é calmo, racional e muitas vezes perturbador. Ao resistir ao hábito e à determinação dos sentidos, damos o primeiro passo em direção a uma compreensão mais profunda. Num mundo repleto de informações, este antigo aviso ainda sussurra: pense com cuidado ou simplesmente deixe-se limitar pelo que parece verdade.






