O tão esperado acordo surge num contexto de utilização generalizada de tarifas e ameaças comerciais por parte da administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que pressionou os países a procurarem novas parcerias.
A UE e o Mercosul representam, em conjunto, 30% do PIB mundial e mais de 700 milhões de consumidores.
O acordo eliminará tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral.
O acordo favorecerá as exportações europeias de automóveis, vinho e queijo, ao mesmo tempo que facilitará a passagem da carne bovina, das aves, do açúcar, do arroz, do mel e da soja sul-americanas para a Europa.
Um acordo entre a UE e os países do Mercosul, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, foi alcançado em Bruxelas na semana passada, apesar da forte oposição dos agricultores europeus.
Eles temem que o acordo leve a um influxo de produtos sul-americanos mais baratos, pois consideram os padrões de produção baixos. Algumas pessoas na América do Sul também estão preocupadas com o impacto do pacto.
Na Argentina, estima-se que 200 mil empregos serão perdidos devido ao desmantelamento da indústria automotiva local, disse à AFP a pesquisadora de comércio e investimentos Luciana Giotto.
– ‘Uma mensagem poderosa’ –
A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, e o Comissário de Comércio da UE, Maroz Cefcovic, participarão na cerimónia de assinatura em Assunção.
O presidente do Paraguai, Santiago Pena, e o uruguaio Yamandu Orsi também estarão presentes. A presença do líder argentino Javier Millay não foi confirmada.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que desempenhou um papel fundamental no avanço das negociações, não comparecerá.
Seu gabinete disse que a assinatura foi originalmente planejada como um evento ministerial e que o presidente paraguaio foi convidado “de última hora”.
Von der Leyen parou no Rio de Janeiro na sexta-feira para se encontrar com Lula a caminho de Assunção.
Ela elogiou o papel de Lula no avanço das negociações, dizendo que o acordo “envia uma mensagem forte” e “mostra o poder da parceria e da abertura. É assim que criamos prosperidade real”.
Lula disse que o acordo é “muito bom, principalmente para o mundo democrático e para o multilateralismo”.
O pacto é um dos vários acordos que os países estão a lutar para selar num ambiente global incerto moldado pelas ameaças tarifárias e pelo protecionismo de Trump.
Na sexta-feira, Trump ameaçou impor tarifas comerciais a países que não apoiassem os seus planos de tomar a Gronelândia, um território da Dinamarca, aliada da NATO.
Lula acrescentou que a parceria com a UE foi “além da dimensão económica”.
“A União Europeia e o Mercosul partilham valores como o respeito pela democracia, o Estado de direito e os direitos humanos”, afirmou.
O acordo ocorre num momento em que a América Latina ainda se recupera da deposição e captura do líder venezuelano Nicolás Maduro por Trump, numa dramática repressão militar este mês.


