O homem e seu espelho, como se o jogo óptico involuntário quisesse dobrar o peso arrastado pelo coletor de lixo. O fotógrafo sabia como estar ali. Ele capturou o momento fugaz em que movimento, pessoa e reflexão se unem. Tudo acontece em uma passagem subterrânea sob a Ponte Galata, em Istambul, Turquia. E é verdade que a diversidade neste planeta coexistiu durante muito tempo com algo como uma única cultura global. Esse homem de camiseta, jeans e tênis poderia ser morador de qualquer outra cidade do mundo, norte, sul, oeste ou leste do mundo. A carga que dobra as costas, o carrinho e o papelão que carrega: como se chamarão na Turquia? O reciclador urbano, o espelho involuntário do consumo alheio, a linhagem que sobrevive através do fascínio tecnológico, o fluxo digital intangível, as chamas do futuro inexoravelmente encharcadas de passado.




