A resposta veio do Fiorde Dixon, no leste da Groenlândia, onde uma grande avalanche de rocha e gelo caiu na água. O impacto gerou um megatsunami na Groenlândia de 650 pés. Ao contrário das ondas oceânicas normais, que perdem energia rapidamente, esta onda ficou presa entre as altas paredes do fiorde e continuou a mover-se como água dentro de uma gigantesca embarcação natural.
A descoberta revelou algo fascinante sobre as mudanças nas paisagens da Terra. O colapso de uma montanha na remota região do Ártico foi poderoso o suficiente para “ouvir” o planeta inteiro. Os cientistas usaram observações de satélite, dados sísmicos e modelos avançados para compreender como o megatsunami da Gronelândia enviou tremores pelo solo.
O evento também levantou grandes questões sobre as alterações climáticas e a segurança do Árctico. À medida que os glaciares recuam e as paisagens congeladas enfraquecem, áreas antes consideradas estáveis podem tornar-se vulneráveis. O megatsunami na Groenlândia não foi um evento natural raro; foi um lembrete da rapidez com que o ambiente do Árctico está a mudar.
Como o megatsunami na Groenlândia causou um sinal ouvido em todo o mundo?
Em 16 de setembro de 2023, cerca de 880 milhões de pés cúbicos de rocha e gelo surgiram na encosta de uma montanha perto do fiorde Dixon. O colapso enviou enormes detritos para a água, criando um megatsunami na Gronelândia que transformou a tranquila paisagem do Árctico em segundos.
O choque foi tão forte que a onda, em vez de se espalhar livremente pelo oceano, atravessou o estreito fiorde. As falésias circundantes eram como paredes, retendo a água e obrigando-a a mover-se de um lado para o outro.
Este movimento incomum criou o que os cientistas chamam de seiche. Um seiche é uma onda estacionária que continua a oscilar dentro de um corpo de água confinado. É semelhante ao movimento da água depois que uma pessoa toma um banho completo. O megatsunami na Groenlândia foi uma versão gigante desse efeito. A água empurrou várias vezes o fundo do fiorde, transferindo a energia para a Terra. Instrumentos sísmicos sensíveis a milhares de quilômetros de distância detectaram tremores persistentes.
Satélites revelam o poder oculto dos megatunamis da Groenlândia
Foi descoberta uma tecnologia de satélite que permite aos pesquisadores rastrear as mudanças no nível da água do fiorde. As medições tradicionais muitas vezes apresentam dificuldades nas regiões remotas do Ártico, mas os novos sistemas de satélite forneceram uma imagem mais clara do que aconteceu após o colapso.
O satélite de topografia de águas superficiais e oceânicas ajudou a mapear a superfície da água no fiorde de Dixon. O satélite observou diferenças significativas na altura da água após o megatsunami na Groenlândia, mostrando a força com que a onda se moveu.
Os dados recolhidos após o incidente mostraram que o nível da água num lado do fiorde era vários metros mais alto do que no outro lado. Os pesquisadores estimaram que a onda armadilha teve uma amplitude inicial de cerca de 26 pés após o primeiro impacto massivo.
O megatsunami da Groenlândia mostrou como os satélites podem revelar o que está acontecendo em lugares onde as pessoas raramente viajam. Geleiras remotas, montanhas íngremes e fiordes isolados podem esconder mudanças perigosas até que a natureza as revele repentinamente.
As alterações climáticas poderão aumentar a probabilidade de eventos de megatsunami na Gronelândia?
O megatsunami na Groenlândia não teve apenas a ver com geologia. Os cientistas descobriram que as alterações climáticas provavelmente desempenharam um papel na criação das condições que levaram ao colapso.
Durante décadas, as geleiras ao redor do Ártico têm diminuído. As geleiras que antes ficavam nas encostas de uma montanha podem desaparecer, destruindo a barreira natural que ajuda a preservar as formações rochosas instáveis.
À medida que este suporte enfraquece, a gravidade aumenta. Uma encosta que permanece estável há milhares de anos pode quebrar repentinamente. A combinação de derretimento do gelo e encostas frágeis no Fiorde Dixon criou condições perfeitas para o desastre.
Um megatsunami na Groenlândia também serviu de alerta para os viajantes do Ártico. Os navios turísticos exploram cada vez mais os fiordes da Gronelândia, mas muitas áreas remotas têm sistemas de monitorização limitados e capacidades lentas de resposta a emergências.
Um desastre semelhante perto de um navio ou de uma povoação costeira poderia ter consequências graves. O evento de 2023 danificou instalações científicas e locais culturais ao redor da região do fiorde.
Perguntas frequentes:
Qual a diferença entre um megatsunami e um tsunami normal?
Megatsunamis são geralmente causados pelo movimento repentino de grandes volumes de água devido a deslizamentos de terra, erupções vulcânicas ou impactos de asteróides. Ao contrário da maioria dos tsunamis oceânicos, que são causados por terremotos subaquáticos, os megatsunamis podem gerar ondas muito altas perto da fonte porque a energia está concentrada em uma área menor.
Porque é que as regiões do Ártico estão a tornar-se mais importantes para a investigação sobre tsunamis?
O Ártico está a mudar rapidamente devido ao aumento das temperaturas e à diminuição dos glaciares. À medida que as paisagens congeladas perdem a sua estabilidade, os cientistas concentram-se mais nas faces das montanhas, fiordes e áreas cobertas de gelo que podem estar sujeitas a colapsos repentinos ou movimentos incomuns da água.
Como os cientistas determinam eventos naturais em áreas remotas sem testemunhas oculares?
Os pesquisadores combinam ferramentas como satélites, estações sísmicas, medições de GPS e modelos de computador. Mesmo na ausência dos humanos, a Terra deixa marcas físicas através das vibrações da terra, das mudanças na água e do movimento da paisagem.
As alterações climáticas poderão aumentar o risco de grandes deslizamentos de terra na Gronelândia?
Sim, as temperaturas mais altas podem afetar o solo congelado e as geleiras que ajudam a sustentar paisagens íngremes. À medida que o gelo derrete ou recua, algumas encostas perdem estabilidade, aumentando o potencial para rupturas repentinas de rochas e gelo.
Os fiordes podem amplificar naturalmente as marés?
Os fiordes comportam-se como câmaras de ondas naturais devido à sua forma estreita e paredes íngremes. O movimento da água fica preso e em vez de se dissipar rapidamente, continua a oscilar.
Poderia um evento semelhante no Ártico afetar navios ou comunidades costeiras?
Um evento de ondas grandes num fiorde ártico confinado pode ser perigoso para navios ou infraestruturas próximas. O nível de risco depende da localização, horário e proximidade de pessoas ou navios da área afetada.
Como podem os cientistas melhorar os avisos futuros para estes eventos?
Os investigadores estão a trabalhar em melhores sistemas de monitorização que combinem observações por satélite, inteligência artificial e redes sísmicas. O objetivo é detectar mudanças incomuns antes que se tornem uma grande ameaça.




