O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quinta-feira que está usando a legislação da era da Guerra Fria para fornecer US$ 700 milhões em financiamento para vários projetos de carvão, seu mais recente esforço para aumentar o uso do combustível fóssil mais poluente.
Trump disse que os fundos seriam usados para manter abertas mais de uma dúzia de usinas de carvão em dez estados e mais 42, bem como para construir duas novas usinas de carvão e um terminal de exportação.
Os republicanos disseram que os fundos seriam usados para financiar a Lei de Produção de Defesa, que foi promulgada em 1950 e dá ao presidente dos EUA poderes de emergência sobre as indústrias nacionais.
“Hoje, estamos a tomar medidas históricas para reduzir o custo da energia e o custo de vida para todos os americanos, com energia limpa e bonita a carvão”, disse Trump.
Trump chama frequentemente as alterações climáticas induzidas pelo homem de “uma farsa” e tem trabalhado desde que regressou ao poder no ano passado para reverter uma série de regulamentações ambientais, muitas das quais limitam a utilização de combustíveis fósseis.
O carvão é o combustível que emite os maiores níveis de gases com efeito de estufa, contribuindo para as alterações climáticas.
Trump disse que a nova iniciativa inclui US$ 200 milhões de projetos de mudança climática para uma usina de carvão em Maryland e duas novas usinas no Alasca e na Virgínia Ocidental.
Um novo terminal de exportação de carvão será construído na Califórnia com capacidade para movimentar 12 milhões de toneladas do combustível fóssil, disse Trump.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que o carvão é “uma fonte importante de nossa eletricidade, uma fonte importante de nossa indústria”.
– A Nova Política Americana do Carvão –
O mundo irá gerar e operar mais energia a carvão em 2025, mas utilizará menos combustível poluente, sendo os Estados Unidos a única grande economia a aumentar substancialmente a produção, mostra a análise do Global Energy Monitor.
Em 2025, o carvão será responsável por 17% da geração de eletricidade nos EUA, segundo dados da EIA.
O anúncio de quinta-feira foi o mais recente esforço de Trump para fortalecer os combustíveis fósseis.
Em 11 de Fevereiro, Trump assinou uma ordem executiva orientando o secretário da Defesa dos EUA, Pat Hogseth, a celebrar acordos de fornecimento de longo prazo com centrais eléctricas a carvão dos EUA.
Ao assinar a ordem numa sessão fotográfica na Casa Branca, o presidente foi aclamado como o “campeão indiscutível” do carvão, rodeado de mineiros com capacetes.
No dia seguinte, Trump rescindiu uma “constatação de risco” da EPA de 2009 sob as regulamentações climáticas dos EUA. Uma coligação de grupos ambientais e de saúde contestou a acção em tribunal.
Prevê-se que as temperaturas médias globais permaneçam em níveis recorde ou perto deste ano e durante os próximos quatro anos, alertaram as Nações Unidas na semana passada.
O chefe do clima da ONU, Simon Steele, disse que o “principal culpado” do aquecimento é a queima de carvão, petróleo e gás pela humanidade, que é o principal motor das mudanças climáticas.
aha/ksb
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