Da Basileia ao Laboratório de Pesquisa
Friedrich Miescher nasceu em 1844 em Basileia, Suíça. Ele veio de uma família conhecida por suas contribuições à medicina e à ciência. Seu pai era um médico que ensinava anatomia patológica, e seu tio, Wilhelm His, era um notável embriologista.
Quando estudante, Misher se destacou academicamente, apesar de ser tímido e com deficiência auditiva. Ele originalmente pensou em se tornar padre, mas seu pai o encorajou a seguir a medicina. Depois de se formar na faculdade de medicina em 1868, ele decidiu se concentrar na pesquisa científica, em vez de no atendimento ao paciente devido a dificuldades auditivas. Miescher ingressou na Universidade de Tübingen, na Alemanha, e trabalhou com Felix Hoppe-Seyler, um cientista especializado em química do solo. Este laboratório é o primeiro na Alemanha a estudar os componentes químicos das células.
Procure glóbulos brancos
Naquela época, os cientistas ainda tentavam compreender a estrutura e a composição das células. Hoppe-Seyler atribuiu a Miescher a tarefa de estudar as células linfóides, também conhecidas como glóbulos brancos.
A obtenção de glóbulos brancos suficientes para o estudo foi difícil. Misher encontrou uma solução coletando bandagens cirúrgicas usadas em uma clínica próxima. Essas bandagens continham pus de feridas infectadas, rico em leucócitos. Ele lavou cuidadosamente as bandagens para separar as células. Esta fonte incomum de material de pesquisa tornou-se uma das descobertas mais importantes da ciência.
Como foi a descoberta?
Enquanto estudava os glóbulos brancos, Miescher queria estudar a sua composição proteica. Ele dissolveu as células e as tratou com uma enzima digestiva chamada pepsina. No processo, ele notou uma substância que causou um precipitado. Investigações posteriores revelaram que este material veio inteiramente do núcleo da célula e não do resto da estrutura celular. Como a substância é encontrada no núcleo, Miescher a chamou de “nucleína”. Esta foi a primeira vez que um cientista isolou o que mais tarde seria conhecido como DNA.
O que há de diferente no Nuclein?
Mischer analisou a composição química do nucleico e descobriu que ele difere das proteínas de várias maneiras. A substância era ligeiramente ácida. Continha uma grande quantidade de fósforo. Não continha enxofre, que se sabe estar presente nas proteínas. Ele também descobriu que o ácido nucléico é composto de hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e fósforo. A proporção de fósforo para nitrogênio era incomum e o distinguia de outras proteínas conhecidas. Estas descobertas convenceram Miescher de que ele havia descoberto uma substância biológica inteiramente nova.
Ampliando o estudo
Depois de extrair o ácido nucleico dos glóbulos brancos, Miescher continuou seus experimentos usando outros materiais biológicos. Ele isolou com sucesso a mesma substância de diferentes tipos de células. Mais tarde, ele usou o salmão como outra fonte de esperma porque continha um grande número de núcleos e era fácil de estudar. Seu trabalho mostrou que o ácido nucléico não se limita às células de pus. Em vez disso, parece estar presente em muitas células vivas. Esta observação apoiou a ideia de que o ácido nucleico desempenha um papel fundamental nos processos biológicos.
Publicação e resposta científica
Embora Miescher tenha concluído a maior parte de sua pesquisa em 1869, seus resultados não foram publicados até 1871. Felix Hoppe-Seyler inicialmente ficou cético em relação a seus resultados, uma vez que o núcleo foi formado de forma diferente de qualquer molécula previamente identificada. Antes de permitir a publicação, ele repetiu os experimentos para verificar as conclusões de Mischer. Somente após a confirmação das descobertas Hoppe-Seyler aprovou a publicação. O atraso refletiu a cautela científica da época e a natureza incomum da descoberta.
Carreira na Universidade de Basileia
Em 1872, Miescher retornou à Suíça e tornou-se professor de fisiologia na Universidade de Basileia. Este cargo foi anteriormente ocupado por seu pai e posteriormente por seu irmão. Esta nomeação proporcionou-lhe recursos adicionais, equipamentos e financiamento para pesquisa. No entanto, as funções docentes também passaram a fazer parte de sua função. Miescher dedicou a maior parte de seu tempo ao trabalho de laboratório, continuando a estudar ácidos nucléicos e outros processos biológicos. Seu perfeccionismo e dedicação o levaram a passar muitas horas realizando experimentos.
Por que o DNA não foi reconhecido imediatamente?
Embora Miescher tenha descoberto o núcleo, nem ele nem a maioria dos cientistas do final do século XIX compreenderam o seu verdadeiro significado. Na época, os pesquisadores acreditavam que as proteínas eram responsáveis por transportar a informação genética porque as proteínas pareciam quimicamente mais complexas. Misher também compartilhou essa crença. Ele pensava que o ácido nucleico poderia ter uma função importante dentro das células, mas não o considerava uma molécula hereditária. Como resultado, a importância do DNA permaneceu não reconhecida durante décadas.
O legado de Friedrich Miescher
Descobertas científicas posteriores mostraram que o DNA carrega informações genéticas e controla a hereditariedade nos organismos vivos. Os pesquisadores do século 20 confiaram no trabalho de Mischer para descobrir a estrutura e a função do DNA. Seu isolamento de ácido nucleico tornou-se a base da biologia molecular, genética, biotecnologia, medicina forense e genética.
Embora ele não tenha vivido para ver o impacto da sua descoberta, a pesquisa de Mischer abriu caminho para muitos avanços científicos. Friedrich Miescher morreu de tuberculose em 1895. Seu trabalho continua sendo um dos marcos mais importantes na história da ciência. A descoberta que começou com bandagens cirúrgicas cheias de pus acabou mudando a forma como a humanidade encarava a vida.





