De acordo com um relatório da Crisil Intelligence, “as ameaças de uma recessão económica materializaram-se com mais de dois meses de conflito não resolvido na Ásia Ocidental”.
A agência observou ainda: “O encerramento do Estreito de Ormuz causou o maior choque energético alguma vez registado. Levará algum tempo a normalizar, mesmo depois de a rota ser reaberta, uma vez que danificou a infra-estrutura de petróleo e gás na Ásia Ocidental”.
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Prevê-se que o colapso económico afecte de forma particularmente dura o sector industrial indiano, dependente das importações, enquanto a fraca procura mundial e as barreiras comerciais prejudicam o crescimento das exportações.
Como consequência directa destas complexas pressões externas, o desempenho macroeconómico da Índia dá sinais de tensão. O relatório observa que o crescimento real do produto interno bruto (PIB) deverá abrandar para 6,6 por cento no ano fiscal de 2027, em comparação com o crescimento de 7,6 por cento no ano fiscal de 2026. Entretanto, o défice da conta corrente (CAD) do país deverá aumentar para 2,2 por cento, de 2,2 por cento no ano fiscal de 2027. em 0,8 por cento no ano financeiro anterior.
“Espera-se que um aumento acentuado nos preços internacionais do petróleo bruto, do gás e dos fertilizantes aumente significativamente a factura das importações, enquanto as exportações serão afectadas por perturbações no comércio global e pelo enfraquecimento da procura global. As remessas enfrentam o risco de tensões contínuas na Ásia Ocidental, que representa cerca de 38% das remessas para a Índia”, observou o relatório.Leia também: As importações de óleo comestível da Índia aumentaram 3% no EF26 devido ao crescimento isento de impostos no Nepal, afirma órgão da indústria
A inflação interna também sentirá o calor da fricção geopolítica, prevendo-se que a inflação média do índice de preços no consumidor (IPC) suba acentuadamente para 5,1% no ano fiscal de 2027, face a 2,0% no ano fiscal de 2026. Este crescimento foi impulsionado pelo aumento dos custos de consumo e de transporte.
“Embora o governo tenha contido o crescimento da inflação dos combustíveis a retalho, os aumentos sustentados dos preços globais podem levar a novos aumentos nos preços dos combustíveis a retalho para cozinhar e para os transportes. Além disso, aumentos acentuados nos custos de energia e outros custos de consumo, bem como nos custos de comércio e transporte, serão transferidos dos produtores para os consumidores, aumentando a inflação subjacente”, afirma o relatório.
As graves perturbações no corredor energético forçaram uma grande revisão das previsões globais das matérias-primas, com a Crisil Intelligence a aumentar os preços do petróleo Brent para o ano fiscal de 2027 para 90-95 dólares por barril, de uma previsão de 82-87 dólares. Esta escalada irá introduzir pressões económicas multidimensionais que vão muito além da energia.
“Além disso, o choque estender-se-á para além da energia, abrangendo custos de frete e seguros, cadeias de abastecimento e fertilizantes, o que terá um impacto multidimensional na economia”, acrescenta o relatório.




