Esta semana na Feira do Livro estive na apresentação de um livro que me surpreendeu bastante. Achei que era um assunto que já conhecia, tendo estudado ao longo dos anos, mas lendo Pelo que você é apaixonado? Encontrando sua paixão (Galerna) me ensinou uma nova lição. Sua autora é Adela Sáenz Cavia, especialista em treinamento de competências socioemocionais e neuroeducação. Sua abordagem combina rigor científico com grande sensibilidade prática. Conheço Adela há mais de 20 anos devido à sua vasta experiência em comunicação corporativa. Alguns anos depois, especializou-se em ajudar líderes nas esferas organizacional, política e social a promover resiliência e impacto positivo. Este, seu primeiro livro, mostra tudo o que ele representa Parta à descoberta da paixão, com uma vasta documentação de evidências existentes e uma profundidade temática que dá peso a esta palavra sem sentido.
Uma das ideias que mais me interessou é que Adela quer negar a premissa simplista de “seguir a sua paixão”, quer a tenha ou não, como se fosse uma caixa dourada para abrir, como se não fosse necessário trabalhar e lutar para desenvolvê-la. A paixão, explica ele, não é uma descoberta acidental: é uma decisão. Ao contrário da crença de que a paixão é uma emoção imediata, a verdadeira paixão é um sentimento que deve ser construído e mantido ao longo do tempo através da persistência.
No livro ele explica a “Teoria do Interesse Fixo”, que sugere que as pessoas vejam seus interesses e paixões como algo inato e predeterminado. Nesta abordagem, é preciso “encontrar” a própria paixão, e uma vez que o caminho para o sucesso é fácil e cheio de emoção. Essas pessoas acreditam ter uma ou várias paixões predestinadas, o que as leva a buscar constantemente a sua “verdadeira” paixão e quando não a encontram de imediato, ficam frustradas, desistem e interrompem suas atividades na primeira dificuldade, pois assumem que é um sinal de que “não é para elas”.
Pelo contrário, o autor sugere seguir esta premissa: “Eu me esforço, depois me apaixono”, e o esforço como motivador descreve a evidência de empreendedores que, diante do esforço, tornaram-se mais comprometidos com seu projeto, motivados, entusiasmados e comprometidos com seu projeto. Essa motivação aumentou sua paixão pelo que faziam. Acho muito sentido nisso. Não há um dia que não pense na sorte que tenho por poder trabalhar naquilo que tenho paixão, mas não tenho dúvidas de que é um caminho que se constrói, não sem algumas contradições e com muito esforço e trabalho diário. Um pouco de magia e muita “lâmina” e autoconhecimento, mais uma palavra bastarda, que Sáenz Cavia ensina a navegar com seriedade e método. Adela relembra uma frase do discurso de formatura de Barack Obama na Howard University em 2016: “É preciso viver a vida com mais do que paixão pela mudança, é preciso ter uma estratégia para alcançá-la”.






