Milhares de pessoas manifestaram-se contra o projeto de lei, que, segundo cientistas e ativistas, ameaça as fontes de água.
Publicado em 9 de abril de 2026
Os políticos argentinos já haviam aprovado um projeto de lei apresentado pelo presidente de direita do país, Javier Milei, que teria permitido a mineração em áreas ecologicamente sensíveis de geleiras e permafrost, uma medida que irritou os ambientalistas.
A Câmara dos Deputados, a câmara baixa do Congresso argentino, aprovou a emenda na quinta-feira com 137 votos a favor, 111 contra e três abstenções após quase 12 horas de debate.
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Emendas à chamada Lei das Geleiras, aprovada pelo Senado em fevereiro, facilitarão a mineração de metais como cobre, lítio e prata nas partes congeladas da Cordilheira dos Andes.
Os ambientalistas dizem que a reforma enfraqueceria a protecção de importantes recursos hídricos.
Milhares de pessoas participaram em manifestações na noite de quarta-feira em frente ao parlamento, tendo ocorrido confrontos esporádicos com a polícia.
Alguns seguravam cartazes com slogans como “Água é mais valiosa que ouro!” e “As geleiras destruídas não podem ser restauradas!”
Sete ativistas do Greenpeace foram presos no início do dia depois de escalar uma estátua em frente ao parlamento e hastear uma faixa pedindo aos políticos “que não traíssem o povo argentino”.
A aprovação da emenda foi outra vitória para Milei, que pressionou por leis trabalhistas mais flexíveis em fevereiro, apesar dos repetidos protestos nas ruas.
Nicolas Mayoraz, deputado do partido no poder Milei La Libertad Avanza, disse aos deputados que combinar “a protecção ambiental e o desenvolvimento sustentável é possível”.
A ativista ambiental Flavia Broffoni rejeitou a posição do governo.
“A ciência é clara… não há possibilidade de criar o que eles (o governo) chamam de ‘minas sustentáveis’ num ambiente periglacial”, disse ele à agência de notícias AFP depois de discursar em protestos fora do Parlamento.
‘Ambientalistas preferem nos ver morrer de fome’: Milei
Existem quase 17.000 geleiras ou geleiras rochosas – uma mistura de rocha e gelo – na Argentina, de acordo com uma contagem de 2018.
No noroeste do país, onde se concentram as atividades mineiras, as reservas glaciares diminuíram 17% na última década, principalmente devido às alterações climáticas, segundo o Instituto de Investigação de Neve, Glaciologia e Ciências Ambientais da Argentina.
Milei, uma radical defensora do mercado livre que não acredita nas alterações climáticas provocadas pelo homem, considera que a lei é necessária para atrair projectos mineiros em grande escala.
A Argentina é um grande produtor de lítio, que é importante para o setor global de energia verde e tecnologia.
O seu banco central estimou, com base em previsões da indústria, que o país poderá duplicar as suas exportações mineiras até 2030.
“Os ambientalistas preferem nos ver morrer de fome do que que algo seja tocado”, argumentou Milei.
De acordo com a lei atual, os órgãos científicos designam geleiras e ambientes periglaciais protegidos.
A reforma dará a cada região mais poder para decidir quais as áreas que necessitam de protecção e quais as que podem ser exploradas para fins económicos.




