O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, emitiu um alerta no domingo sobre o risco de uma liberação radiológica, um dia após o ataque americano-israelense à usina nuclear iraniana de Bushehr pela quarta vez.
Os locais modernos geralmente contam com vários sistemas de segurança que podem desligar os reatores quando necessário para conter danos.
Numa carta às Nações Unidas, Argychi alertou para a “ameaça de contaminação radioativa grave” como resultado de ataques à central. Argachi também recorreu à plataforma de mídia social X, alertando que a precipitação radioativa “acabará com a vida nas capitais do CCG, não em Teerã”.
A Agência Internacional de Energia Atómica disse no sábado que o Irão relatou um ataque a um projéctil perto do local da central nuclear de Bushehr. O órgão de vigilância nuclear das Nações Unidas afirma que não houve aumento nos níveis de radiação. No entanto, a AIEA sinalizou, no passado, o risco de consequências nucleares resultantes de ataques a tais centrais.
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Quais são as consequências e riscos de um ataque a uma central nuclear?
Quando instalações nucleares são atingidas, um desastre radiológico em grande escala ainda é improvável. No entanto, o perigo real é que o ataque cause danos dentro das instalações, informou a Wired. Isto deve-se ao risco de falha do sistema de segurança ou ao impacto direto de uma central nuclear operacional. Os locais modernos geralmente contam com vários sistemas de segurança que podem desligar os reatores quando necessário para conter danos.
O alerta de Argachi vem da geografia e da infra-estrutura da região do Golfo. Embora a AIEA não tenha até agora relatado qualquer radiação ou contaminação externa dos ataques, as preocupações não se limitam ao local do impacto.
Uma das preocupações é que grande parte da região depende de água do mar dessalinizada, ou seja, sistemas que extraem diretamente do mar. Se o material radioactivo entrasse no ambiente marinho da região, espalhar-se-ia pelo ambiente marinho e pela infra-estrutura das centrais de dessalinização que são utilizadas para fornecer água potável a milhões de pessoas, relata a Wired.
Portanto, os ataques à central nuclear de Bushehr, localizada na costa do Golfo do Irão e perto de nações vizinhas, alertaram os vigilantes e especialistas nucleares da ONU. Embora a central não tenha sido directamente afectada, os especialistas alertaram que qualquer expansão que envolva infra-estruturas nucleares offshore poderia ter consequências transfronteiriças.
O que acontece quando uma instalação nuclear é atingida?
O local onde o local foi atingido e a extensão dos danos sofridos são importantes para determinar se os sistemas de segurança da central serão eficazes. De acordo com a Wired, após um impacto, um reator desliga automaticamente em poucos minutos. Inibe reações nucleares.
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No entanto, apesar de estar desligado, o núcleo do reator continua a gerar calor através do decaimento radioativo. Portanto, esse calor também deve ser controlado, e é aí que entram os sistemas de refrigeração. Se estes sistemas de refrigeração forem danificados por qualquer motivo, a temperatura continuará a subir e nos reactores refrigerados a água, isto pode levar à acumulação de gás hidrogénio, aumentando o risco de explosão, informou a Wired.
Depois disso, as barras de combustível dentro do reator também começarão a se decompor, arriscando a liberação de material radioativo, incluindo gases nobres, isótopos instáveis, isótopos de longa vida e partículas de combustível.
Como poderiam os ataques de Bushehr afectar a região?
Embora actualmente não haja fugas radioactivas, a central de Bushehr tem um reactor nuclear activo e fornece 1 a 2 por cento da electricidade total do Irão, informou a CNN.
A sua localização também é importante para compreender o impacto na região. Bushehr está localizado no Golfo Pérsico, perto de países como Kuwait, Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Portanto, qualquer evento nuclear poderia afetar os países do Golfo e colocar em risco o abastecimento de água, segundo a CNN.