Em 16 de março, a Seaport Research rebaixou as ações da Qualcomm (QCOM) para uma classificação de “Venda” e estabeleceu um preço-alvo de US$ 100. As ações estão atualmente sendo negociadas 30% acima desse nível, o que significa que os analistas estão prevendo uma queda significativa nas próximas semanas.
A Seaport Research não é a única empresa que classifica as ações da QCOM como “venda”. O Bank of America Securities e o Morgan Stanley também estão pessimistas em relação às suas perspectivas, atribuindo classificações de “desempenho inferior” e “subponderação” com preços-alvo de US$ 145 e US$ 132, respectivamente. Nos últimos dois meses, vários analistas reduziram suas metas para as ações da QCOM, com a Qualcomm já caindo 24% no acumulado do ano em 2026.
Numa nota algo positiva, a empresa está a fazer tudo o que pode para restaurar a confiança dos investidores, anunciando recentemente um programa de recompra de ações no valor de 20 mil milhões de dólares. Isto se soma aos US$ 2,1 bilhões restantes da recompra anterior anunciada em novembro de 2024. Não há um cronograma definido para o programa de recompra recentemente anunciado, que ocorrerá a critério da administração sob as condições de mercado prevalecentes.
A Qualcomm é uma lendária empresa de semicondutores especializada em processadores móveis, 5G, IoT e chips para a indústria automotiva, entre outras coisas. A empresa está atualmente localizada em San Diego, Califórnia.
As ações da QCOM caíram cerca de 18% nos últimos 12 meses, apresentando desempenho significativamente inferior ao ganho de 64% do ETF iShares Semiconductor (SOXX) no mesmo período. As razões para este mau desempenho estão principalmente relacionadas com restrições de oferta na indústria de smartphones, que impulsiona o núcleo da empresa.
Uma questão natural que se segue à notícia da recompra de acções no contexto de problemas fundamentais nas acções é se a empresa pode dar-se ao luxo de gastar tanto dinheiro na recompra das suas acções. Afinal, se se espera que os ventos contrários da indústria mantenham a pressão sobre as ações da QCOM, valerá a pena uma recompra para os investidores?
Atualmente, a Qualcomm possui US$ 7,2 bilhões em dinheiro e equivalentes de caixa, com fluxo de caixa livre suficiente para apoiar uma recompra, então há pouco com que se preocupar. A empresa também não deverá ter problemas em sustentar seu dividendo, que acaba de ser aumentado para US$ 0,92. Isso dá às ações um rendimento de dividendos futuro de 2,71%, bem acima do rendimento médio de dividendos de 5 anos de 2,13% por 12 meses. Num momento em que enfrenta pressão de diversas frentes, as ações da QCOM podem voltar a ser as favoritas dos investidores focados no rendimento.

