Um novo vídeo divulgado pela mídia estatal iraniana mostra que um míssil de cruzeiro dos EUA atacou um complexo no sul do Irã, onde um ataque mortal em 28 de fevereiro matou mais de 165 pessoas, a maioria delas crianças em idade escolar, e levantou novas questões sobre a origem do ataque.
Um clipe de 18 segundos publicado pela agência de notícias iraniana Mehr mostra o míssil atingindo um prédio dentro de uma comunidade murada em Minab, uma cidade na província iraniana de Ormuz. Já é possível ver fumaça subindo de outra parte do prédio que foi atingido há poucos momentos pela Escola Primária Feminina Shajare Tayibeh.
De acordo com a mídia estatal iraniana, 165 a 180 pessoas foram mortas neste ataque a uma escola, que ocorreu durante os primeiros dias da extensa campanha americano-israelense contra o Irã, a maioria delas eram meninas de 7 a 12 anos.
O míssil é semelhante ao míssil alado do Tomahawk
Especialistas em armas e investigadores independentes dizem que o míssil nas imagens recém-divulgadas é consistente com o míssil de cruzeiro Tomahawk, uma arma de precisão de longo alcance usada pela Marinha dos EUA.
Trevor Ball, pesquisador de conflitos do grupo holandês de verificação de fatos Bellingcat, disse que o vídeo mostra “a primeira vez que os Estados Unidos invadem esta área”.
“Os EUA são o único beligerante que possui mísseis Tomahawk”, disse Ball numa análise detalhada do X, observando que Israel não é conhecido por operar a arma.
Jeffrey Lewis, professor de segurança global no Middlebury College, disse que as munições vistas no vídeo são inconsistentes com os projetos de mísseis de cruzeiro do Irã e parecem ser compatíveis com o Tomahawk.
Oficiais militares dos EUA disseram anteriormente que mísseis Tomahawk foram usados na primeira onda de ataques contra o Irã.
O general Dan Kane, presidente do Estado-Maior Conjunto, disse dias após o ataque: “Os primeiros lançadores marítimos foram Tomahawks lançados pela Marinha dos Estados Unidos”.
O vídeo está localizado no bairro Minab
Os verificadores de fatos também conseguiram verificar a localização do vídeo usando caracteres identificáveis.
A filmagem foi postada por Bellingcat e posteriormente confirmada por jornalistas no conjunto habitacional que está sendo construído do outro lado da rua. Detalhes visíveis – incluindo sinais de entrada da clínica – imagens de satélite do local do Minab.
Imagens de satélite mostram que o complexo já serviu como base naval para o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), conhecido como complexo militar Sayyid al-Shuhada.
Nos últimos anos, ocorreram mudanças na região. A escola para meninas foi isolada do complexo militar de 2013 a 2016, enquanto uma clínica foi construída no interior e inaugurada em 2025.
As imagens analisadas pelos verificadores de factos mostram que pelo menos sete edifícios foram danificados no ataque, incluindo uma clínica e outras instalações dentro de uma antiga instalação do IRGC.
Suspeita-se de um ataque “duplo”
Os verificadores de factos também especularam que o ataque pode ter envolvido um ataque “duplo”, no qual um segundo míssil atingiu logo após a primeira explosão.
De acordo com análises citadas pelos meios de comunicação social, a segunda explosão ocorreu quando estudantes e funcionários procuravam refúgio numa sala de orações após a primeira explosão, o que contribuiu para o número de mortos.
Reivindicações conflitantes de responsabilidade
A responsabilidade pela greve permanece contestada.
O Irã acusou os EUA e Israel do ataque, chamando-o de “crime claro” e de violação do direito internacional.
No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, inicialmente assumiu que o próprio Irão poderia ser responsável pela falha na munição. Israel também negou o ataque.
No Pentágono, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, disse que o incidente estava sob investigação. “Estamos investigando. Certamente nunca temos como alvo civis”, disse Hegseth durante uma coletiva de imprensa.
Duas autoridades dos EUA disseram à Reuters que os investigadores dos EUA acreditam que as forças dos EUA podem ser responsáveis, embora uma conclusão final ainda não tenha sido alcançada.
Preocupação internacional e apelo à investigação
Esta greve foi condenada por organizações internacionais e organizações de direitos humanos.
Funcionários das Nações Unidas e da UNESCO consideraram este ataque uma possível violação do direito humanitário e apelaram a uma investigação independente.
Especialistas jurídicos dizem que o ataque à escola, se confirmado, constituiria um crime de guerra ao abrigo do Direito Internacional Humanitário.
Imagens transmitidas pela televisão estatal iraniana mostraram o cortejo fúnebre das vítimas com pequenos caixões cobertos com bandeiras iranianas sendo transportado por uma grande multidão em Minab.
Analistas dizem que se o ataque dos EUA for confirmado, poderá tornar-se uma das vítimas civis mais mortíferas envolvendo forças dos EUA no Médio Oriente em décadas.




