A aposta da PIMCO na Oi brasileira entrou em uma nova era política

  • Depois de converter dívida em capital e já ter detido cerca de 40%, PIMCO é acusada de moldar o conselho e a gestão da Oi para favorecer a recuperação de credores em detrimento da estabilidade corporativa

  • A briga gira em torno da participação de 27,2% da Oi na V.tal – a Oi quer uma oferta em dinheiro, enquanto um grupo de credores liderado pela PIMCO quer ficar com o ativo por meio de baixa de dívidas.

  • Os tribunais apreenderam notas relacionadas à PIMCO vinculadas a processos trabalhistas, a Oi está processando por suposto abuso de controle e o resultado poderia estabelecer limites à influência dos credores em uma grande reestruturação

por Jarrett Banks

Conhecida como PIMCO, construiu pela primeira vez a sua posição em 2016 na empresa brasileira de telecomunicações Oi (a palavra portuguesa para ei), o país estava num clima político e financeiro muito diferente.

O Brasil emergiu da recessão sob o presidente Michel Temer, que, como resultado, fez de tudo para atrair capital estrangeiro para o país. Esta postura manteve-se geralmente durante a administração de Jair Bolsonaro, com a venda de activos, a flexibilidade da reestruturação e a assertividade dos credores vistas em grande parte como uma solução necessária para um sector empresarial altamente endividado.

Quase uma década depois, esse ambiente mudou. Sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tom político do Brasil tornou-se menos receptivo às estratégias agressivas dos credores e mais orientado para preocupações trabalhistas, sociais e de interesse público. Neste contexto, o longo envolvimento da PIMCO na reestruturação da Oi tornou-se o foco de uma crescente batalha jurídica e de governação.

A PIMCO, que já foi um grande credor e um acionista de cerca de 40% após a conversão da dívida em capital durante a reestruturação judicial anterior da Oi, desempenhou um papel influente na definição da direção da empresa. Os críticos argumentam que a influência foi além da supervisão normal dos credores. Os documentos judiciais mostram que a administração apoiada pela PIMCO levou à nomeação do novo conselho de administração e da equipa de gestão, enquanto a empresa continuou a ser um detentor de obrigações significativo, criando o que os oponentes descrevem como um conflito entre a recuperação de credores e a estabilidade empresarial.

Essas tensões estão agora a surgir em torno do ativo remanescente mais valioso da Oi: a sua participação minoritária de 27,2% na V.tal, a plataforma de infraestrutura digital desmembrada da Oi em 2021. A V.tal possui a maior rede de fibra independente do Brasil e representa a joia da coroa no património da Oi. Um administrador nomeado pelo tribunal agendou um leilão das ações para 5 de março, estabelecendo um preço mínimo de cerca de 2,4 mil milhões de dólares e exigindo propostas apenas em dinheiro para garantir um processo transparente e competitivo.

Um grupo de credores liderado pela PIMCO, agindo por meio do administrador UMB Bank, recorreu desses termos. O grupo afirma que os detentores de notas deveriam poder comprar a propriedade cancelando a dívida em vez de pagar em dinheiro. A Oi alega que tal estrutura efetivamente contornaria a intenção do leilão, permitiria que os credores garantissem o imóvel com desconto e poderia desencorajar outros licitantes.

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