O que está em jogo enquanto o Nepal se dirige para as suas primeiras eleições desde a revolta da GenZ que derrubou o regime de Oli

Poucos imaginam uma grande reviravolta que tiraria do poder um governo governante e levaria uma geração considerada “sem importância” nas redes sociais. No entanto, no ano passado, no Nepal, quando a geração Z ou GenZ liderou um protesto histórico, o acontecimento tomou um rumo inesperado.

Mais de 70 pessoas foram mortas em dois dias de protestos que forçaram a demissão do então primeiro-ministro KP Sharma Oli e abalaram o fraturado sistema político do Nepal. (REUTERS)

A proibição de sites de redes sociais desencadeou um dos maiores protestos que o país já viu, com 74 mortos e muitos feridos, enquanto vários edifícios, incluindo o parlamento, foram incendiados.

No entanto, a proibição das redes sociais não foi o único motivo dos protestos. A disparidade na vida das pessoas comuns e das pessoas ligadas aos políticos do país irritou a GenZ, que então marchou pelas ruas de Katmandu e entrou em confronto com a polícia.

Meses depois de o ex-primeiro-ministro KP Sharma Oli ter sido deposto e o ex-chefe de justiça Sushila Karki ter liderado um novo governo interino, cerca de 19 milhões de pessoas no Nepal deverão votar em novas eleições na quinta-feira, 5 de março.

Ainda há muito a ver nas eleições no Nepal, cujo resultado na sexta-feira determinará o quanto a revolta da Geração Z realmente afetou a política do país.

Apelo por “nova energia”

Passaram meses desde a revolta da GenZ no Nepal, mas a influência dos jovens continua forte antes das primeiras eleições no país desde então. Os jovens líderes chamam a atenção dos seus principais rivais e prometem um renascimento da economia do país, enquanto os habitantes locais apelam à mudança e à “nova energia”.

KP Sharma Oli, que foi forçado a renunciar após protestos em massa no ano passado, está detido em sua casa em Jhapa pelo ex-prefeito de Katmandu, Balendra Shah, um rapper de 35 anos que se tornou político conhecido como Balen.

“Tivemos alguns anos difíceis com a antiga liderança e precisamos de nova energia”, disse à AFP o motorista de ônibus Pawan Jha, 50 anos, enquanto participava do comício de Shah em Jhapa. “Os protestos foram importantes para a mudança.” Balen representa o Partido Rastriya Swatantra (RSP) e continua a ser um símbolo de esperança para a juventude no Nepal.

Desemprego, preocupações econômicas

As preocupações económicas permanecem no Nepal mesmo depois de o governo Supremo ter estado fora do poder durante vários meses. Segundo relatórios, o Banco Mundial estima que 82% da força de trabalho do Nepal tem emprego informal, com um PIB per capita de 1.447 dólares em 2024.

A maioria dos jovens é forçada a procurar trabalho no estrangeiro. “Os jovens deveriam trabalhar aqui e ganhar a vida, não fora do país”, a publicação citava um vendedor que procurava resolver o problema do desemprego no país.

Partidos-chave na luta

Balen não é o único partido que atrai a atenção no Nepal. Os dois partidos, que fizeram parte do governo deposto no ano passado e enfrentaram o descontentamento público, também estão neste debate. Eles são o Congresso do Nepal e o Partido Comunista do Nepal (Partido Marxista-Leninista Unido).

Além disso, o Partido da Independência Nacional, fundado em 2002, também recebeu apoio significativo nos últimos meses.

Balen não é o único que atrai o voto dos jovens. Gagan Thapa, de 49 anos, do Congresso do Nepal, também tem imensa influência entre os jovens e disse à AFP que quer acabar com o clube da “idade” dos líderes veteranos.

O futuro político de Sushila Karki também continua por ver. Ele foi empossado para liderar um governo provisório após os protestos da GenZ. Na sua última mensagem ao povo, não só pediu-lhes que votassem em grande número, mas também apelou à “paz e harmonia” e a “liderar o país no caminho da estabilidade política e da prosperidade”.

Todos os olhos estão agora voltados para qual partido vencerá após a eleição. No entanto, os analistas prevêem que nenhum partido obterá a maioria absoluta.

(Com contribuições da AFP)

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