As principais economias africanas estão a impulsionar o crescimento da procura de stablecoins, sugere investigação

Por Colin Goko

JOANESBURGO (Reuters) – As maiores economias da África, Nigéria e África do Sul, estão gerando o maior crescimento na demanda por stablecoins e são as mais otimistas quanto ao seu potencial, revelou uma pesquisa, com muitos usuários também querendo que elas se tornem mais amplamente aceitas.

As stablecoins prometem formas mais rápidas e baratas de movimentar dinheiro nos países mais pobres, mas como 99% delas, incluindo as dominantes Tether e USDC, estão indexadas ao dólar, também levantam preocupações sobre a dolarização económica e a fuga de capitais.

A pesquisa, intitulada Stablecoin Utility Report e conduzida pela YouGov com as empresas de criptografia BVNK, Coinbase e Artemis, obteve a opinião de mais de 4.650 pessoas de 15 países que possuem ou planejam possuir stablecoins ou criptomoedas.

O uso de moedas hoje é principalmente para transferência de dinheiro entre mercados de criptomoedas. Quase nove décimos das transações de stablecoin estão relacionadas ao comércio de criptografia, enquanto apenas 6% são para pagamento de bens ou serviços, estimou o BCG em um relatório do ano passado.

Preferência por pagamentos STABLECOIN

O relatório, que também constatou uma procura crescente por stablecoins noutros países emergentes, como a Índia, mostrou que mais de metade dos inquiridos aumentaram as suas participações em stablecoins no ano passado, com as economias emergentes a registarem as tendências mais fortes.

Quase 80% dos entrevistados na Nigéria e na África do Sul já possuíam stablecoins, mostraram os dados, com mais de 75% deles pretendendo aumentar ainda mais as suas participações no próximo ano.

Entre os não proprietários, a intenção de começar a deter moedas estáveis ​​era cerca de duas vezes mais elevada nas economias de rendimento baixo e médio do que nas economias de rendimento elevado, com 95% dos inquiridos nigerianos a afirmar que preferiam receber pagamentos em moedas estáveis ​​em vez de naira.

“As pessoas já estão sendo pagas e gastando stablecoins, especialmente quando os pagamentos tradicionais são lentos, caros ou não confiáveis”, disse Chris Harmsa, cofundador da BVNK.

Mas eles também estão “procurando integrar-se mais às suas ferramentas financeiras existentes”, acrescentou.

Uma ameaça à política monetária

Globalmente, o mercado de stablecoin está avaliado em mais de US$ 310 bilhões, dominado por tokens vinculados aos EUA, como Tether (US$ 185 bilhões) e USC (US$ 75 bilhões). Espera-se que o mercado se expanda ainda mais após movimentos regulatórios nos EUA, como a Lei GENIUS.

Contudo, os banqueiros centrais das economias emergentes permanecem cautelosos. Temem que as moedas estáveis ​​possam drenar os depósitos bancários locais, minar a política monetária e, ao mesmo tempo, facilitar a fuga de capitais.

O governador do banco central da África do Sul, Lesetja Kganyago, apontou para uma potencial vantagem, citando taxas de transferência tão elevadas como 30 dólares para enviar 100 dólares para o vizinho Moçambique, uma lacuna que as moedas estáveis ​​poderiam ajudar a resolver.

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