Várias tentativas de assassinato em Al-Shara, na Síria, Ministros: Un | notícias notícias

Um relatório do secretário-geral Guterres revela que o grupo ‘Saraya Ansar al-Sunna’ tentou matar Ahmed al-Shara e altos membros do gabinete no ano passado.

De acordo com um relatório das Nações Unidas, o presidente sírio Ahmed al-Shara e dois dos seus principais ministros foram alvo de cinco tentativas fracassadas de assassinato por parte do ISIL (ISIS) no ano passado.

O documento, divulgado quarta-feira pelo Gabinete de Contra-Terrorismo da ONU, sublinha a ameaça contínua representada pelo grupo armado, que alegadamente está a utilizar organizações de fachada para desestabilizar o governo de transição da Síria.

Segundo o relatório, os planos de assassinato visaram al-Shara, o ministro do Interior, Anas Hassan Khattab, e o ministro das Relações Exteriores, Asad al-Shaibani. Embora a ONU não tenha fornecido datas específicas para os ataques fracassados, observou que estes ocorreram no norte de Aleppo – a província mais populosa do país – e na província de Deraa, no sul.

‘Negação visível’

O relatório da ONU identificou os perpetradores como um grupo denominado “Saraya Ansar al-Sunna”.

Especialistas em combate ao terrorismo avaliaram a unidade como uma frente para o ISIL, projetada para fornecer “negação visível” aos combatentes, ao mesmo tempo que oferece “capacidade operacional aprimorada” para atacar alvos de alto valor sem envolver imediatamente a liderança central.

O relatório alertou que os esforços eram mais uma prova de que o grupo estava “a explorar activamente os vazios de segurança e a incerteza” para minar o novo regime sírio.

Al-Shara, antigo líder do grupo armado Hayat Tahrir al-Sham, assumiu a liderança da Síria após a deposição do antigo Presidente Bashar al-Assad em Dezembro de 2024, pondo fim a uma guerra civil de 14 anos. O seu governo juntou-se oficialmente à coligação internacional contra o EIIL em Novembro.

Uma ameaça constante

Apesar de perder a sua base territorial, o ISIL mantém uma presença subterrânea significativa. Especialistas da ONU estimam que o grupo tenha cerca de 3.000 combatentes no Iraque e na Síria, a maioria dos quais baseados na Síria.

O grupo tem como alvo principal as forças de segurança, particularmente no norte e nordeste da Síria.

A letalidade destas células adormecidas foi destacada numa emboscada perto de Palmyra, em 13 de dezembro de 2025, na qual dois soldados dos Estados Unidos e um civil americano foram mortos. Três outros americanos e três membros das forças de segurança sírias ficaram feridos.

Em resposta ao ataque em Palmyra, o presidente dos EUA, Donald Trump, lançou operações militares destinadas a eliminar os combatentes do ISIL na região.

Transferência de prisioneiros

A situação de segurança é ainda mais complicada pela situação difícil de milhares de detidos. Após um acordo de cessar-fogo com as forças lideradas pelos curdos, o governo sírio assumiu o controlo de extensos campos que albergam suspeitos do EIIL e as suas famílias.

Em Dezembro, mais de 25.740 pessoas permaneciam nos campos de Al-Hol e Roj, no nordeste da Síria. A ONU destacou a dimensão humanitária da crise, observando que mais de 60 por cento dos residentes do campo são crianças.

No final de Janeiro, os militares dos EUA começaram a transferir para o Iraque os detidos do EIIL capturados no nordeste da Síria, com Bagdad a prometer interrogar os militantes para garantir que permanecem em instalações seguras.

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