Ainda não amanhecia quando o dono do carro refez seus passos em Rosario de Lerna, no bairro de San Martín, em Salta, e percebeu que algo não estava como ele havia deixado. O veículo, que estava devidamente estacionado e protegido, foi arrombado e o interior ficou em mau estado. O aparelho de som estava faltando no console. No banco do motorista, um detalhe perturbador: ferro vermelho e resíduo de cigarro. O incidente, ocorrido na madrugada de sábado, levou não só à prisão do suposto autor do furto, mas também à inusitada ação de indiciar e prender a pessoa que compraria o item furtado poucas horas após o crime.
O caso está sendo investigado pela Promotoria Criminal de Rosário de Lerma, responsável Daniel Escalante, que acusou provisoriamente um homem de 24 anos de roubo simples e um homem de 30 anos de ocultação, recebendo;. O caso começou com a denúncia da vítima e rapidamente evoluiu com um aspecto que costuma ficar em segundo plano neste tipo de ocorrência: o período posterior ao roubo e a responsabilidade criminal de quem adquire bens de origem ilegal.
Segundo o documento, o proprietário do automóvel disse que durante a manhã deixou o carro estacionado na via pública e ao regressar constatou que o mesmo tinha sido arrombado. O interior carecia de aparelho de som e outros elementos. Ao mesmo tempo, chamou a atenção a presença de objetos estranhos na cabine, o que indica que o criminoso agiu com certa pressa e deixou rastros.
Após o protesto, os policiais realizaram trabalhos de investigação na área. Os primeiros passos envolveram entrevistar vizinhos e solicitar câmeras de segurança privadas. Encontrado nesta estrutura a presença de uma câmera instalada nas proximidades, cuja gravação foi analisada com autorização do proprietário. As imagens foram fundamentais. neles foi visto como um homem se aproxima de um carro estacionado e entra em seu interior.
Com base na análise do material fílmico e nos procedimentos subsequentes, os investigadores conseguiram identificar o suposto autor do roubo. O suspeito recuperou a liberdade no mesmo dia, mas posteriormente foi localizado próximo ao bairro São Jorge.onde ele estava vestindo roupas que combinavam com as imagens da câmera de segurança.
Antes de se deslocar, o homem fez uma manifestação espontânea, que mudou o rumo da investigação. Ele garantiu que havia vendido o aparelho de som roubado. Esta informação abriu uma segunda linha de trabalho para roubos deste tipo menos frequentes, com o objetivo de saber quem adquiriu os bens e em que circunstâncias.
Com essa informação, os policiais foram até a casa no mesmo bairro. Lá, um parente do segundo O acusado entregou voluntariamente um aparelho de som cujas características coincidem com as relatadas pela vítima. O item foi apreendido e incluído como prova no processo.
Paralelamente, foi realizada uma inspeção visual do carro acidentado. De acordo com o relatório correspondente, foram constatados danos no console central, cabos soltos e isolamento danificado na área do sistema de áudio. Tudo foi documentado por meio de registros fotográficos e ações oficiais que passaram a fazer parte do arquivo investigativo.
Com os elementos recolhidos: a gravação do filme, a identidade do alegado autor, a descoberta do objecto furtado e a ligação de terceiro à sua aquisição, A promotoria percebeu que há evidências suficientes para agir contra ambas as partes. Neste contexto, o procurador criminal Daniel Escalante solicitou a manutenção da detenção. tendo em conta que um dos arguidos roubou bens de um veículo através de violência contra as coisas e o outro obteve bens através de crime contra o património.



