Paula Cahen d’Anvers conta como sua vida mudou após o câncer

Símbolo de estilo, criadora de marcas poderosas, Paula Cahen d’Anvers tem um nome famoso, mas uma vida muito tranquila. Pioneira na colonização de areias tranquilas e remotas (há 34 anos, com o ex-marido Federico Alvarez Castillo, fundou seu rancho de verão em Rocha, no Uruguai), ela descreve seu presente feliz, o amor na idade adulta, a concretização do fim após um episódio de saúde e a importância de se reconectar com a voz adormecida.

Paula, a menina que vende a sua marca homónima, não olha com saudade para montras ou montras, porque compreendeu imediatamente: ele continua a criar. Com o ex-marido se dedica à moda, à arte com pincéis coloridos, tem um novo amor. “Conseguimos ampliar a família e nos reinventar. Tenho orgulho de ter conseguido”, afirma.

-Pioneiro em Rocha, uma pequena fazenda de praia que no início nem tinha energia elétrica…

– Sim, foi uma loucura linda que continua até hoje, mas de uma forma diferente. Estou do outro lado da Baía Garzon. Quando compramos com o Federico não houve transição. A jangada desapareceu e, claro, a ponte também. Dirigimos pela areia porque tínhamos um carro adequado para isso. Nós fomos e voltamos lá. Nós nos apaixonamos pelo lugar e nunca nos importamos com nada. Tinha um ranchinho onde fizemos algumas reformas e pronto. Vivemos muito tempo sem luz. Obviamente sem vizinhos ou salva-vidas, de frente para o mar.

Paula em sua exposição Suave na Galeria de Arte Contemporânea Cecilia CaballeroGentileza

– Eles ainda não tiveram filhos?

– Ele tinha Josephine de um casamento anterior. Depois vieram Luna e Indalecio. E todos se encaixaram perfeitamente porque era um ótimo projeto. Eles cresceram passando os verões no meio do oceano. Obviamente era preciso ter muito cuidado. Mas conseguimos educá-los sobre a natureza, levando uma vida simples, longe de todo luxo material. Porque o verdadeiro luxo era o infinito, ter o mar só para nós. Hoje tudo está mudando e devemos admitir que tudo está se civilizando. Mas quem está tirando o que vivemos?

– Há alguns anos você passou por um problema de saúde, se divorciou, vendeu sua marca… O que você vê quando olha para trás?

– Isso eu poderia. E também, eu me reinventei. O câncer foi o golpe mais chocante e mais forte que experimentei. O que estou prestes a dizer parece um clichê, mas em algum momento sinto que não teria mudado as coisas que mudei se não tivesse acontecido comigo. Tal tapa me fez ver a vida de uma perspectiva diferente. Hoje me sinto mais rico e completo. Sou uma pessoa complexa e isso me desarmou e me tornou mais rico e completo. Agora estou tentando coisas diferentes, estou mais curioso e me dou mais permissão.

– Você também abriu o caminho espiritual.

– Eu não acreditava em nada, era totalmente ateu. Agora também não sou religioso, mas apareceu a parte espiritual. Acredito no poder da vida e acredito que o que ela me traz é para mim. Trabalho a aceitação e quando sinto medo porque parece inevitável, associo isso à confiança. Sempre tive convicção de que seria curado e comemorei o amor que tinha ao meu redor. Família e amigos eram importantes. Entendi que Deus existe e senti o poder que passou por mim.

– E como se não bastasse, vocês se separaram.

– Mas uma década depois. Ainda era muito forte e muito doloroso. Eu chorei e disse para mim mesmo. “Ninguém me avisou que isso era tão, tão errado.” Até que reencontrei um amigo muito querido, que eu via tão bem, tão mudado. Ele recomendou um lugar chamado Soul Reunion, e lá comecei um caminho que envolvia meditação. Nunca pensei que ficaria viciado nisso, muito menos me apaixonaria por ele novamente.

– Não era essa a intenção?

– Não, e muito menos conhecer alguém tão rapidamente. Queria ficar um pouco sozinho, mas você não controla nada. A comunicação nos une a Javier (Campos). É uma pessoa com quem posso ter longas conversas de todos os tipos, alguém que me permite relaxar nele. Adoro como é fácil com ela porque ela não é neurótica nem complicada. Sempre boas vibrações, do tipo que te conta. “Obviamente, sim, vamos.”

– Com seu ex você tem uma família mesclada e também no trabalho.

– Sim, chegamos a esse conjunto e também conseguimos nos reinventar. Acho que é legal e estou orgulhoso de ter conseguido. Agora Federico tem outro filho com a nova esposa e está tudo muito bem. Trabalhamos juntos com muita paixão na Black Label. Eu administro o universo feminino e ele, além da parte masculina, é o diretor geral. Existe respeito, independência e autonomia. Nós nos administramos muito bem e isso é muito bom para as crianças. É saudável mostrar que o amor é transformador, que pode ter vários lados.

Paula com seus filhos Indalezzo e Luna

– Você conseguiu, mas nem sempre acontece. Existem escândalos famosos.

– Acho que o segredo é se cercar de gente inteligente, de códigos. Meu companheiro tem sua história, sua ex, seus filhos. E todos nós nos respeitamos. Temos filhos na empresa e está tudo ótimo. Pessoalmente, sou zero escândalo. Às vezes me perguntam se sei o que está acontecendo com alguém e não tenho ideia. Não uso fofocas ou assuntos atuais. Às vezes fico chocado com o quão ignorante sou. Mas há muito tempo descobri que o que não me fazia bem estava lá fora. Eu nem leio. Se algo não me alimenta ou não me faz feliz, qual é o sentido?

– Tem o estilo da Paula, com certeza. Você se considera um pioneiro do luxo silencioso?

– Não sei. Para mim, o luxo que me atravessa é a qualidade, as coisas que duram no tempo. É verdade que não sou estranho e prefiro menos, bem, o oposto moda rápida. Gosto de comprar uma boa camiseta listrada e usá-la durante anos dizendo: “Lá vem a Paula com sua camisa listrada”. Mas ainda respeito tudo. Está tudo bem que somos diferentes.

“Para mim, o luxo que passa por mim é a qualidade, as coisas que duram no tempo.”

– Você também foi um grande embaixador do preto e branco. Tudo preto, tudo branco…

– Sim, mas gosto muito de cores. E quando comecei a pintar, me conectei mais com eles há alguns anos. É outra nova faceta que me deixa feliz. Estar preso a pintar, a expor, a poder me expressar através da arte me deixa feliz e muito emocionado.

– Você se veste com sua marca diariamente?

-Constantemente, absolutamente em tempo integral. Outro dia olhei e vi que 90% do meu guarda-roupa é minha marca. Isso me faz sentir confortável e bonita. Depois tenho coisas de fora e muito vintage.

– Foi difícil para você ver lojas com o seu nome e não ser mais dono da marca?

– No começo me causou muito barulho, foi muito difícil vender porque era meu bebê. Mas foi difícil dizer não. Hoje não olho mais para nada porque não tenho influência e estou com meus projetos. Não faz sentido, é isso. É uma marca e eu sou a Paula.

– Você sempre defendeu o estilo natural. Impressionado ao ver tantos rostos na mistura?

– Sim, não estou acostumada. Não gosto desse estilo de beleza feito. Sou fiel ao que é natural e estou pessoalmente feliz. Obviamente, tem dias que olho para alguma coisa e digo: “que cruel!” Mas não tenho meu foco aí. Isso porque venho de uma mãe de 86 anos que é maravilhosa, adora aniversários, é sábia e uma inspiração. Ele sempre me disse que a vida fica cada vez melhor. E estou aderindo a isso. Se ele diz isso, que assim seja.

– Existe alguém esperando na vida?

– Não estão esperando, mas sim experiências que espero. Não tenho ideia do que minha vida se tornará. Não planejei pintar e estou pintando. Sou fascinado pela natureza, pela ecologia, pelo mundo delicado. Projetos são vida, e se não forem planejados e entrarem em você, te vencem bem, siga sempre em frente.


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