Por que a Tailândia votará em 8 de fevereiro para decidir sobre uma nova constituição

BANGCOC: As eleições gerais da Tailândia, em 8 de fevereiro, também pedirão aos eleitores que decidam se devem substituir a carta de 2017 por uma nova constituição.

O referendo é o resultado de uma luta de décadas entre o establishment monarquista pró-militar e os movimentos políticos democráticos populares.

Os defensores da mudança dizem que a actual carta apoiada pelos militares consolida o poder não eleito e mina os controlos democráticos e os direitos civis.

O que é um referendo?

A votação perguntará: “Você concorda que deveria haver uma nova constituição?” E pode selecionar “Sim”, “Não” ou “Sem comentários”.

Uma votação maioritária “sim” daria ao parlamento um mandato geral para começar a redigir uma nova carta nacional.


Um voto maioritário “não” teria deixado intacta a actual Constituição, que entrou em vigor em 2017 depois de ter sido elaborada por um comité nomeado pelos militares na sequência do golpe de 2014.

Dois referendos anteriores, em 2007 e 2016, diferiram do exercício iminente, pois procuravam a aprovação de projectos redigidos após golpes militares.

Por que isso é importante?

Desde o fim da monarquia absoluta em 1932, a Tailândia teve 20 constituições. A maioria das mudanças seguiu-se a golpes militares, 13 dos quais foram bem sucedidos nos últimos 94 anos.

Os críticos dizem que a Constituição de 2017 concentrou o poder em instituições não democráticas, enfraqueceu o governo popular e limitou a descentralização do poder e os controlos e equilíbrios significativos.

No seu centro está o Senado, ou câmara alta do parlamento, cujos 200 membros são eleitos através de um processo complexo de eleições indiretas, com pouca participação pública, permitindo que grupos políticos poderosos influenciem a sua composição.

O Senado tem um papel de supervisão na legislatura e detém poderes importantes, incluindo a dissolução de partidos políticos e a proibição de líderes eleitos da política, a nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional e outros órgãos não eleitos com grande influência política.

O empoderamento de tais órgãos não eleitos em detrimento dos eleitos, dizem os críticos, resulta de uma luta de duas décadas entre o establishment conservador apoiado pelos militares e os movimentos políticos populistas, principalmente aqueles associados ao antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

A Carta limita amplamente os direitos e liberdades civis, submetendo-os à segurança do Estado e à moralidade pública.

Quem são os apoiadores e opositores da emenda?

A maioria dos principais partidos políticos, incluindo o Partido Bhumjaithai, no poder, e o Partido Popular, da oposição, e Pheu Thai, apoiam a alteração constitucional e exortam os seus seguidores a votarem “sim” no referendo.

No entanto, Bhumjaitai diz que as mudanças não devem afetar as disposições da carta da monarquia.

Os oponentes da mudança vêm principalmente de figuras ultraconservadoras e de partidos como o pró-militar Partido da Nação Unida da Tailândia, que apoiou o ex-chefe militar Prayuth Chan-ocha, mas desde então perdeu influência, conquistando apenas 36 dos 500 assentos nas últimas eleições.

Quais são os próximos passos?

Se os eleitores “sim” vencerem, o novo governo e os legisladores poderão iniciar o processo de alteração no parlamento, incluindo mais dois referendos necessários para ratificar a nova constituição.

A primeira tarefa será definir o quadro e os princípios fundamentais para o processo de elaboração, bem como identificar os responsáveis ​​pela redação da carta.

Um segundo referendo buscará então a aprovação do processo. Se for seguro, será necessário um terceiro referendo para aprovar o projeto finalizado.

Especialistas dizem que o processo levará pelo menos dois anos após o primeiro referendo.

Se o referendo de 8 de Fevereiro falhar, os legisladores poderão propor alterações à Carta em artigos individuais do Parlamento.

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