Com sua compostura imutável, Orlando Gil Osvaldo Soriano entra na sala de imprensa do Estádio Pedro Bidegain São Lourenço. Ele parece cansado depois de muitos treinos de Damian Ayude e sua comissão técnica. O goleiro de mais de um metro e oitenta veio das divisões inferiores do clube paraguaio San Lorenzo e foi parar no gol do Ciclon, da Argentina, por acaso, mas hoje é um dos jogadores que quase garante vaga na escalação de Gustavo Alfaro para o confronto da Copa do Mundo com EUA, México e Caneiro. Em meio a uma crise institucional, ele é um dos pilotos de tempestade do time que, apesar disso, consegue ser competitivo e dar luta no torneio Apertura que acaba de começar. Há poucos dias completou o primeiro ano de contrato com o Ciclón, com quem assinou até o final de 2027.
Com alguns goles de água para combater o calor, Gil vai passar para a atualidade, a carreira no Paraguai, o início no futebol, a família que sempre o acompanha e as mudanças físicas e psicológicas; do cara que brincava com praticamente ninguém ao dono de um dos maiores clubes da Argentina e jogador indiscutível do lançamento oficial do Lan-2. em 2026
– Como você está e como é a equipe?
– Tivemos um bom período de pré-temporada e nos preparamos bem. O Lanus está muito bem e embora tenhamos lutado e chegado perto do empate, saímos chateados com o resultado. Mas tudo o que fizemos para chegar aqui foi ótimo.
– Tirando algumas derrotas e alguns acréscimos, o mais importante foi manter a base do time do ano passado.
– Foi isso que o DT solicitou. Mantenha uma base e procure jogadores com hierarquia. Com isso sairemos para competir e isso é muito importante.
– É claro que você é o goleiro titular do Ayude, embora Navas e Knoppert tenham jogado antes. Não veio nenhum, mas a competição com Altamirano e Devecki mais caras esperando a chance é boa. Como você convive com isso, dada a necessidade constante de reivindicar ou morar no Arco de San Lorenzo?
-Você deve completar a tarefa do atalho aqui. Na época passada tive o apoio do Miguel Angel Russo e isso foi muito importante. ele apostou em mim e eu coloquei minha camisa para lutar por esse gol. A competição é saudável com (José) Devequi, (Facundo) Altamirano e Mateo Clemente. Não há ciúme do outro.
– No dia 20 de janeiro completou-se um ano de sua assinatura com o clube, pois mesmo aqueles amistosos foram encerrados em 2025 sem contrato. Como você avaliaria este primeiro ano de San Lorenzo?
– 2024 quando cheguei foi difícil, mas me ajudou a entrar no ritmo. Aqui é tocado muito rápido e se você relaxar fica difícil. Isso me ajudou a conseguir uma curta passagem pelas reservas e no início do ano passado, na pré-temporada, no Uruguai. Esse ano inteiro foi bom para eu me acalmar, com posse, acho que estou aproveitando ao máximo.
-Onde você entende o seu maior crescimento entre aquele Gill de 2024 até hoje?
– Minha vida mudou radicalmente. Fisicamente e mentalmente também. É difícil para mim me adaptar ao novo, é difícil falar hoje de iodo como o resto, mas nada para ver nos primeiros dias. Foi também uma mudança física. aqui tudo é diferente e eu não estava acostumada. Os trabalhos me ajudaram muito.
– Como é o seu dia a dia? Você se exercita pela manhã e faz algo leve à tarde?
– Propus para esse ano, não um turno duplo, porque a carga horária aqui já é enorme, mas uma miragem (NdeR: trabalho de resposta), quando acabar essa sequência de jogos, vamos começar por ela. São exercícios que complementam a sua preparação.
– Você sempre foi goleiro ou se desenvolveu em outras áreas do campo?
– Comecei como “6”, entre 10 e 12 anos. Quando era mais jovem, ele era atacante. E no dia 13 fui até o gol e fiquei, não saí mais. Nessa idade, o “San Lorenzo do Paraguai”, que na época estava na terceira divisão, me viu e me contratou. Um dia cheguei na escolinha de futebol e me perguntaram se eu queria ir para o gol ou jogar fora, e eu falei para a professora que tentaria o gol sem problemas e… fiquei. No começo foi bastante difícil para mim e até pensei “O que estou fazendo aqui?” mas não havia como voltar atrás.
– E como foi a primeira etapa, até você dominar aquela projeção de estar no portão?
– Assisti muitos vídeos, nesses anos adorei Victor Valdes, Iker Casillas… faltei à escola para ir treinar, e minha mãe me desafiou, mas me adaptei. E quando passei de liga para profissional, a forma como eu trabalhava mudou radicalmente, etc., em uns dois meses acelerei; tudo foi muito rápido, mas a grande mudança aconteceu quando tive a oportunidade de jogar na seleção sub-17 do Paraguai, onde fiz uma boa campanha e tive a sorte de jogar.
– Você fala da seleção, com que frequência conversa com Gustavo Alfaro? Você faz isso com ele ou com o treinador de goleiros? Como você lida com a ansiedade quando a Copa do Mundo está tão próxima?
– Falo duas vezes por mês com Diego Carranza, treinador de goleiros do Alfaro, mas nem tanto com o professor com quem conversei no final de 2025. Conversamos sobre como estou, como trabalhei, para corrigir os erros. Na Marcha FIFA vamos focar nesses dois jogos e sei que estou perto da Copa do Mundo. Mas estou totalmente focado em fazer uma boa campanha aqui em San Lorenzo com a enorme programação de jogos que temos. Minha cabeça fica aqui até me ligarem, tudo tem seu tempo.
– Hoje você é titular indiscutível, mas acabamos de falar de coincidências e você lembrou que foi zagueiro antes de ser goleiro. o que o quarterback do Orlando diria para aquele cara hoje?
– Ficarei muito grato por essa decisão, pois entrar no time foi quase uma brincadeira, mas levei a sério, e aqui estamos, então o agradecimento será para sempre.
Olhando para trás, o que você lembra do seu início?
– Muitas lembranças vêm à mente. Quando minha mãe me insultou por faltar à escola. Ficarei muito feliz que ele esteja presente, vendo o que vivo, mas a vida é assim, e ele me acompanha lá de cima e me dá sorte, sempre serei grato pelo que ele faz e fez por mim.
– Como é voltar para casa e sustentar sua família quando sua esposa e filho estão esperando por você?
– Ele é muito importante. 50% da minha vontade é por causa dele. Ele me manteve baixo, ficou em casa e me ajudou muito. O que sou é por causa dele. Ele cometeu muitos erros por mim e tudo graças a ele.
– Quão importante é para você perceber que o que sua esposa está fazendo agora e o que sua mãe fazia era definitivamente uma coisa positiva, certo?
– É óbvio. Abri os olhos e disse que tenho um grande futuro, mas tenho que me concentrar em muitas coisas, fazendo a minha parte para ser o que sou hoje.
– Você está falando com (José Luis) Chilavert?
– Conversamos por ocasião das férias, olá. Cada vez que comemos ou nos vemos, ele me dá muitos conselhos. Somos diferentes, está claro. Estou mais tranquilo, ha, mas ele me diz que se vou marcar, tenho que fazer, que ninguém me diz o que fazer e tenho que ter determinação. Ele é uma pessoa muito boa.
– Em San Lorenzo você falou em competição saudável, mas você vê algo parecido no Paraguai, certo?
– Os arqueiros chamados sempre têm essa competição. A decisão será de Alfaro, como ele considera. Roberto Fernandez é um grande goleiro, espero que possamos estar juntos na Copa do Mundo, seria ótimo.
– Você assiste muito futebol? Quem você acha que é o melhor artilheiro do mundo?
– Depende do horário, porque eu durmo, mas sim, costumo assistir. Não tenho preferência porque são todos muito bons e há uma razão para estarem ali. Mas seria bom subir ao palco e jogar contra Espanha ou França, será uma experiência difícil, mas agradável.
– O que é isso para o San Lorenzo em 2026?
– Nós coletamos o melhor para nós mesmos. Os boosters estão se unindo e prestes a crescer. Faremos uma campanha muito boa como a da temporada passada e espero que possamos deixar a torcida feliz.



