Por que Donbass é importante enquanto a Rússia, a Ucrânia e os EUA iniciam negociações tripartidas importantes

As negociações entre a Rússia e a Ucrânia começaram em Abu Dhabi com a mediação dos Estados Unidos, e Donbass foi uma questão fundamental nas negociações trilaterais.

O Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan (C), conversa com os chefes das delegações que participam nas conversações trilaterais entre os EUA, a Rússia e a Ucrânia, que decorrem nos Emirados Árabes Unidos, no Palácio Al Shati, em Abu Dhabi. (AFP)

As negociações acontecem um dia depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyi, lançou em Davos, na Suíça, a inação da Europa para acabar com a guerra após a invasão da Rússia em 2022. Zelensky também disse que um potencial acordo de paz está “quase pronto”, mas destacou alguns pontos difíceis, como questões relacionadas a questões territoriais. Ele também disse durante um encontro a portas fechadas com o presidente dos EUA, Donald Trump, que a reunião correu bem e que tanto a Rússia quanto a Ucrânia estavam “fazendo concessões” para acabar com a guerra.

As questões regionais não resolvidas continuam a ser uma preocupação particular para um acordo de paz, com Zelensky a chamar a questão de quem controla a região de Donbass, no leste da Ucrânia, como “chave”, segundo o relatório.

Por que o Donbass é um ponto de discórdia?

Donbass, uma região do leste da Ucrânia e uma exigência de longa data de Moscovo, era que Kiev entregasse as partes sob o seu controlo. As duas regiões ricas em carvão do leste da Ucrânia, Donetsk e Luhansk, fazem parte da região de Donbass. A província é rica em minerais e possui terras agrícolas férteis. É conhecida pela produção de aço e está ligada ao Mar de Azov por rios e canais artificiais.

Enquanto Putin quer assumir o controlo da região, Zelensky mantém-se firme.

“É tudo uma questão da parte oriental do nosso país, é tudo uma questão de terra”, disse Zelensky, citado pela CNN. Zelensky deixou claro em Davos que a Ucrânia não quer ceder parte do seu território à Rússia.

Espera-se que a questão seja a parte mais difícil das negociações, já que Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, deixaram claro na quinta-feira que a Rússia não está pronta para um compromisso.

Segundo relatos, Ushakov disse que “não é possível esperar um acordo de longo prazo sem resolver a questão territorial”.

O porta-voz russo, Dmitry Peskov, disse também que Moscovo já esclareceu a sua posição e que Kiev deveria retirar as suas forças da região de Donbass.

Negociações trilaterais nos Emirados Árabes Unidos

Os enviados norte-americanos Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, participarão nas conversações nos Emirados Árabes Unidos, que terminarão no sábado. Da Ucrânia, Rustam Umerov, Presidente do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia; Andrii Khnatov, Chefe do Estado-Maior; e Kirilo Budanov, chefe do gabinete presidencial, participam nestas negociações.

A delegação russa será liderada pelo chefe da inteligência militar, almirante Igor Kostyukov, juntamente com outros membros do Ministério da Defesa, informou a AP, citando o Kremlin, que não forneceu detalhes sobre os parceiros da Rússia nas negociações. O enviado de Putin, Kirill Dmitriev, também participa nesta reunião.

Antes das negociações, a Ucrânia disse que a Rússia realizou ataques que mataram três pessoas na região de Kharkiv e quatro pessoas no leste. Posteriormente, a Rússia intensificou os seus ataques ao sistema energético da Ucrânia, cortando a electricidade e o aquecimento nas principais cidades, incluindo Kiev.

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