Citação de Parmênides: ‘Não deixe que o hábito, nascido de uma longa experiência, o obrigue a usar a visão, a audição ou a língua’

Parmênides de Elia foi um antigo filósofo grego que viveu no início do século V a.C. na cidade de Elia, localizada no atual sul da Itália. Ele é considerado um dos pensadores pré-socráticos mais influentes e o fundador da escola eleática de filosofia. Parmênides é mais conhecido por sua ideia revolucionária de que a realidade ou “ser” é imutável, indivisível e eterno, e que toda mudança percebida através dos sentidos é uma ilusão. Ele apresentou suas ideias em um poema filosófico intitulado On Nature, no qual argumentava que a razão, e não a experiência sensorial, era o único caminho confiável para a verdade. O seu trabalho teve uma influência profunda sobre filósofos posteriores, incluindo Platão e Aristóteles, e moldou o curso da metafísica ocidental, forçando os pensadores a confrontar questões fundamentais sobre a existência, a mudança e o conhecimento.

Uma de suas famosas citações é: “Não deixe que o hábito, nascido de uma longa experiência, o obrigue a usar a visão, a audição ou a língua”.

O significado da citação de Parmênides

Esta declaração de Parmênides na Aelia desafiou as suposições mais básicas que os humanos fazem sobre a realidade. Numa época em que as pessoas confiavam nos seus sentidos para explicar o mundo – o que viam, ouviam e sentiam – Parménides fez uma afirmação radical: os sentidos enganam-nos. Segundo ele, a verdadeira compreensão não vem do hábito, da percepção ou da crença popular, mas da razão.

O significado desta citação é aparentemente simples, mas profundamente perturbador. Parmênides adverte contra confiar cegamente na experiência sensorial apenas porque parece familiar ou porque funcionou para nós no passado. “Visão, audição e língua” simbolizam como os humanos absorvem e repetem informações – o que vemos, o que ouvimos dos outros e o que dizemos sem reflexão. O hábito, quando não questionado, torna-se um tirano silencioso. Isso nos convence de que o que parece verdade deve ser verdade.

Imagine uma pequena cidade costeira onde os pescadores durante gerações acreditaram que o mar terminava no horizonte. Todos os dias eles zarpam, veem a mesma linha onde o céu encontra a água e voltam para casa convencidos de que o mundo para aí. Um jovem marinheiro, porém, começa a duvidar dessa certeza herdada. Ele percebe que sua fé não se baseia na lógica, mas na repetição – no que seus olhos lhe mostram e no que os mais velhos sempre lhe disseram. Quando finalmente navega além da linha familiar, descobre novas terras, provando que o horizonte não é uma borda, mas o limite da percepção.


A citação de Parmênides fala diretamente a este momento de despertar. Ele nos obriga a fazer uma pausa e perguntar: estou pensando ou apenas repetindo? Entendo ou confio em meus sentidos porque eles são confortáveis? Na vida moderna, este aviso parece mais relevante. As notícias, as redes sociais e a opinião popular moldam o que vemos, ouvimos e dizemos. Com o tempo, esses padrões se consolidam em hábitos e os hábitos se tornam “verdades”.

Parménides convida-nos a abandonar este modo de vida mecanicista. Ele nos lembra que a sabedoria começa quando questionamos o óbvio. O verdadeiro conhecimento, na sua opinião, não é barulhento nem imediato – é calmo, racional e muitas vezes perturbador. Ao resistir ao hábito e à determinação dos sentidos, damos o primeiro passo em direção a uma compreensão mais profunda. Num mundo repleto de informações, este antigo aviso ainda sussurra: pense com cuidado ou simplesmente deixe-se limitar pelo que parece verdade.

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