WASHINGTON – Apesar dos bombardeios na Venezuela e do cativeiro do ditador que detinha o poder em Caracas, A Casa Branca insiste que os EUA não levaram a cabo uma operação militar. Donald Trump criou um quadro político e jurídico muito específico desde o início. O que aconteceu não seria uma guerra ou intervenção militar contra um Estado soberano, mas sim uma operação de “lei e ordem”. pretende ser implementado Uma decisão judicial pendente contra Nicolás Maduro.
Esse raciocínio não é retórico ou improvisado. Isso é uma construção deliberada que persegue vários objetivos ao mesmo tempo. o primeiro evitar a obrigação legal de notificar o Congresso com antecedência Ao abrigo da Resolução sobre Poderes de Guerra de 1973, que exige notificação quando o presidente compromete as forças armadas com hostilidades ou cenários que possam levar a conflitos armados prolongados. Outro, evitar atritos políticos internos, o que significaria a aceitação de uma nova guerra na América Latina; especialmente perante um eleitorado republicano profundamente doutrinado pelo Iraque e pelo Afeganistão.
A tese central da administração Trump é que Nicolás Maduro tem sido tratado não como um chefe de estado inimigo, mas como um fugitivo da justiça americana. Em março de 2020, um grande júri federal no Distrito Sul de Nova York Ele foi acusado de terrorismo de drogas. Conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos e armas de crimes de guerra. Esse caso permanece aberto e acarreta sanções Eles podem pegar prisão perpétua. Para a Casa Branca, o que aconteceu não foi um acto de guerra, mas o culminar de uma acusação criminal de quase seis anos.
Desse ponto de vista, Washington afirma que Não houve mudança de regime no sentido político ou militar, mas sim prisão de pessoa procurada pela justiça. para ser julgado junto com sua esposa nos EUA. Não se trata de derrubar um governo estrangeiro, trata-se de executar um mandado de prisão contra uma pessoa específica, mesmo que essa pessoa detenha o poder no seu próprio país.
Nessa base, A administração Trump afirma que a Resolução dos Poderes de Guerra não é aplicável a este caso. Segundo sua interpretação, não houve introdução de tropas para hostilidades prolongadas, ocupação de territórios e campanha militar aberta. A ação foi limitada no tempo, com um propósito único e fechado. garante a prisão e remoção do acusado. O uso da força, segundo este relatório, era acessório e operacional, não estratégico.
Trump reforçou esse quadro ao enfatizar que a operação Foi realizado “em conjunto com as autoridades policiais”. e que as medidas militares utilizadas foram fundamentais para proteger os agentes responsáveis pela execução da ordem judicial e garantir a sua saída do país. Nesta lógica, a utilização de bombardeiros, helicópteros ou unidades de elite não transforma automaticamente uma operação em guerra, tal como outras operações de captura de líderes criminosos ou terroristas no estrangeiro não são apresentadas como operações policiais com apoio militar.
A Casa Branca também se baseia no Artigo II da Constituição. o que dá ao presidente amplos poderes como comandante-chefe para proteger o pessoal dos EUA de ameaças iminentes. Após acionar ordem judicial de alto risco, executivo dá respaldo O Presidente pode autorizar o uso da força necessária para fazer cumprir o cumprimento sem a necessidade de autorização específica do Congresso. desde que não provoque interferências prolongadas.
Este raciocínio não elimina as contradições, nem dentro nem fora dos EUA. Para muitos governos e advogados, bombardear alvos num país estrangeiro De facto, enquadra-se numa operação militar. Mas Washington insiste que a chave não está nos meios utilizados, mas no propósito, âmbito e duração. Apresentar a ação como uma ação de aplicação da lei contra um acusado específico. A Casa Branca procura proteger-se legalmente e reduzir os custos políticos internos. Nessa versão, A captura de Maduro não é o início de uma guerra, mas o encerramento forçado de um processo judicial que está aberto há anos.
* Espanha do jornal ABC




