A medida abre activos essenciais ao investimento privado, à medida que a PetroPeru enfrenta perdas e dívidas crescentes.
Publicado em 2 de janeiro de 2026
O governo do Peru aprovou um decreto de emergência que permite o investimento privado em partes da empresa petrolífera estatal PetroPeru, à medida que as autoridades se movimentam para estabilizar uma empresa sobrecarregada por perdas e dívidas crescentes.
O presidente José Jeri anunciou a decisão pouco antes do início do novo ano.
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A medida permite que a PetroPeru se reorganize em uma ou mais unidades imobiliárias, abrindo as portas para a participação privada em operações importantes. Isto inclui a principal refinaria de Talara, que recentemente passou por uma atualização de US$ 6,5 bilhões.
Além da refinaria, a PetroPeru opera ou possui concessões com uma rede nacional de distribuição e comercialização de combustíveis, com produção limitada a seis blocos de petróleo bruto.
Em comunicado, o Ministério de Minas e Energia do Peru afirmou que procurará “garantir o cumprimento das obrigações financeiras através da gestão técnica dos seus ativos, lançando as bases para que a Petroperu se torne uma empresa autossustentável”.
O ministério disse que a posição financeira da empresa era “particularmente delicada”, citando perdas acumuladas de 479 milhões de dólares entre janeiro e outubro de 2025, bem como dívidas a fornecedores totalizando 764 milhões de dólares em dezembro.
Esses números se somam ao prejuízo de US$ 774 milhões relatado no ano anterior.
A pressão financeira da PetroPeru é agravada pela dívida ligada à modernização da refinaria de Talara, que acabará por custar o dobro da estimativa original e fará com que a empresa perca a sua classificação de crédito de grau de investimento em 2022.
Desde então, o governo interveio repetidamente para apoiar a organização, fornecendo quase 5,3 mil milhões de dólares em financiamento entre 2022 e 2024.
A empresa, considerada crítica para a segurança energética do Peru, também enfrentou escrutínio ambiental.
As autoridades declararam uma “emergência ambiental” e lançaram uma investigação depois de um derrame de petróleo ao longo da costa norte do país em 2024 ter afectado cerca de 47 a 229 hectares (cerca de 116 a 566 acres).
O esforço de reestruturação da PetroPeru ocorre em meio à contínua instabilidade política no Peru. Vários presidentes não conseguiram completar mandatos completos nos últimos anos, incluindo Dina Boluvarte, que sofreu impeachment pelo Congresso em Outubro.
Seu sucessor, Jerry, lutou por uma liderança estável na PetroPeru, nomeando três presidentes do conselho em apenas três meses.
A medida ocorre num momento em que o Peru enfrenta volatilidade política, incerteza económica e pressão pública para uma supervisão mais forte das instituições estatais.


