- 6:00 minuto leitura‘
Naquela tarde de outubro, a rotina de um morador de Pompéia parou em frente a uma lata de lixo. Quando ele levantou a tampa para jogar fora a sacola, a realidade retornou uma imagem comovente. o corpo de um cachorro apareceu no lixo.. Imóvel, com metade do corpo enfiado num saco de lixo preto, aguardava o fim que parecia inevitável sob a tampa fechada.
Quando os vizinhos conseguiram salvá-lo e retirar a embalagem, o horror ganhou uma nova dimensão. O cachorro não conseguia se mover sozinho, por isso rastejou. “O Eric, que a salvou, entrou em contato comigo pelo WhatsApp, deram meu contato para ele. Quando vi a foto dentro do container. Foi inevitável não começar a chorar“Eu disse a eles para mantê-lo seguro até que eu chegasse”, lembrou María José Sierra, uma das voluntárias de Santa Ramona Protetora que se envolveu.
Uma vez segura, foi transferida para Ingeniero Maschwiec, onde começaria sua nova vida com Belén em uma casa de trânsito. O diagnóstico veterinário foi um choque de realidade. magreza extrema, infecções de ouvido e pernas quebradas – provavelmente o resultado de um acidente passado que nunca foi tratado. A decisão médica foi definitiva. Alma nunca mais andaria.

“Alma Ele não tem mais chance de recuperar sua mobilidade.mas o tratamento é vital para aliviar a dor e evitar que os membros fiquem rígidos. Ele não tem controle do esfíncter, por isso é ajudado pelo esvaziamento da bexiga três vezes ao dia e não precisa usar fralda”, explica María José Sierra. Dez minutos de exercícios manuais por dia em casa fazem a diferença entre flexibilidade e dormência. Além disso, o especialista frequenta sessões semanais de fisioterapia e ozonioterapia.
Mas as consequências de Alma não são apenas físicas. Ficar preso na escuridão do contêiner, consciente de sua incapacidade de se mover e escapar, deixou uma marca invisível: extrema ansiedade de separação. Alma não pode ficar sozinha. O pânico do abandono ressurge cada vez que uma pessoa sai de vista.
“Não sabemos quantas horas ele passou lá, sabendo que não poderia sair”, disse o abrigo. “Ele é um cachorro com um visual muito meigo.ele procura sempre estar acompanhado. Desde o primeiro minuto ele foi muito mimado. Agora ela está no carro com Mika, e seus amigos sempre param para acariciá-la. Infelizmente, ele nunca soube ficar sozinho. ele ficou desesperado, jogou tudo ao seu alcance e não descansou. Ele está passando muito mal e até machucou as patas de tanto rastejar ou se lamber”, explica Maria José.
Apesar das dificuldades, Alma aprendeu a gostar de passear no trenó puxado por cães. Mika o leva até a praça onde ele se diverte comendo grama ou girando. É por isso que sua busca por adoção é especial. Alma precisa de uma família presente, de alguém que entenda que a sua companhia é o seu remédio mais importante..
Embora o caso de abandono permaneça aberto, sem testemunhas ou câmeras que tenham capturado o momento em que ela foi abandonada, o caso de Alma atingiu um marco histórico. Graças à intervenção da associação civil Santuario Jaulas Vacías, do advogado Matias Trufero e de Federico Sordo de Cascote, a distribuição do cão macanaudo, a Justiça declarou-o “sujeito de direitos”.
Esta distinção legal reconhece Alma não como uma “coisa” ou propriedade, mas como um ser senciente com direitos a ser protegido pelo Estado.. É um passo de gigante na jurisprudência argentina, nascido no canto mais sombrio de um bairro de Buenos Aires.

“Inicialmente, apresentamos denúncia por violação da Lei 14.346, que pune crueldade e crueldade contra animais. Depois, em conjunto com a Associação Civil Santuario Jaulas Vacías, nos apresentamos como denunciantes, acompanhando as provas e solicitando algumas medidas, como câmeras de segurança do GCBA, além de revelar os dados dos vizinhos.”
Paralelamente, exigia-se que Alma fosse considerada sujeito da lei. “Nos baseamos em uma visão antiespécie do direito e nos apoiamos na jurisprudência que já declarou animais de diversas espécies como sujeitos de direito. Sandra, Cecília, Lluvia e Gitana estão entre esses casos”, explica o advogado.
“Isso implica que o cão seja considerado não como objeto, mas como sujeito com caráter de vítima de crime, conforme dispõe o artigo 1º da Lei 14.346. Ainda não conseguimos identificar o criminoso, então. Quem viu algo ou sabe de alguma informação, por favor nos avise. para que a investigação continue seu curso e quem jogou Alma no lixo seja finalmente punido”, afirma o especialista com firmeza.
De Santa Ramona, eles têm o compromisso inabalável de que quem adotar Alma não estará sozinho na responsabilidade financeira. O abrigo tem o compromisso de patrocinar a fisioterapia e as despesas de transporte vitalício de Alma.
“Sabemos que é muito caro adotar um cachorro adulto e muito menos um cachorro com essas características. Nunca deixamos de sonhar que em algum momento alguém escolherá Alma com os olhos do coração. Ele é um cachorro incrível que passou por isso por causa de pessoas irresponsáveis e mal intencionadas. É preciso paciência e muito amor, faremos todo o possível para reverter o apego que você tem para que você possa passar algum tempo sozinho. E a família que escolher terá o nosso apoio, não queremos que suas despesas sejam um obstáculo para a adoção. Muitos de nós temos o mesmo sonho, ver a Alma adotada”, pensa Maria José, entusiasmada.
Por isso procuram uma família que o aceite com o seu carrinho, os seus exercícios diários e, sobretudo, a sua constante necessidade de amor. Alma já mostrou que tem forças para sobreviver ao impensável; Agora resta alguém lhe mostrar que desta vez ninguém fechará a tampa.
Eu compartilhei uma história
Se você tem uma história de adoção, resgate, reabilitação ou ajuda a um animal em risco e deseja contar sua história, envie um e-mail para bestiariolanacion@gmail.com.





