A doutora Ana Angelova Volponi, diretora de odontologia regenerativa da KCL, disse que a pesquisa poderia “revolucionar o atendimento odontológico”. O estudo também sugere que, embora alguns animais, como tubarões e elefantes, possam desenvolver novos dentes ao longo da vida, os humanos só recebem um conjunto quando adultos. A estrutura biológica permite que as células “se comuniquem” como fazem durante a formação natural dos dentes, o que é crucial na construção de um tecido dentário funcional e realista. De acordo com os pesquisadores, esse material dentário desenvolvido em laboratório se integrará ao osso maxilar, completo com nervos e ligamentos – algo que os substitutos sintéticos existentes, como implantes e dentaduras, não conseguem replicar totalmente.
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Por que isso é importante?
Por exemplo, se você perder um dente permanente hoje devido a cárie ou lesão, o tratamento geralmente envolve implantes, pontes ou dentaduras. Embora estas soluções sejam eficazes, são sintéticas e podem ter desvantagens a longo prazo. Isso ocorre porque dependem de materiais sintéticos, de intervenção cirúrgica e muitas vezes requerem manutenção a longo prazo.
Mas, por outro lado, os dentes biológicos cultivados em laboratório podem ajudar a evitar muitos destes problemas, restaurando uma estrutura dentária mais natural, reduzindo o risco de rejeição e melhorando a função dentária. Isso reduzirá os riscos de desgaste, falha ou rejeição a longo prazo que acompanham a substituição artificial.
Como funciona um andaime de biomaterial?
A principal inovação é uma estrutura à base de hidrogel – um polímero macio e rico em água – que imita o ambiente natural em que os dentes se desenvolvem. Em experimentos, descobriu-se que células epiteliais e mesenquimais (inicialmente derivadas de embriões de camundongos) interagiam dentro da estrutura para iniciar o processo de desenvolvimento dentário. Os cientistas estão atualmente explorando dois caminhos clínicos possíveis para sua aplicação: transplantar células imaturas formadoras de dentes (“brotos dentários”) no osso maxilar de um paciente e permitir que cresçam;
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Depois que todo o dente é cultivado em laboratório, ele é implantado cirurgicamente. Cada método apresenta desafios: o crescimento na boca reduz a cirurgia, mas é difícil de controlar, enquanto os dentes cultivados em laboratório permitem maior controle, mas exigem integração cirúrgica precisa.
Quais são as limitações?
Apesar do progresso, a tecnologia ainda está em sua infância. Os testes mais recentes utilizaram células de modelo animal ou mistas (rato-humanas), e não células adultas totalmente humanas. Os dentes projetados ainda não possuem o desenvolvimento completo de estruturas-chave – eles ainda não possuem vasos sanguíneos completos, redes nervosas, esmalte ou raízes maduras.
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A integração com a mandíbula de um paciente exige a superação de vários obstáculos: os cientistas devem permitir que os dentes cultivados em laboratório se conectem adequadamente aos nervos, vasos sanguíneos, ligamentos periodontais e ossos. O crescimento dos dentes a partir das células do próprio paciente é ideal para a não rejeição, mas dimensionar esse processo para uso generalizado é complicado.
Se a tecnologia se desenvolver ainda mais, poderá mudar todo o campo da odontologia. Em vez de reparar os dentes com materiais artificiais, os dentistas podem concentrar-se na regeneração e na restauração biológica. No longo prazo, cultivar um novo dente a partir de suas próprias células pode ser tão comum quanto obturações hoje. Embora o uso clínico generalizado demore mais, alguns especialistas acreditam que poderemos ver os primeiros testes em humanos dentro de uma década.




