#DiadoPodcast – Conheça a história da mídia podcast

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Origem

Em 2004, a distribuição de arquivos com “programas de áudio” não era novidade. Contudo, para um internauta ouvir um desses arquivos, precisava, a cada nova “edição”, acessar o site que o hospedava, fazer o download para seu computador e, só aí, ouvi-lo. Houve algumas experiências voltadas ao download automático de arquivos de áudio, mas geralmente ligadas a empresas que também eram responsáveis pela geração de conteúdo, buscando lucro direto.

Como havia dificuldade de lucrar com o sistema, essas experiências eram deixadas de lado depois de algum tempo. Com a profusão de aparelhos portáteis reprodutores de arquivos de áudio, notadamente os de formato MP3, surgiram várias novas ideias de como automatizar o acesso ao conteúdo de audioblogs e demais programas de áudio. O método que mais teve sucesso foi a possibilidade desse download ocorrer automaticamente através de programas chamados “agregadores”, utilizando uma tecnologia já empregada para blogs: o RSS (Really Simple Syndication).

garoto segurando o logo do feed rss | história do podcastO RSS é uma maneira de relacionar o conteúdo de um blog de forma que seja entendido pelos agregadores de conteúdo. Isso é possibilitado através dos chamados “feeds”,que trazem o conteúdo do blog codificado de maneira que esses programas compreendam e possam apresentar as atualizações automaticamente para os usuários que cadastraram o feed de seus blog preferidos. Com isso, o usuário recebe cada novo conteúdo automaticamente, não precisando mais visitar cada site para ver se já foi atualizado (GEOGHEGAN; KLASS, 2007). Para que o RSS também funcionasse com arquivos de áudio, foi necessário criar um “enclosure”, maneira de se anexar um arquivo a um RSS, apresentando o endereço onde ele está hospedado para que o agregador faça seu download automaticamente.

Em 2003, Dave Winer criou esse “enclosure” para que o jornalista Christopher Lyndon pudesse disponibilizar uma série de entrevistas na internet. Segundo Mack e Ratcliffe (2007), esse sistema só foi utilizado da forma como entendemos hoje como podcasting em 2004, quando Adam Curry desenvolveu uma forma de transferir o áudio disponibilizado através do RSS para o agregador iTunes a partir de um script de Kevin Marks. Essa forma de transferir o áudio criada por Curry foi chamada de RSStoiPod (já que o agregador iTunes é utilizado para sincronizar arquivos de áudio do computador com o iPod) e foi disponibilizada para que outros programadores a utilizassem livremente.

A partir daí, vários outros agregadores começaram a fazer o download automatizado de arquivos de áudio. Esse sistema foi denominado podcasting. O nome fora sugerido em fevereiro de 2004 por Ben Hammersley, no jornal The Guardian, para definir a forma de transmissão das entrevistas de Lyndon e acabou sendo adotado posteriormente para o novo sistema de transmissão de dados. Embora faça referência direta ao iPod, o podcasting não ficou limitado a esse reprodutor de mídia digital, sendo desenvolvidas posteriormente formas de associá-lo a quaisquer aparelhos. Os programas de áudio distribuídos através do podcasting passaram a ser denominados podcasts.

Podcasting no Brasil

No Brasil, segundo Silva (2008), o primeiro podcast foi o Digital Minds, de Danilo Medeiros, iniciado em 21 de outubro de 2004. O programa surgiu a partir do blog homônimo, devido ao desejo do autor em se diferenciar dos blogs que existiam então. Embora vários blogs brasileiros publicassem arquivos de áudio, esses arquivos não se caracterizavam como podcast pela impossibilidade de se assinar o programa via RSS. Em 15 de novembro do mesmo ano, surgiu o Podcast do Gui Leite, criado pelo podcaster que dá nome ao programa. Na primeira edição, foi explicada a intenção de se fazer o podcast para testar esse tipo de tecnologia. É o mais antigo podcast brasileiro que ainda é produzido regularmente.

Em dezembro de 2004 ainda surgiram os podcasts Perhappiness, de Rodrigo Stulzer, e Código Livre, de Ricardo Macari, respectivamente nos dias 3 e 13. No ano seguinte, vários outros programas estrearam, muitos inspirados nesses primeiros representantes brasileiros na mídia podcast. Em 2005 foi organizada a primeira edição da Conferência Brasileira de Podcast (PodCon Brasil), primeiro evento brasileiro dedicado exclusivamente ao assunto, nos dias 2 e 3 de dezembro em Curitiba, Paraná. O evento foi organizado por Ricardo Macari e patrocinado pela Kaiser e Eddie Silva. Durante a PodCon 2005, foi organizada a Associação Brasileira de Podcast (ABPod), tendo sido indicado para presidente o podcaster Maestro Billy, aceito por unanimidade. Contudo, apesar do promissor crescimento da mídia podcast, ainda em 2005 ocorreu o chamado “podfade”: o fim de vários podcasts no Brasil e no mundo pelas mais diversas razões.

O fenômeno continuou até o início de 2006, adiando projetos como o Prêmio Podcast e novas edições da PodCon. Em meados de 2006, com poucos remanescentes da “primeira geração” de podcasters ainda publicando, vários novos podcasts surgiram e a mídia voltou a ter um crescimento, especialmente a partir de 2008, quando o Prêmio iBest, então um dos principais prêmios brasileiros voltados à internet, incluiu a categoria “podcast” para julgamento exclusivo por voto popular, tendo como vencedor o Nerdcast, seguido por Rapaduracast e Monacast, todos representantes dessa “nova geração” (os dois primeiros surgiram em 2006 e continuam sendo produzidos regularmente, já o Monacast foi produzido entre janeiro de 2008 e setembro de 2009).

Também em 2008 foi realizada a primeira edição do Prêmio Podcast, organizada por Eddie Silva, sendo a primeira premiação exclusiva para podcasts, com várias categorias de votação popular e júri oficial, recebendo grande divulgação nos próprios podcasts. O prêmio Best Blogs Brazil, especializado em premiar blogs, também acrescentou a categoria “podcast” em sua edição de 2008, tendo como vencedor o podcast Mondo Palmeiras, dedicado ao time de futebol que dá nome ao programa.

Por fim, em 2008 também houve a primeira edição da PodPesquisa, a primeira ação voltada a analisar o perfil dos ouvintes brasileiros de podcast. A pesquisa contou com 436 respostas e foi novamente realizada em 2009, dessa vez com 2.487 questionários válidos. Em 2009, vários novos podcasts surgiram e a tendência é de crescimento, embora haja preocupações sobre a possibilidade de um novo “podfade”. Um indicativo desse crescimento são os vários portais dedicados exclusivamente à divulgação de podcasts, como Meupodcast, Podpods e TeiaCast, que contam com centenas de programas cadastrados. Além disso, também foi ao ar em 27 de fevereiro o episódio piloto do Metacast, programa voltado exclusivamente para falar sobre podcasts, com dicas para iniciantes e questões técnicas gerais sobre o assunto, estimulando a criação de novos programas.

PODCAST escrito em letras metálicas com alto falantes acima

Características do podcasting

Para que todo o sistema em que o podcasting se baseia funcione, são necessários vários processos trabalhando conjuntamente. A simples publicação de arquivos de áudio em uma página da internet, por si só, não pode ser classificada como podcasting e, consequentemente, esses arquivos não podem ser caracterizados como podcasts, mesmo que possuam várias edições e periodicidade.

Segundo Vanassi (2007), o sistema podcasting apresenta determinadas características. Uma delas é a produção. Para se produzir um podcast não é necessário conhecimento técnico avançado ou investimentos muito altos. Em teoria, para se produzir um podcast é necessário somente um computador equipado com um microfone, fones de ouvido e uma placa de áudio com capacidade de gravação e reprodução de sons. Para isso, basta que o usuário capture o áudio e crie um arquivo de som para ser disponibilizado na internet (MEDEIROS, 2005). Outra característica do podcasting são os tipos de arquivo.

Para se publicar podcasts na rede, os arquivos de áudio dos programas não podem ser muito grandes (em volume de dados), pois os ouvintes precisam copiá-los para seus computadores e nem todos contam com conexões suficientemente rápidas para fazer downloads longos em um período de tempo aceitável. Para resolver essa questão, foram criados mecanismos de compressão de dados que reduzem o tamanho dos arquivos de áudio. Esses mecanismos geram arquivos comprimidos, com menor volume de dados, sem afetar muito a qualidade dos sons.

O formato de arquivo mais comum encontrado nos podcasts é o MP3, que é um arquivo comumente lido e reconhecido pela maioria dos tocadores portáteis de áudio, ou MP3 players. Para se criar arquivos de áudio nesse formato é necessário o uso de softwares específicos que comprimam ou que já gerem arquivos nessas condições. Um exemplo de programa que supre essa necessidade é o Audacity, que pode ser copiado gratuitamente na internet. Além de gravar em MP3, o Audacity permite a edição de áudio de forma simples. Contudo, não há regra a respeito do formato de áudio a ser utilizado. Vários podcasts utilizam outros formatos, como o AAC, que, embora gere um arquivo final de tamanho maior que o MP3, permite, entre outras coisas, uma qualidade de som melhor, a divisão do áudio em “capítulos” e a incorporação de links e imagens ao arquivo.

A desvantagem é que nem todos os reprodutores de mídia digital conseguem “ler” esse formato ou utilizar plenamente seus recursos, o que faz com que alguns podcasts possuam feeds independentes para versões em MP3 e AAC de seus programas (GUANABARA, 2009). Mais uma das características definidas por Vanassi (2007) é a disponibilidade. Os podcasts devem estar disponíveis publicamente na internet e facilmente acessíveis, pois uma das principais características do podcasting é a liberdade oferecida para o ouvinte poder baixar e escutar os programas disponibilizados quando quiser. Para isso, cada programa produzido deve ser hospedado em um servidor ligado à internet, onde ficará disponível para download. Mantê-los em um servidor pago poderia tornar o processo proibitivo para produtores amadores, pois quanto mais arquivos hospedados mais caro o serviço, mas existem possibilidades gratuitas de se hospedar seu podcast.

Logo do beyondpodOutra característica é o acesso, já que cada vez que um podcast novo vai ao ar, os ouvintes devem ser informados que ele foi publicado. Para que isso aconteça de forma automática é utilizado um arquivo RSS assinado em um agregador, que faz o download automático do programa assim que ele é lançado. Como citado anteriormente, essa é uma das principais características que definem os podcasts (PRIMO, 2005). Esses arquivos podem ser feitos manualmente por quem publica o podcast, mas também existem formas automatizadas para isso, utilizando programas (conhecidos como plugins) nos próprios sites ou blogs de divulgação. O mais conhecido deles é o PodPress, que é disponibilizado gratuitamente para uso.

Quem não tem um blog e quer fazer um feed com facilidade, pode também utilizar um serviço gratuito, como Huffduffer . A tecnologia do feed é muito utilizada para a distribuição de notícias em portais de jornalismo online ou blogs de notícias. Na prática, para os podcasts funciona da seguinte maneira: durante intervalos predefinidos, um programa agregador procura arquivos de podcasts nos feeds presentes em cada RSS cadastrado. Após encontrar um podcast novo, esse software pode copiá-lo para o computador ou diretamente para um dispositivo (player ) portátil. Uma vez armazenado, pode-se ouvir o podcast, onde e quando se desejar (MEDEIROS, 2005).

Podcasting e demais tecnologias de distribuição de conteúdo

Como dissemos anteriormente, simplesmente postar um arquivo na internet não o torna um podcast. Muito menos simplesmente disponibilizá-lo para download em um blog ou site. O grande diferencial ou característica marcante de um podcast é a presença de um feed RSS. Originalmente, o podcasting foi criado para suprir a falta de conteúdo a ser distribuído via iTunes para os usuários do iPod. A ferramenta RSStoiPod, já citada, se utilizava da tecnologia do feed RSS para usar o iTunes como agregador de novas formas de mídia, principalmente áudio. Por mais que um podcast seja mais que um “MP3 enviado via internet”, é justamente a possibilidade de baixar esse arquivo MP3 via feed RSS, independente do que venha agregado a ele, como textos, imagens ou links, que o torna diferente das outras mídias (ASSIS; SALES FILHO, 2009a).

Algumas pessoas podem argumentar que é mais fácil baixar diretamente do site ou blog que disponibiliza o arquivo, que eles não veem a necessidade de utilizar agregadores ou algum outro motivo para preferir não baixar via feed RSS, porém a falta dessa tecnologia compromete algumas das características e vantagens de um podcast. Segundo Medeiros (2005):

Microfone num pedestal

A grande inovação que o Podcasting propõe: o “poder de emissão” na mão do ouvinte. Com isso, não existe mais uma produção de conteúdo centralizado nas mãos de uma mídia. Cada usuário produz seu conteúdo descentralizadamente, disponibilizando-o na rede da melhor maneira que lhe convier.

Isso aponta para a questão central sobre o podcast: o ouvinte não é mais “refém” da imposição das mídias tradicionais. Diferentemente da radiodifusão, através da qual o ouvinte recebe passivamente as informações de áudio transmitidas através de ondas eletromagnéticas por uma central de distribuição e é recebida por um aparelho de rádio somente nos locais e momentos disponibilizados pela central de distribuição, o podcast é disponível a qualquer momento e a qualquer pessoa que assinou e baixou o arquivo. Ouvir um podcast não é como ouvir a uma rádio onde se diz, “o que será que está passando?”, mas é mais uma ferramenta criativa onde se diz “vou ouvir o que eu quero” (FRANCO, 2009).

Atualmente existe uma produção grande de programas de rádio via internet, as chamadas “web rádios”, que funcionam seguindo o modelo de radiodifusão, mas utilizando a internet como canal. Na prática, o que diferencia as web rádios das rádios tradicionais é somente o canal de transmissão. Mas o podcasting difere dessa forma de mídia não só pelo canal (que é o mesmo das web rádios), mas principalmente pela forma como a mídia e transmitida. As transmissões de rádio dependem de horário e local.

A radiodifusão tradicional depende de uma programação que segue um horário predefinido, acessível somente em locais onde as ondas eletromagnéticas são alcançadas, enquanto a web rádio Já o podcast, é um arquivo de mídia disponível para acesso 24 horas por dia, durante todos os dias do ano, enquanto o servidor estiver funcionando. Além disso, assinar um podcast possibilita que o arquivo de mídia esteja em sua posse, em seu computador, sem precisar pensar em baixá-lo, pois os programas agregadores fazem isso.

Uma tecnologia similar está sendo utilizada pelo público de sistemas de broadcasting estadunidense com a Teevo, que permite gravar um determinado programa quando ele é lançado para ser assistido em um momento futuro. Outra característica que associa o uso do feed com a liberdade do usuário é a possibilidade ativa de assinar ou “desassinar” um podcast em seu agregador. Enquanto os programas de televisão e de rádio transmitem seus programas da forma como eles preferirem, o usuário de podcast pode criar em seu agregador uma forma mais dinâmica, personalizada e livre para visualizar seus programas favoritos enviados via podcast.

Enquanto o broadcasting transmite o mesmo conteúdo a partir de uma central irradiadora para toda a massa, na rede o internauta deve ir buscar as informações que deseja. Essa é a diferença entre o que se convencionou chamar de tecnologias push (o conteúdo é “empurrado” até a audiência) e pull (o conteúdo é “puxado” pela audiência) (PRIMO, 2005).

O uso de feed permitiu que o podcast se tornasse uma ferramenta nova na divulgação de novos materiais. Basta o usuário estar conectado à internet e com seu agregador ligado para que ele receba em seu computador um programa para assistir quando e onde quiser. Ele não precisa mais correr atrás de programação ou se preocupar em verificar a atualização mais recente do blog que disponibiliza o podcast, já que ele recebe diretamente em seu computador somente os programas que lhe for de interesse (ASSIS; SALES FILHO, 2009b).

O podcast é uma mídia muito nova e ainda pouco explorada. Desde seu surgimento em 2004, muito foi feito, mas pouco foi estudado. São poucas as pesquisas acadêmicas que se dedicam a esse tema, mas mesmo assim são várias suas possibilidades.

As informações são do http://diadopodcast.com.br/historia/

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