Gotham e sua oscilante primeira temporada

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Venho acompanhando Gotham desde sua estreia, não semanalmente, deixava acumular quatro ou cinco episódios e assistia numa só toada. Mas a minha experiência de telespectador oscilou muito. Talvez esteja mal acostumado pelo formato de distribuição da Netflix. No entanto, a série teve seus altos e baixos, oscilando de arcos de história empolgantes a cenas desnecessárias. Muitos dizem que o número exagerado de episódios contribui para a perda de qualidade nos roteiros da trama, fato do qual discordo, pois existem séries ótimas em temporada longas.

Gotham adapta o cotidiano de uma cidade sombria e corrupta povoada por Políticos inescrupulosos, Máfia, Sociopatas e uma Polícia ineficiente antagonizando uma população conformada com a impunidade.

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Cidade de Gotham

A cidade é um dos pontos altos da série. Caótica, nublada e sombria. Lembra muito bem o clima sem esperança de justiça retratado nos Quadrinhos. Com uma população resignada com a criminalidade, a impunidade e  a corrupção dos agentes públicos. Volta e meia durante a temporada a cidade fica em evidencia mostrando a divisão em áreas de atuação da máfia, cracolândia, sem-teto, subúrbio, favelas e zona nobre.

GCPD – Polícia de Gotham

Encabeçado pelo Detetive James Gordon (Benjamim McKenzie), o núcleo da polícia é o ponto mais forte da série. Aqui temos uma polícia corrupta, desmotivada e emparelhada pelo estado corrupto com o prefeito James (Richard Kind) e o Comissário de Polícia Loeb (Peter Scolari) envolvidos com a Máfia de Don Carmine Falcone (John Doman) e Don Maroni (David Zayas). Como a corrupção vem de cima para baixo quase todos os policiais são corruptos, inclusive o parceiro de Jim, o Detetive Harvey Bullock (Donal Logue). Benjamim McKenzie tem uma atuação regular, não chega a atrapalhar o andamento da série. Mas para o bem da segunda temporada é melhor que ele melhore e encontre um padrão na personalidade de Jim Gordon. Muitas vezes (aí é culpa dos roteiristas) o detetive pratica atos incoerentes com a postura e personalidade de um policial inabalável. Alguns dos melhores embates da série foi o confronto do justo contra um sistema apodrecido pela corrupção, James Gordon começa a entender que o problema é muito mais profundo do que ele imaginava, o Prefeito James e o Comissário de Polícia Loeb são os mais corruptos e, a disputa contra eles dá uma profundidade boa a série.

Nesse núcleo temos a belíssima Barabara Kean (Erin Richards) e a Doutora Leslie Thompkins (Morena Baccarin) formando um triângulo amoroso com James Gordon. Atrizes muito bonitas e fracas na atuação, principalmente Erin Richards.

Aqui nesse núcleo ainda habita o futuro Batman (David Mazouz), talvez a pior resolução da série. Aqui os roteiristas tentam estabelecer todo tipo de vínculo de Bruce Wayne com Jim Gordon com motivo principal de resolução do caso do assassinato dos Waynes. O que deixa a série arrastada com cenas desnecessárias. Mostra um Batman mirim detetive, descobrindo um esquema de corrupção nas Indústrias Wayne, uma forçação de barra. Ainda tentam relacionar Bruce com futuros vilões como Selina Kyle (Camren Bicondova) e Ivy Pepper (Clare Foley). Mas nem tudo é ruim, a relação de Bruce Wayne com Alfred Pennyworth (Sean Pertwee) é bem dosada, com um peso mais afetivo, como se o mordomo fosse um novo pai. O que faz todo sentido sendo que Bruce é órfão e uma criança.

Máfia

Um ponto que poderia ter sido melhor explorado, A Família Falcone comanda Gotham em níveis de governo, polícia e criminalidade. Sua influencia é toda baseada aos moldes da Máfia italiana. Com seus Capos e soldados. Fish Mooney (Jada Pinkett Smith) é uma espécie de Capo do Don Falcone, o que destoa um pouco do código tradicional da Máfia por ela ser mulher. Ela é uma pedra de tropeço para o Falcone, pois quer ser a “Dona de Gotham“. Apesar de ter uma personalidade bem definida a Jada Smith não convence na atuação.

Outra Família forte em Gotham é a de Don Maroni, ele é o principal inimigo de Don Falcone. A série mostra a relação de cautela que essas famílias possuem, lembrando em pequenos momentos (mas bem pequenos mesmo) O Poderoso Chefão.

Vilões

Oswald Cobblepot (Robin Taylor), O Pinguim entra aqui em cena, primeiro como um lacaio de Fish Mooney, depois a trai e vai para o lado de Don Maroni, cresce e se torna capo, logo em seguida o trai e volta como Capo de Don Falconi. Mas seu principal objetivo é o mesmo de Fish, tornar-se o “Dono de Gotham“. A principio a atuação de Robin Taylor mostra um Pinguim que se faz de frágil, mas no fundo um exímio manipulador, mas ao decorrer da série a personalidade afetada e nonsense não convence. Como alguém tão instável pode comandar a criminalidade em Gotham? Ponto fraco da série, oscilou muito a qualidade do personagem em si, apesar de mostrar a evolução do vilão, indo de um simples lacaio a Dono da P@##@ toda. Sua personalidade poderia ser mais desenvolvida como cautela e força que são fatores bem fracos no vilão.

Aparece também na série Victor Zsasz (Anthony Carrigan) como principal matador de Don Falcone, carregado de seu sadismo e psicopatia. O Coringa (Cameron Monaghan) dá as caras na trama num episódio próprio e bem macabro resultado de um crime caótico.

Dos futuros vilões Harvey Dent (Nicholas D’Agosto), O Duas-Caras é o mais mal aproveitado. Ele é um promotor genérico, o diferencial é que ele joga a moeda, mas é só. Sua relevância para a temporada é quase insignificante.

Quase no fim da temporada entra em cena o Ogro (Milo Ventimiglia), um Serial Killer que trama contra Jim e Barbara, excelente arco de história.

Edward Nygma (Cory Michael Smith), o futuro Charada é, sem sombra de dúvidas, o vilão melhor retratado na série. Ele basicamente é o Nerd de antigamente, introspectivo, viciado em ciência e fixado em charadas, ou seja, o verdadeiro perdedor. Apaixonado por uma colega de trabalho que reluta em investir, até que muda de postura e passa ao ataque, o que resulta em acontecimentos decisivos para a formação do vilão.

Balanço Geral

Fazendo um balanço geral a série é boa e passa bem acima da média comparando com as demais séries de super-heróis como Arrow e The Flash. Mas também falta muito para alcançar o patamar de séries essenciais. Na minha opinião a inserção de muitos personagens acabou atrapalhando o ritmo da série. Não existe uma necessidade e retratar as crianças Bruce Wayne, Mulher-Gato e etc.

Apesar de ter dado o foco na corrupção da Polícia de Gotham e a Máfia, acho que poderia ter dedicado toda a primeira temporada nisso. Ficaria mais fácil a construção do Detetive James Gordon, deixando mais didático o roteiro e sem tanta gordura na história. Trama policial é o que não falta e faz uma diferença danada nos Quadrinhos. Investigação esbarrando na politicagem, o cotidiano dos policiais numa cidade extremamente violenta e criminosos loucos. Seria até melhor, colocaria os demais vilões aos poucos em outras temporadas. Não sei o que falta, as vezes os produtores se empolgam e tentam agradar todos os lados como o público comum, os fãs de Quadrinhos e as adolescentes em polvorosa. Fico com a impressão que falta um norte para a trama.

Contudo a série fica como indicação. Ainda mais para quem lia (ou ainda lê) Quadrinhos da DC, para os fãs do universo do Morcegão. Se tivesse que dar uma nota seria 7,5 Atômicos.

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