Resenha Atômica #1 – As Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell

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Fala Kalangada!

Estou aqui hoje para apresentar o mais novo projeto do KA: O Resenha Atômica!

A ideia é simples, periodicamente faremos resenhas de livros, quadrinhos,álbuns musicais, filmes, séries e etc. Resenhas em áudio! Isso mesmo, é só apertar o play e escutar uma ótima resenha sobre o melhor que há em todas essas categorias.

E para começar escolhi uma das melhores séries literárias na de romance histórico: As Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell.

Escute e divirta-se.

Caso queira ler a resenha na íntegra, deixo abaixo a transcrição:

Resenha Atômica #1 – As Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell

Enquanto o Ragnarok, o fim do mundo da mitologia nórdica não chega, Uhtred continua sua luta contra o povo que ele tanto amou.

E com sua espada, Bafo de Serpente sempre a mão, aguarda o dia em que as Norms, as senhoras que tecem o destino de todos à sombra de Yggdrasill, corte a sua teia, assim ele poderá se banquetear e lutar eternamente com os mais bravos guerreiros no Valhala. O majestoso e enorme salão situado em Asgard, dominado pelo deus Odin.

Lá Uhtred espera encontrar os inimigos que morreram por suas mãos a quem, mesmo tendo lutado com eles na temida Barreira de Escudos até a morte, ele aprendeu a admirá-los. Mas, aos párias, aos covardes e aos inimigos desprezíveis que também tombaram por sua espada, ou por sua faca, Ferrão de Vespa, resta apenas Niflheim onde a Estripadora de Cadáveres devora os mortos.

Essas são as Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell, a história de Uhtred , que era filho de Uhtred, cujo pai também se chamava Uhtred, não, não é loucura, é apenas uma tradição dos senhores de  Bebbanburg. Mas, não é apenas a história de um homem, pelo contrário, os olhos de Uhtred são as lunetas pelas quais enxergamos o nascimento da Inglaterra que no primeiro livro “O Último Reino” é um amontoado de territórios cristãos e independentes guerreando entre si, e que se deparam e precisam se unir contra um inimigo verdadeiramente terrível: Os pagãos dinamarqueses.

Uhtred é apenas uma criança quando os Senhores (Earl’s) dinamarqueses iniciam a tentativa de conquista de toda a ilha inglesa, e já no início perde seus pais, sua família, sua terra e é levado por Ragnar Lodbrok. Seria o fim? Não, Ragnar é um personagem cativante e faz de Uhtred seu filho, e ele torna-se dinamarquês, passa a amar seus conquistadores e esse amor irá acompanha-lo pelo resto da vida.

Interessante que Uhtred era o segundo irmão antes da conquista, não era o mais forte e nem o mais querido por seu pai, mas como ele sempre diz “Wyrd bið ful ãræd” “o destino é inexorável”, e nos livros que compõem a série vamos vendo o garoto se tornar homem, o saxão que se tornou dinamarquês virar “a espada dos saxões”.

Em um trecho Uhtred fala:

Adoro os dinamarqueses. Não há homens melhores com quem lutar, beber, rir ou viver. Mas naquele dia, como em muitos outros da minha vida, eles eram o inimigo e me esperavam numa gigantesca parede de escudos atravessando o planalto ondulado. Havia milhares de dinamarqueses, dinamarqueses com lanças e espadas, dinamarqueses que tinham vindo fazer desta a sua terra, e havíamos chegado para mantê-la nossa.

Não quero me aprofundar na história para não deixar escapar spoilers, porém a história de Uhtred é composta de gigantescas reviravoltas, assim como as terras dos saxões.

Bernard Cornwell é um exímio pesquisador, e como o livro é em primeira pessoa, enxergamos com perfeição a atmosfera histórica da época. Em Uhtred é personificada a guerra entre o cristianismo e o paganismo, em Uhtred está a resistência à cristianização e em outros personagens como, Alfredo rei de Wessex, está a perfeita amostra da cristianização ocorrida na Idade Média. Alfredo é a figura antagônica de Uhtred, mas ambos se admiram da sua maneira. Vou deixar para vocês um trecho em que Uhtred fala de Alfredo:

“Ele era meu rei, e tudo que tenho devo a ele. A comida que como, o castelo onde vivo e as espadas de meus homens, tudo veio de Alfredo, meu rei, que me odiava”. (“O Último Reino”, prólogo).

Uma das coisas mais marcantes nessa obra é essa luta entre o cristianismo e o paganismo, há um trecho que eu gostaria que vocês, pois mostra muito bem como Uhtred vê o mundo cristão que nessa época estava em rápida expansão:

“Os cristãos nos dizem que seguimos inexoravelmente na direção de tempos melhores, na direção do reino de seu deus na terra, mas meus deuses só prometem o caos do fim do mundo, e basta olhar ao redor para ver que tudo está desmoronando, apodrecendo, prova de que o caos se aproxima. Não estamos subindo a escada de Jacó até uma perfeição celestial, e sim despencando morro abaixo na direção do Ragnarok”. (A Morte dos Reis, pág.276)

Como vocês puderam escutar é um livro com um conteúdo impressionante. Eu recomendo vivamente a leitura dos livros, Uhtred é um dos melhores personagens que já tive o prazer de conhecer.

A escrita de Bernard Cornwell também é ótima, a história ocorre rápida, sem enrolação o ritmo chega a ser frenético acontecendo algo crucial em praticamente todos os capítulos. E não apenas isso os livros são bastante divertidos, pois Uhtred possui um humor ácido, principalmente contra os padres. E também, Cornwell desenvolve os personagens tão bem que dá a impressão de que Uhtred foi um personagem tão real quanto Ragnar Lodbrok, Ubba Ragnarsson, Alfredo, O Grande, Eduardo, O Velho e outros foram.

No inicio coloquei o áudio de um diálogo da série Vikings do History, que explora os personagens que aparecem no livro de Cornwell, mas não tem qualquer relação com as Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell. Aliás, conforme já divulgamos no Kalango os livros da série serão adaptados para a TV o link vai está aí no post. Digo uma coisa, se forem fieis a obra, será muito melhor que Game of Thrones.

Pra terminar, pois se não vou me aprofundar mais e acabar soltando spoilers, vou ler pra vocês um trecho que acho ótimo e que retrata bem a personalidade de todos os Uhtred, nessa parte Uhtred. Nessa parte que será lida Uhtred não era Uhtred, chamava-se Osbert, pois só quem ostenta o nome Uhtred são os senhores de Bebbanburg, ou o filho mais velho. Nessa parte o irmão mais velho dele tinha saído para observar o avanço dos dinamarqueses, e nesse momento chega Ragnar com a cabeça de seu irmão…

Ragnar ficou olhando a fileira de homens, com expressão de zombaria no rosto, depois fez uma reverência, jogou algo no caminho e girou o cavalo. Bateu com os calcanhares e o animal voltou correndo, e seus homens rudes se juntaram a ele para galopar em direção ao sul. O que ele havia jogado no caminho era a cabeça de meu irmão. Ela foi trazida ao meu pai, que ficou olhando-a por longo tempo, mas não traiu qualquer sentimento. Não chorou, não fez careta, não fez muxoxo, apenas olhou para a cabeça do filho mais velho e em seguida para mim.

── De hoje em diante seu nome é Uhtred ── disse ele.

E foi assim que ganhei meu nome. (“O Último Reino” pag. 23)

Então galera vocês podem ver que livro sem sombra de dúvidas é ótimo e vale a leitura. Fazendo uma avaliação em atômicos eu dou 9,5 atômicos, por que não dou 10? Porque deve ter alguns defeitos que meus olhos de fã não permitem que eu veja e porque estou avaliando todos os livros já publicados e não apenas um. Então vou deixar em 9,5 atômicos.

Essa foi a primeira resenha em áudio e todo mês escolherei um livro foda para falar por aqui. Conhece algum? Deixe um comentário, pode ser aqui no post no site www.kalangoatomico.com.br, na fanpage no facebook.com/kalangoatomico, no twitter @kalangoatomico, no soundclound  soundcloud.com/kalango-atomico ou ainda no email klngatomico@gmail.com

Deixe sua dica de livro, comente sobre essa resenha, o feedback de vocês é muito importante.

Para finalizar deixo no post para vocês o link de uma entrevista de Bernard Cornwell, que apesar de o título ser “Terra em Chamas por Bernard Cornwell”, o que na teoria significa que ele falaria sobre o quinto livro da série, eu conferi e não há nenhum spoiler, pois na verdade ele fala sobre o período histórico onde sua obra está inserida, vale muito a pena ver e podem assistir sem medo, não há spoilers:

Também deixo um poema anglo-saxão onde Odin  dependura-se na Yggdrasil, ferido mortamente num sacrifício voluntário, para depois ressuscitar cheio de poder e sabedoria. Após esta experiência, conta a lenda, adquire poder sobre a vida e a morte. Vale a pena ler esse poema também porque toda essa obra das Crônicas Saxônicas tem essa aura da mitologia nórdica envolvendo ela.

Sei que estive pendurado naquela árvore que o vento açoita, 
balançando-me durante nove longas noites, 
ferido pelo fio de minha própria espada, 
derramando meu sangue por Odín, 
eu mesmo uma oferenda a mim mesmo: 
atado à árvore 
cujas raízes nenhum homem sabe 
para onde se dirigem.

Ninguém me deu de comer, 
ninguém me deu de beber. 
Contemplei o mais profundo dos abismos 
até que vi as runas. 
Com um grito de raiva agarrei-as, 
e depois caí desfalecido.

Nove terríveis canções
do glorioso filho de Bolthor aprendi 
e um trago tomei do glorioso vinho (*) 
servido por Odrerir.

Obtive bem-estar 
e também sabedoria. 
Saltei de uma palavra a outra palavra 
e de um ato a outro ato…

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